Académica: Emoções a acabar compensam falta de qualidade
O ambiente nas bancadas do Estádio Cidade de Coimbra merecia mais qualidade. É certo que pouco há a opor à entrega dos atletas em campo – o que se refletiu, de resto, na interessante dinâmica do jogo –, mas a falta de jeito para definir só podia mesmo ser ultrapassada por um golpe de génio e por um golo de penálti.
Foi muito boa a entrada da Académica, a pressionar alto e a ter meia dúzia de jogadas de algum frisson no interior da área contrária, no primeiro quarto de hora. Seria, porém, um disparo cruzado de fora da área, protagonizado pelo jovem Di Cardoso, o único lance de verdadeiro perigo para a baliza do Belenenses. Pelo contrário, a equipa de Belém revelou mais maturidade nas aproximações, tendo Hidalgo somado alguns momentos de aflição, na defesa das redes de Coimbra.
Em toda a primeira parte, o que se viu foi, então, uma dinâmica muito interessante, de parte a parte. Todavia, como se percebe do que se escreveu a abrir este texto, a velocidade de execução requer qualidade extra no toque de bola. Ora, manifestamente, nada disso se viu, em particular no momento-chave da definição, fosse para o passe decisivo fosse, sobretudo, para o remate.
Por volta da meia hora, e depois de um belo lance de incursão pelo lado esquerdo, sucederam-se lances de desacerto notório, de parte a parte. Durante largos minutos, um punhado de passes mal medidos, cortes desastrados, dribles inconsequentes, más receções de bola e remates desenquadrados levou os espectadores mais exigentes ao desespero.
A segunda parte trouxe um Belenenses mais subido, procurando tomar conta da partida. Mas a Académica não quis assumir o recuo e, durante os primeiros 20 minutos, o jogo arriscou “partir-se”.
Até à entrada do quarto de hora final, sucederam-se jogadas rápidas de aproximação a uma e a outra área. Invariavelmente, porém, a falta de qualidade no momento da decisão manteve-se.
“Martelada” injusta
Aos 79 minutos, os treinadores resolvem mexer em várias peças. Do lado do Belenenses, entra um rapaz, Pedro Martelo, que parece só saber marcar à Académica. Ontem, o avançado de Belém não fez por menos e anotou de forma magistral, um minuto depois de entrar em campo, com uma “meia bicicleta sem defesa.
Reagiu, e bem, a Briosa. Teve mais coração do que cabeça mas acabou por ser recompensada, já que o árbitro auxiliar descortinou uma mão na bola de um defesa azul após um centro da direita. David Teles assumiu e marcou.


