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Gonçalo Bandeira: “Antes da lesão sentia-me capaz de me bater com os melhores”

10 de às 11h23
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DR/Federação Portuguesa de Ciclismo

Acaba de se sagrar tricampeão nacional de Elite em dowhill – em Vila Cova à Coelheira, Seia – numa luta aos milésimos de segundo… Estava forte a concorrência?
Foi um pouco difícil preparar bem esta corrida, pois os meus mundiais acabaram já há dois meses e, por isso, psicologicamente e, fisicamente, foi difícil voltar ao ritmo com que estava antes.
Para além disso sabia que esta pista era curta e um pouco técnica, por isso seria difícil marcar a diferença perante rivais muito fortes fisicamente como o José Borges. Ia ter os rivais muito próximos e seria difícil ganhar. E foi assim. Foi um dos títulos mais concorridos de sempre.

Notou-se, quando cruzou a meta, que estava aliviado pela conquista…
Sabia que íamos andar todos muito perto, por isso foi bom ganhar duas mangas com a diferença que foi. Está tudo a disputar o lugar mais alto e é bom ter um ritmo bom numa corrida destas.

Foi a conquista nacional que mais gozo lhe deu?
Como sou dos mais novos, ou o mais novo a lutar pelo lugar mais alto, senti que toda a gente estava de olhos postos em mim e todos queriam roubar-me o título. Deu-me muito mais gozo vencer assim, com todos por perto.

Destacou-se desde muito novo, por isso não é novidade ser um miúdo entre os melhores…
Já em 2018, no meu segundo ano de cadete, tinha feito 3.º à geral (no Campeonato Nacional de Downhill). Sabia que daí para a frente conseguiria lutar pelo lugar mais alto e estar sempre numa posição confortável para lutar pela vitória.

Como classifica este ano de 2022? Revalida o título, faz a 2.ª melhor classificação de sempre de um português no Mundial, mas teve uma lesão “chata”…
Foi se calhar o (ano) mais frustrante, porque foi aquele em que mais me preparei e sentia-me bem para me bater com os melhores do mundo.
Em Portugal fiz 2.º (na Taça de Portugal, em Tarouca) e estava cá muita gente do top-20 mundial. Mas a lesão veio estragar- -me as contas e deitou-me um pouco abaixo.
Se não fosse a lesão se calhar conseguia estar num top-10 (no Mundial). Soube-me bem ficar perto do top-30, mas sabia que podia ficar muito melhor.

Foi uma lesão que lhe roubou muito tempo da época?
Sim, foi na 2.ª Taça do Mundo, na Escócia (21 e 22 de maio, em Fort William) e só voltei a competir no Mundial, em setembro. Foi muito difícil.

Não conseguiu os seus objetivos este ano, mas está confiante para o próximo?
Há de ser no próximo ano. As corridas vão começar mais tarde, só em junho, e vou tentar estar entre os melhores do mundo porque é isso que eu quero ser: um dos melhores do mundo.

Nos últimos anos tem vindo a somar conquistas, não só internamente. Em 2020, na Lousã, por exemplo, foi 2.º nos juniores da Taça do Mundo…
Apesar de ter mostrado alguns resultados, sei que tenho falhado algumas corridas devido a lesões. Nestes últimos dois anos, por exemplo, tive duas lesões.
Tenho tentado dar sempre o máximo, mas foram duas lesões chatas, quer a nível físico quer psicológico.
Todos os anos vou tentar. Sei que, com o trabalho que tenho feito, e já mostrei alguma coisa, posso vir a ser um dos melhores.

Como começa esta história de amor pelas duas rodas?
Eu nasci com duas rodas debaixo dos pés. Deram–me a primeira bike com dois anos. Aos quatro fui logo para a montanha, aos cinco tive a minha primeira corrida e nunca parei… Foi a coisa que mais gostei de fazer.

Isto é uma coisa de família… isso ajuda?
As minhas irmãs também praticaram. A minha irmã Margarida foi campeã nacional algumas vezes. Apesar de não estar ao mesmo nível que eu, porque corria cá em Portugal, ajudou-me a começar e a levarem-me às corridas.

Há apoios suficientes para fazer carreira no downhill em Portugal?
Em Portugal não são muito bons neste desporto. Mas como tenho sempre tentado virar-me para o estrangeiro é possível. Este ano foquei-me a 100 por cento no Mundial, porque se não for assim não consigo arranjar apoios.
Tenho bastantes ajudas dos meus patrocinadores. Assinei o meu primeiro contrato profissional em 2018, pela Miranda Factory e estive lá três anos.
Agora estou com a Scott e com outras marcas…

Dedica-se em exclusivo ao dowhnill ou tem outra carreira em paralelo?
É uma coisa que tenho em mente fazer profissionalmente durante algum tempo. E depois de deixar de correr quero ficar ligado a este desporto, ou como equipa, ou como treinador, ainda não sei bem. Para já quero aproveitar o máximo possível disto, do que me está a dar…
Apesar de ser um trabalho é uma vida de sonho!

Como é o seu dia-a-dia?
Agora vou ter um pouco de descanso, aproveitar para estar com a família e fazer outras coisas que também gosto.
Volto aos treinos para dezembro, à partida. Quando estou em pré-época, normalmente, tenho dois ou três treinos por dia. Faço ginásio, ciclismo de estrada ou downhill, depende do plano.

E as motas?…
Já não ando muito de mota, mas agora é precisamente a altura em que mais ando. Ajuda-me muito no treino. E se tiver oportunidade para fazer uma corrida ou outra estou sempre “on”. Gosto de experimentar tudo. Ainda em 2021 entrei em provas de mota.

Tem tempo para hobbies?
Faço crossfit, já fiz râguebi, joguei futebol… e aproveito quando tenho tempo livre para jogar futebol com os meus amigos. O meu corpo já não está motorizado para jogar futebol, mas, pelo menos uma vez por semana, jogo com os amigos.

E o râguebi? Jogou durante anos e chegou a representar a seleção. Alguma vez pensou voltar?
Gostava muito de voltar a jogar râguebi. Aliás, até estou um pouco indeciso se volto a treinar. Joguei desde os meus cinco anos, durante quase 10 anos. Tenho uma ligação muito forte com o clube e com as pessoas.
Gostava de voltar a jogar, mas não tão profissionalmente, porque é perigoso se me lesiono. Mas, como disse, gosto de um bom desafio para desanuviar.
Quais são os seus planos para o próximo ano?
Vou fazer as taças do mundo todas. Queria ser convocado para o mundial e ficar no top-20 mundial… Vamos ver como é que corre a pré-época porque isso diz muito do que vai ser a época.

Até onde pensa que pode chegar?
Para já penso no top-20. Este ano, apesar de terminar na 31.ª posição, fiquei a poucos segundos do top–20 e sei que, se estivesse em forma, poderia ter ficado nos 20 primeiros ou até mais acima… Vou descansar e vamos ver como corre a pré-época!

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