Greve por distrito engrossa protesto dos professores
A luta dos professores não abranda. Para as próximas semanas estão previstas várias paralisações, reforçadas agora com a greve por distritos, convocada por uma plataforma de oito organizações sindicais, e que se prolonga por 18 dias. Depois do primeiro dia em Lisboa, a paralisação prossegue nos restantes distritos – em Coimbra, a data da paralisação é a 24 de janeiro.
Esta greve realiza-se ao mesmo tempo em que decorrem outras duas paralisações: uma greve por tempo indeterminado, convocada pelo Sindicato de Todos os Professores (STOP), que se iniciou em 9 de dezembro e que vai manter-se, pelo menos, até ao final do mês, e uma greve parcial ao primeiro tempo de aulas convocada pelo Sindicato Independente de Professores e Educação (SIPE), que deverá prolongar-se até fevereiro.
Além disso, ontem na próxima quinta-feira, dia 19 (na véspera da reunião dos sindicatos com o ministro da Educação), os professores da Escola Secundária José Falcão vão manifestar-se contra as “atuações do governo no âmbito da docência”, numa ação que terá início logo a partir das 08H00.
Também os profissionais de educação do Agrupamento de Escolas Martim de Freitas anunciaram para o mesmo dia e à mesma hora, uma manifestação em frente à escola “por uma melhor escola Pública.”.
Melhores condições de trabalho e salariais
Os professores contestam algumas das propostas apresentadas pelo Ministério da Educação no âmbito da negociação da revisão do regime de mobilidade e recrutamento de pessoal docente, mas reivindicam também soluções para problemas mais antigos, relacionados com a carreira docente, condições de trabalho e salariais.
Dois dias depois da manifestação em Lisboa, no sábado, convocada pelo STOP, que juntou milhares de pessoas, a greve que começou ontem e é convocada por uma plataforma de oito organizações sindicais – Fenprof, a ASPL, a Pró-Ordem, o SEPLEU, SINAPE, SINDEP, SIPE e SPLIU.
Para o dia 11 de fevereiro, a Fenprof marcou uma “grande manifestação de professores”, e exortou os docentes a juntar-se em concentração junto ao Ministério da Educação, no dia 20 de janeiro, durante a realização da 3.ª reunião negocial, sendo que a federação está ainda a tentar que a reunião possa ser feita em mesa única.
Os protestos começaram no final do ano passado, antes do fim das aulas do primeiro período, e foram retomados no início do segundo período, ou seja, há duas semanas.
Escolas “visitadas” por inspetores
Ontem, entretanto, soube-se que diversas escolas foram “visitadas” por equipas da Inspeção-Geral da Educação. Em causa, segundo foi possível apurar, está a fiscalização de atos determinados pelas direções, nomeadamente, o encerramento de estabelecimentos em horas e/ou dias de greve.
A situação foi, de resto, denunciada publicamente pelo próprio secretário-geral da Fenprof. “Recebi vários telefonemas de diretores preocupados porque a inspeção está a entrar pelas escolas e a pressionar para que a escola esteja aberta, nem que haja só um professor que não está a fazer greve”, referiu Mário Nogueira.


