“Maior manifestação do século” da comunidade escolar na Figueira da Foz
Professores, assistentes técnicos, assistentes operacionais, diretores de agrupamentos, psicólogos, alunos, encarregados de educação, sindicalistas de diversos sindicatos. Escolas encerradas e outras a trabalhar a meio-gás. Cada grupo profissional da comunidade escolar com o seu caderno reivindicativo, todos por uma melhor escola pública.
A força da união ficou, ontem, patente naquela que foi a “maior manifestação do século” do setor da educação realizada na Figueira da Foz, segundo sindicalistas e manifestantes. Eram centenas de pessoas.
Era dia de greve nas escolas. Mais uma. Mas esta foi diferente, porque a comunidade escolar da Figueira da Foz uniu-se num único protesto. A marcha pela cidade terminou com uma concentração na praça da Europa, em frente aos paços do concelho, onde representantes dos manifestantes foram recebidos pelos vereadores Olga Brás e Manuel Domingues.
O professor e sindicalista João Rodrigues frisou, em declarações ao DIÁRIO AS BEIRAS, que “pela primeira vez, conseguiu-se reunir todas as escolas da Figueira da Foz, com algumas fechadas [por causa da greve], pela união, pela luta da edução e pela dignidade da escola pública”.
Entre a precariedade e o ordenado mínimo
“O que nos move não são questões políticas, queremos um ensino de maior qualidade. O que nos traz aqui, e a força que foi crescendo, é o mau estar e a falta de esperança que os profissionais da educação vivem nas escolas”, acrescentou o sindicalista.
Os exemplos de descontentamento e de indignação são transversais aos diversos profissionais. Manuela Rodrigues é assistente operacional numa escola da Figueira da Foz, a cujo quadro pertence há 27 anos. “Em 2018, subi um escalão e tenho sido avaliada todos os anos, mas não serve para nada, porque continuo com o ordenado mínimo”, afirmou.
Ana Correia, psicóloga, por sua vez, trabalha há cinco anos consecutivos numa escola do concelho. Porém, o estatuto de contratada mantém a sua situação laboral no limbo da precariedade. “Somos de necessidades permanentes. Para uma verdadeira edução inclusiva, temos de estar permanentes e não de forma precária”, defendeu.


