Coimbra: Atletismo e basquete podem ter centros de treino
Em que pé está a promessa de fazer a Carta Desportiva Municipal?
Um dos nossos objetivos para 2023 é, efetivamente, lançar a Carta Desportiva Municipal. Temos vindo a fazer um trabalho preparatório, mas muito provavelmente vamos ter de recorrer a trabalho exterior, pelo que vai ter de ser preparado um procedimento concursal. De qualquer forma, a própria câmara, nomeadamente nos serviços do cadastro e do PDM, dispõe já de um conjunto de dados muito relevantes, por exemplo, no que respeita à localização georeferenciada das infraestruturas existentes.
Para além da identificação do que existe, o que deverá a Carta conter de novas infraestruturas para o próximo triénio?
Eu acho que é importante termos duas preocupações, sendo que uma é de natureza económica. Coimbra é uma cidade com uma localização geográfica estratégica, de grande centralidade, e tem boas infraestruturas, o que tem potenciado a realização de eventos de alto nível, alguns internacionais, como se sabe. Este ano, como se sabe, já está a funcionar o Centro de Alto Rendimento de Natação e estamos a trabalhar para termos outros centros de treino intermédio [um degrau abaixo dos CAR]. É um passo que teremos, naturalmente, de articular com o Governo e estamos a fazer esse caminho em modalidades como o basquetebol ou o atletismo. A outra preocupação é de natureza social, o que nos leva à articulação com a rede escolar e com a oferta de condições formativas complementares aos atletas que venham treinar para Coimbra.
A Câmara passou a gerir dezena e meia de pavilhões escolares, mas as queixas da falta de espaços para treino não acabaram…
A situação é clara: a descentralização avançou mas os espaços desportivos ficaram afetos à Educação. Ou seja, para utilizar um recinto, por exemplo, um pavilhão desportivo, a última palavra é sempre do senhor diretor da escola ou o agrupamento escolar em causa, que, por sua vez, responde perante a tutela governativa. Essa é, por isso, uma matéria que carece de alguma clarificação. Ou há descentralização ou há apenas meia descentralização. No dia-a-dia, na gestão corrente, não é compatível com as necessidades da câmara estar à espera de um despacho do senhor diretor escolar que por sua vez vai estar à espera de um despacho de um secretário de Estado ou ministro para autorizar a utilização de um pavilhão que é gerido pela câmara municipal. Ou seja, a manutenção e os encargos financeiros associados são da câmara mas a utilização depende do Ministério da Educação. É claro que esta é uma discussão de âmbito nacional.
Por que não fazer, em Coimbra, uma regata Oxford-Cambridge?
Com as obras nas margens que estão em fase de conclusão, podemos dizer que Coimbra passa a dispor de um plano de água excecional com muito boas condições de fruição nas margens. Eu tenho uma ligação histórica aos desportos náuticos, em particular ao remo, e é uma ambição muito antiga fazermos aqui uma regata aproveitando a ligação histórica entre três das universidades mais antigas do mundo. No fundo, o objetivo é fazer aqui uma regata a três, obviamente envolvendo com Coimbra também os outros clubes da região, como o Ginásio, da Figueira da Foz, ou o Galitos, de Aveiro.
Para além do Rali
de Portugal, que outros grandes eventos teremos em Coimbra em 2023?
Estamos a trabalhar em várias frentes mas há questões a ter em conta, já que passam pela formalização de protocolos e a assinatura de contratos. Mas posso adiantar que a natação é uma aposta nossa. Possivelmente, teremos um novo jogo de râguebi internacional, na linha do Portugal-Japão. E, como sabemos, a televisão é um veículo decisivo, como se viu nas transmissões da Corrida São Silvestre, na RTP e na ABola TV, e dos jogos da seleção nacional de basquetebol. No judo, já é público que vamos receber o Europeu e Mundial, de cadetes e de juniores…
Está também previsto algum grande evento de uma modalidade nova?
Estamos a trabalhar com a Federação de Atletismo para termos, no estádio, uma grande prova de pista. Também com a Federação de Patinagem estamos a preparar um grande evento em Coimbra de hóquei em patins (que é uma modalidade que não dispõe de recinto próprio), pelo que queremos ajudar a ter o tão desejado pavilhão dedicado.
Por fim, há o caso das novas instalações para a sede da Associação de Futebol de Coimbra…
Esse é um projeto que não queremos perder, até porque, como se sabe, há um programa de apoio financeiro, por parte da Federação Portuguesa de Futebol. Pela nossa parte, Câmara Municipal e direção da AFC, estamos ainda a estudar a localização das instalações e cremos que, apesar de os prazos apertarem, temos ainda tempo para construir uma solução de grande dignidade e com futuro.


