Alice Puga: “Acho que quando nasci já gostava de cavalos”
Numa propriedade rural que os pais arrendaram na localidade de Carritos, na Figueira da Foz, Alice Puga, de 13 anos, investe a maior parte do seu tempo livre junto dos seis cavalos e éguas da família, que treina num picadeiro “ad hoc”, que, quando o tempo está de chuva, não tem condições para ser utilizado.
Num outro terreno, este cedido para o efeito por um proprietário da povoação, pratica saltos de obstáculos. Apesar da falta de condições, e de dinheiro, a adolescente soma vários pódios nacionais.
O hipismo está associado a uma modalidade de elite, por ser caro. Mas ainda bem que a regra contempla a exceção, já que Alice Puga pertence a uma família modesta da classe média, que partilha com a jovem atleta o amor pelos cavalos.
Contudo, a exceção não se aplica aos elevados custos associados aos cavalos e aos acessórios que utiliza nas competições. A sela mais barata, por exemplo, custa 800 euros, mas as melhores custam vários milhares de euros. Alice compra a mais barata.
O pai, Rui Oliveira, tem cavalos há muitos anos. Desde muito antes da filha nascer. “Só” porque gosta deles. E como quem sai aos seus não degenera… “Acho que, quando nasci, já gostava de cavalos”, disse Alice Puga. “Como o meu pai já tinha cavalos, para mim, foi o paraíso”, acrescentou.
Alice despertou cedo para o sonho de ser cavaleira. Tinha seis anos quando descobriu, com os cavalos e as éguas do pai, aquilo que viria a ser a sua atividade desportiva. Foi em 2018 que a atleta começou a competir, incentivada por um professor de hipismo e conhecido da família.
Carreira ascendente
Desde 2018, Alice Puga conquistou diversas provas em concursos nacionais. Na sua galeria de troféus exibem-se as conquistas do 3.º lugar no Campeonato Nacional de Iniciados, o 1.º lugar na Taça da Juventude de Coimbra, o 3.º lugar na Taça de Portugal, o 6.º lugar no Campeonato Nacional da Juventude e o 4º lugar na Taça de Portugal.
Mas há mais. No ano que está a chegar ao fim, ou seja, 2022, classificou-se em 5.º lugar no Campeonato Nacional da Juventude e em 4.º lugar na Taça de Portugal.
Alice sabe que não vive no país das maravilhas para os atletas de alta competição em ascensão. Por isso, tem consciência de que a sua atividade desportiva tem outros obstáculos para ultrapassar, eventualmente mais difíceis do que aqueles com que se depara nas competições de hipismo.
Não obstante, a jovem atleta é resiliente e determinada e a palavra desistir não faz parte, pelo menos por enquanto, do seu léxico. Os pais acompanham-na, nas provas e na mentalidade de superação.
“Os meus objetivos são voltar em forma aos concursos e aos pódios nacionais”, afiançou Alice Puga. A atleta tem ainda como desiderato vir a ser atela profissional. Mas sem deixar os estudos para trás. Treina “três ou quatro horas por dia”. A jovem cavaleira reconhece, contudo, que “é difícil” compatibilizar a escola com o hipismo, “mas tem de se arranjar tempo para tudo”.


