Alunos da Escola José Falcão dão “voz” às vítimas de violência
“Ouve-me” é o título que da exposição que pretende dar voz “ao grito ensurdecedor” das 28 mulheres mortas desde o início do ano, 22 das quais no contexto de relações de intimidade (dados do Observatório de Mulheres Assassinadas).
A mostra de trabalhos de alunos e alunas do 10.°ano da Escola Secundária José Falcão foi inaugurada na semana passada, no Dia Internacional de Eliminação da Violência contra as Mulheres –, na Sala de Exposições daquele estabelecimento de ensino e apresenta um conjunto de releituras e citações a partir de obras da artística plástica Helena Almeida.
A mostra surge no âmbito do Projeto Cultural de Escola, que tem como tema “Tornar visível [dar voz] o invisível [minorias]”.
De acordo com Cristina Janicas, coordenadora do projeto cultural, alunos e alunas foram convidados(as) a citar e homenagear a artista plástica Helena Almeida (1934-2018), recriando algumas das suas obras ou inspirando-se nelas.
“Helena Almeida faz do seu corpo o protagonista capaz de habitar lugares que são de outros(as). As imagens da artista tapada, amordaçada, presa numa tela, suscitam leituras sobre várias formas de opressão social, incluindo de género. Há nelas uma tentativa de tornar visível a experiência individual de um silêncio ensurdece[1]dor e mudo”, refere Cristina Janicas, que é também atriz na Bonifrates – Co[1]operativa de Produções Teatrais e Realizações culturais.
Neste projeto a que a escola dá agora visibilidade, os alunos e as alunas foram desafiados(as) a usar, à semelhança de Helena Almeida, “os seus próprios corpos nos trabalhos, colocando-se no lugar, muitas vezes de invisibilidade, das vítimas de violência doméstica e de outras minorias sociais”. “As suas criações pretendem, deste modo, contribuir para tornar visível e audível a experiência individual de um silêncio ensurdecedor e mudo”, adianta a coordenadora do projeto.
A exposição estará aberta ao público até 9 de dezembro, podendo ser visitada dentro do horário de funcionamento da escola, das 08H30 às 18H30.
A mais frequente violação dos direitos humanos
Os dados mais recentes da Comissão para a Cidadania e a Igualdade de Género dão conta da morte de 21 mulheres em contexto de violência doméstica, entre 20 adultas e uma criança, nos primeiros nove meses de 2022, um número mui[1]to próximo das 23 assassinadas em 2021.
A contabilização feita pelo Observatório de Mulheres Assassinadas (OMA), com base em notícias publicadas na comunicação social entre 01 de janeiro e 15 de novembro deste ano, revelou 28 mulheres mortas.


