Sulpasteis quer liderar a produção de salgados ultracongelados
A entrada da Congalsa – grupo espanhol de produtos pré-cozinhados ultracongelados – no capital da Sulpasteis, em 2020, contribuiu para reforçar a presença da empresa de Arganil no mercado?
A Congalsa é um grande grupo espanhol do setor alimentar, com um volume de negócios anual que já ultrapassa os 100 milhões de euros. Com a sua entrada no capital da Sulpasteis, como sócio maioritário (aquisição de 70% do capital), foi desenvolvida uma nova estratégia, que visa tornar a Sulpasteis na maior empresa portuguesa da área dos salgados, duplicando a sua faturação, reforçando a sua posição no canal Horeca e apostando forte no incremento das vendas no retalho. Os anos 2020 e 2021 foram muito atípicos, fortemente condicionados pela pandemia. Em 2022, os resultados começam a surgir, registando-se um significativo aumento do volume de vendas.
Esse reforço da presença da Sulpasteis no mercado aconteceu em que medida?
Há um incremento de vendas no canal Horeca, bem como um reforço da presença dos nossos produtos no Cash & Carry e nos hipermercados, resultado de uma estratégia de diversificação de mercados. No canal Horeca há um crescimento de vendas, que tem ainda uma predominância significativa no contexto global de vendas da Sulpasteis. Terminámos 2022 com um volume de vendas superior a 16 milhões de euros, o que se traduzirá no segundo melhor ano de sempre da história da empresa. E 15% da sua produção é destinada a mercados internacionais.
A empresa também cresceu na área do retalho?
Claramente. No setor do retalho tínhamos uma presença pouco expressiva, mas, em 2022, encetámos um caminho de reforço neste canal, com o fornecimento dos nossos produtos a duas cadeias de grande distribuição, com enorme expressão em Portugal.
As áreas de negócios relativas à pastelaria e produtos do mar também estão a crescer? Que produtos destacaria?
Apostamos nos produtos do mar, com valor acrescentado, resultado da transformação e elaboração, como as espetadas de lula e camarão, espetadas mistas, lula recheada ou pota recheada. Alguns destes produtos têm uma tendência de crescimento, quer no canal Horeca, bem como no retalho, estando a verificar-se uma mudança no consumo dos portugueses: transição do consumo sazonal para consumo permanente.
Esta parceria, iniciada há quase três anos, permitiu à Congalsa afirmar-se no mercado português?
Sim, essa é uma das apostas, a par da construção de sinergias que reforcem o incremento de vendas nos mercados emergentes, como a América Latina, onde juntos, somos, certamente, mais fortes.
Esta operação permitiu simultaneamente, ter uma maior solidez económica, pois as duas empresas em conjunto atingiram uma faturação de 113 milhões de euros em 2021, num total de 26.000 toneladas de produto vendido. A aliança permitiu consolidar o crescimento e o emprego e fez com que a Congalsa e a Sulpasteis tenham uma equipa com quase 600 pessoas. A Congalsa, sediada em Pobra do Caramiñal (Corunha), é uma das empresas que lidera no setor no mercado galego.
Para 2023, quais são as prioridades da Sulpasteis?
Prosseguir a diversificação, aumentar a sua quota de mercado no retalho e no Cash & Carry, incrementar o volume de exportações e reforçar o volume de vendas no canal Horeca.
Quais são as expectativas de negócio para os próximos anos?
Há uma expectativa de crescimento, para os próximos anos, estando a empresa empenhada em aumentar a sua capacidade produtiva nas duas unidades fabris, através do reforço da automatização, bem como do recrutamento de novos colaboradores.
Apesar da crise, a Sulpasteis criou, entre 2020 e 2022, cerca de 20 novos postos de trabalho. E vamos continuar a contratar e a investir. É também este o nosso compromisso com Arganil e a região: criar emprego de forma significativa, gerar riqueza de forma sustentável e ter uma cultura de responsabilidade social, apoiando organizações locais a desenvolver a sua missão. Com uma rede de distribuição própria e uma carteira ativa de 450 clientes, onde predomina o canal Horeca (hotéis, restaurantes e cafés), a Sulpasteis mantém a tradição de “bem-fazer” que tanto prestigia a riqueza da gastronomia portuguesa. | Dora Loureiro


