Parque Boomerang das Alhadas gera controvérsia
O parque Boomerang, na vila das Alhadas, concorreu ao Orçamento Participativo Municipal de 2017 e foi um dos vencedores. O primeiro subscritor da proposta foi Constantino Rodrigues. As juntas de freguesia não podiam concorrer, já que aquela uma via aberta para a democracia direta, que acabaria por ser fechada por quem a abrira, na altura com a garantia de que seria uma decisão temporária para (voltar a) reformular as regras, estava o PS estava no poder.
Entretanto, a compra de um terreno, por 15 mil euros, destinado a criar um novo acesso e concluir o espaço verde, está a gerar controvérsia política. Na reunião de câmara de segunda-feira, que é retomada hoje, às 09H30, o presidente da autarquia, Santana Lopes, acabou por retirar a proposta, na sequência das intervenções dos vereadores do PS, que, através da líder, Diana Rodrigues, fizeram saber que votariam contra.
Os socialistas suscitaram algumas questões e afirmaram que o presidente da Junta das Alhadas, Jorge Bogalho, foi posto à margem do processo. Santana Lopes, no entanto, leu uma troca de correspondência eletrónica com o autarca alhadense, na qual este afirma que não se opõe à compra do terreno.
Palavra puxa palavra, argumentos de um lado e do outro, a dada altura, Santana Lopes, disse que, sem detalhar, o que está na origem da controvérsia gerada à volta do terreno são “questões pessoais”. E, num tom mais elevado, afirmou: “Não tenho guerra nenhuma, eu quero é resolver. Isto não é má vontade, mas não me chateiem mais com este assunto!”.
Assunto encerrado
O presidente da câmara, eleito pelo movimento independente FAP, deu o assunto por encerrado: “Não volto a votar isto. Tudo tem o seu limite!”, concluiu Santana Lopes. O assunto já havia sido retirado da ordem de trabalhos de outra reunião de câmara, no seguimento de dúvidas e questões levantadas pelos vereadores do PS.
Em declarações ao DIÁRIO AS BEIRAS, a vereadora Diana Rodrigues frisou que também estavam em causa “algumas questões relativas à avaliação do terreno”. Designadamente, apontou, a diferença de valores entre a primeira e a segunda avaliações, de cinco mil para 15 mil euros – a última avaliação foi feita pelos serviços técnicos do município.
Por outro lado, Diana Rodrigues sustentou que a proposta foi retirada por vontade da maioria FAP. O anunciado voto contra do PS, indicou a vereadora da oposição, não invalidava a aprovação, já que, na reunião, estavam quatro vereadores da FAP e outros tantos do PS e “o presidente podia recorrer ao voto de qualidade”.
“O terreno sempre fez parte do projeto”
O presidente da Junta das Alhadas, elogiando a atitude dos vereadores do PS, partido pelo qual foi eleito, confirmou ao DIÁRIO AS BEIRAS a troca de e-mails com o presidente da Câmara da Figueira da Foz. “É verdade que disse [a Santana Lopes] que não me oponho à compra do terreno, mas isso não significa que concorde. Esta não é uma prioridade para a freguesia”, disse Jorge Bogalho.
“Há coisas prioritárias que pedi à câmara e ainda não obtive resposta”, acrescentou. Por outro lado, o autarca alhadense afirmou que ninguém o informou previamente de que a compra do terreno havia sido proposta ao executivo camarário. “Nem sei quem fez a proposta”, afiançou.
“Fui eu que solicitei a compra do terreno”, assumiu Constantino Rodrigues. O primeiro subscritor da proposta do parque Boomerang afirmou que o antigo presidente da câmara Carlos Monteiro, com a conivência de Jorge Bogalho, aplicou um corte de 50 por cento nos 75 mil euros previstos para o projeto.
Considerando que Jorge Bogalho apoiou a redução daquele montante, Constantino Rodrigues entendeu que “não tinha lógica pedir ao presidente da junta que intercedesse junto da câmara para comprar o terreno”. Por isso, acrescentou: “Resolvi falar com o presidente da câmara e levei-o ao local. Tenho fé que Santana Lopes vai resolver este problema, porque o terreno sempre fez parte do projeto”.


