Prémio Pessoa de Mérito para ativista figueirense
Bruno Gomes Gonçalves é dirigente associativo e do programa do Conselho da Europa ROMED, destinado a promover políticas de inclusão da comunidade cigana. É um dos primeiros e poucos ciganos portugueses com curso superior e foi um dos poucos autarcas da sua etnia. Reside na Figueira da Foz, cidade onde estão sediadas duas associações cívicas ciganas.
O ativista acaba de ser distinguido pelo Observatório das Comunidades Ciganas, uma das estruturas que integra o Alto Comissariado para as Migrações, com o prémio Pessoa de Mérito. “Sinto que as pessoas têm de ser reconhecidas. Para mim, é importante ser reconhecido pelo trabalho de 15 anos. O prémio traz-me ainda mais responsabilidade e compromisso com a causa”, disse Bruno Gomes Gonçalves ao DIÁRIO AS BEIRAS.
Muitas das atividades nacionais promovidas pelas estruturas a que pertence Bruno Gomes Gonçalves realizam-se na Figueira da Foz. A Academia Cigana é uma das mais relevantes, juntando participantes de todo o país, incluindo representantes de diversas entidades públicas. Aquela cidade tem um dos números mais altos de ciganos com ensino superior concluído e jovens a frequentar o ensino secundário do país.
Parceiros ativos do município
Na Figueira da Foz, as associações fundadas por elementos da comunidade cigana, Letras Nómadas e Ribalta Ambição, têm sido parceiros ativos do município na aplicação do Plano Local para a Integração da Comunidade Cigana (PLIC), ao qual o atual executivo camarário está a dar continuidade. Todavia, Bruno Gomes Gonçalves considera que, no último ano, o ritmo abrandou.
O recém-distinguido com o prémio Pessoa de Mérito reclama mais empenho ao atual executivo camarário. “Estamos a perder quase oito anos de trabalho com as comunidades ciganas. Temos um executivo camarário que parece que não está interessado na temática. Mas isso não vai inibir-nos de trabalharmos para o concelho”, afirmou o ativista.
“É preciso que, com este executivo camarário, a gente não entre por uma porta e as pessoas responsáveis saiam por outra”, acrescentou. Não obstante, garantiu que continuará a estender pontes entre as comunidades cigana e não cigana e a contribuir para a inclusão social, académica e profissional dos ciganos.
“Este executivo não discrimina ninguém”
Por outro lado, Bruno Gomes Gonçalves defendeu que a inclusão da comunidade cigana beneficia toda a sociedade. Contudo, frisou: “Não aceitamos sermos vistos como produtos tóxicos”. A Figueira da Foz, afiançou o ativista, “era um município exemplar, com boas práticas junto das comunidades ciganas, e até elogiado na Europa, e, de repente, tudo vai pela água abaixo”, afirmou.
A vereadora Olga Brás, com os Pelouros da Ação Social, Educação e Saúde, ficou surpreendida com as afirmações de Bruno Gomes Gonçalves e rejeitou que a autarquia se tenha distanciado da comunidade cigana e que tenha abrandado o ritmo da aplicação do PLIC. “Temos uma técnica superior do município a trabalhar afincadamente no desenvolvimento do PLIC”, afirmou a autarca ao DIÁRIO AS BEIRAS.
Olga Brás afiançou, ainda, que “este executivo camarário não discrimina ninguém e está empenhado em desenvolver políticas de inclusão”. Por outro lado, garantiu que, “até agora”, nenhum representante associativo de etnia cigana solicitou reunir-se com ela, afiançando que está “disponível para receber” dirigentes associativos daquela ou de qualquer outra minoria.


