Associação preocupada com a Lagoa da Vela
A Lagoa da Vela está situada numa zona florestal que se estende pelos territórios das freguesias do Bom Sucesso e Quiaios. Ocupa uma área de 70 hectares e é vizinha da Lagoa das Braças e da Lagoa da Salgueira, estas de menores dimensões. A associação Vela Pravida mostra-se preocupada com o futuro próximo deste lago natural, exortando as autoridades a intervirem rapidamente.
O presidente da associação, José Beato, em declarações ao DIÁRIO AS BEIRAS, ressalvou que “a única coisa que a Vela Pravida pode fazer [a favor da reabilitação do lago] é sensibilizar as entidades”. É o que tem feito. De resto reuniu-se com o presidente da Câmara da Figueira da Foz, Santana Lopes. Mais recentemente, a direção da estrutura cívica esteve reunida com responsáveis de entidades do Estado e o vereador Manuel Domingues.
No entanto, defendeu o dirigente, “alguma coisa tem de ser feita”. De resto, lembrou, “a associação foi fundada em 2016 porque a lagoa já vivia esta situação [de declínio], devido ao excesso de lodo”. Manifestando-se “muito preocupado” com o estado da lagoa.
José Beato afiançou que a preocupação é transversal aos decisores políticos locais e entidades nacionais, José Beato salvaguardou, no entanto, que há “boas perspetivas”. Todavia, alertou “sem o Estudo de Impacte Ambienta [EIA] concluído não se pode mexer na lagoa”. Já lá vamos.
Contradições sobre o EIA
A Lagoa da Vela tem estado sujeita a um processo de assoreamento que lhe vem infligindo uma longa agonia. O excesso de sedimentos contrasta com a falta de água e oxigénio, o que tem provocado episódios de mortandade de peixes. Num ano de seca como este, a lagoa sobrevive com o mínimo de água, repercutindo-se em todo o ecossistema que ela proporciona.
No anterior mandato autárquico, foram desenvolvidos esforços a favor da revitalização da Lagoa da Vela e sua área envolvente. Nomeadamente, foram realizados estudos e aprofundadas as conversações com as entidades do Estado que tutelam aquele espaço natural. No entanto, além dos passadiços instalados e outras infraestruturas, não foram feitas intervenções na área aquática.
O ex-vereador Miguel Pereira afirma que deixou concluído um EIA. O vereador Manuel Domingues, no entanto, garante que tudo o que encontrou foi um estudo prévio, afiançando, por outro lado, que o EIA está agora em marcha.
Recordações, sedimentos e esperança
Há mais de 20 anos que a Câmara da Figueira da Foz tenta desassorear a Lagoa da Vela. No primeiro mandato de Santana Lopes (1997 – 2002), aliás, foram tomadas iniciativa nesse sentido, mas seriam travadas pela tutela do Ambiente. Neste segundo mandato, o autarca mantém a determinação de há duas décadas, agora com uma conjuntura mais favorável, já que as entidades que tutelam o lago natural estão sensibilizadas para a necessidade de se intervir.
A degradação da Lagoa da Vela terá começado com o fim da extração de limo, que os agricultores da região utilizavam nos campos. Entretanto, os produtos químicos substituíram o fertilizante natural retirado do fundo do lago, contribuindo, também, para a sua poluição.
José Beato lembra-se dos tempos em que a planta aquática era extraída, a pesca abundava e até se realizavam provas desportivas nacionais de remo. E, há não tanto tempo, havia ali dois bares abertos. Agora, porém, apenas restam recordações, sedimentos e a esperança de que a vida regresse em força a uma lagoa que luta contra a morte.


