“Cortejo do Pijama” une estudantes da Escola Agrária e Café Charrua
Como manda a tradição, a Escola Superior Agrária de Coimbra (ESAC), através da comissão da praxe da escola, organizou, na passada quarta-feira, mais uma edição do “Cortejo do Pijama” que tem como objetivo “apresentar os caloiros da ESAC à cidade de Coimbra”, referiu o Charrueco, responsável máximo da praxe da ESAC, David Martins.
O “Cortejo do Pijama” é uma das mais antigas tradições da escola. A atividade consiste no desfile dos novos alunos da escola pelas ruas da cidade, passando por alguns locais emblemáticos, até chegar às Escadas Monumentais, já do outro lado da margem do Rio Mondego. A abrir o cortejo vai o trator, seguido da comissão de praxe e atrás os caloiros, em pijama, cantam músicas de “louvor” à ESAC.
“Esta é fase mais bonita de estudante da ESAC. Com esta atividade procuramos transmitir que a união faz a força e nós, Agrária, sempre fomos muitos unidos”, disse o responsável da praxe.
A “segunda casa”
Uma das paragens obrigatórias durante o cortejo é o Café Charrua, aberto há mais de 40 anos, em São Martinho do Bispo. Um espaço que transpira história, tradição e amizade refletida através das fitas dos caloiros e fotografias presas na parede e teto, nos adereços e alfaias agrícolas que preenchem cada canto do Charrua, entre outros objetos como cachecóis de clubes e bandeiras.
Segundo António Correia, carinhosamente apelidado pelos clientes como Tozé, proprietário do estabelecimento, refere que “a ligação entre os estudantes da ESAC e o Café Charrua remonta ao tempo dos regentes agrícolas, na década de 60, que desde essa altura consideram o Charrua, a segunda casa”.
Nesta paragem obrigatória, a organização alinha os novos alunos à frente do Charrua para lhes comunicar a importância deste espaço, a forma como se devem comportar dentro e fora do café, respeitando a qualquer hora todos os intervenientes do espaço.
Tozé, ao lado do Charrueco, carrega o estandarte, que simboliza a união entre os estudantes e o café. “O estandarte está todo o ano no café e só sai nesta noite, e no final da noite, dê por onde der, o estandarte tem de voltar”, contou Tozé.
Após os discursos dos membros da praxe, Tozé entrega o estandarte a um dos caloiros que mais se destacou desde que chegou à escola e será ele o responsável por fazer a devolução no fim da noite.
A cerimónia encerra com os proprietários do Charrua a beber uma cerveja de “penalti”. “Este é o local onde somos acolhidos como filhos e onde, habitualmente, nos reunimos. O Tozé e a Alzira ajudam-nos em qualquer situação porque o Charrua é mesmo importante para nós”, disse Gonçalo, um antigo estudante que faz questão de ainda hoje frequentar o café.
Segundo o Charrueco, David Martins, “só faz sentido começar este percurso académico onde somos bem acolhidos. Este é um local sagrado e de respeito para nós”.


