Fernando Ramos: “Os níveis de empregabilidade da FFUC são muito bons e em todos os cursos”
Que marca identifica a FFUC?
A marca é mesmo Universidade de Coimbra. Faculdade de Farmácia é uma “sub-marca” que tem uma cotação elevada na área das Ciências da Saúde, consideradas de uma forma holística no conceito “One Health” que, em português, se pode traduzir por “Saúde Global”. Especificando, na FFUC tratamos as questões relacionadas com a saúde de forma global incluindo, pelo menos, as vertentes da saúde humana, saúde animal e saúde ambiental.
Considera suficiente e adequada a oferta formativa da faculdade?
Numa área em que se considera que o conhecimento se renova, no mínimo, 20 por cento em cada cinco anos, facilmente se constata que estamos sempre, não só a adequar a oferta formativa, como a acrescentar a mesma. Aliás, o próximo ano letivo verá aumentar a oferta formativa na FFUC, ao nível do dos cursos conferentes e não conferentes de grau. Assim, é-me grato anunciar que a A3ES, para além de renovar a acreditação de todos os nossos cursos (falta apenas receber a informação sobre o Mestrado em Tecnologias do Medicamento), acabou de nos acreditar dois novos Mestrados (Avaliação de Tecnologias da Saúde e Acesso de Medicamentos ao Mercado e em Medicamentos e Suplementos Alimentares à Base de Plantas) e três novas especialidades de Doutoramento (Nutrição e Química dos Alimentos, Química Analítica e Bioanalítica e Assuntos Regulamentares). Mas também na área dos Cursos não conferentes de grau, a oferta vai ser significativamente aumentada. Permito-me destacar o Curso de Especialização em Radiofarmácia (já aprovado) que é um Curso de Pós-graduação com 60 ECTS que, ainda estando só a ser preparada a sua divulgação, já está a suscitar grande interesse. É realizado em estreita colaboração com o ICNAS e faz parte da candidatura da UC ao PRR, no âmbito da “Living Future Academy”.
Como avalia os níveis de empregabilidade dos diplomados na FFUC?
São muito bons e em todos os cursos. Aliás, pode considerar-se mesmo excecional no caso do Mestrado Integrado em Ciências Farmacêuticas. Quando perguntamos aos estudantes na prova final de discussão pública do Relatório de Estágio e da Monografia o que vão fazer a seguir, mais de 50 por cento dos que acabam de concluir o curso referem que já tem emprego. A insistência com que as empresas de recrutamento de recursos humanos nos contactam para contratação dos nossos graduados revela esse nível de empregabilidade. E não se pense que a empregabilidade se restringe ao país. Nos Estados Unidos e nos mais variados países da Europa temos profissionais formados em Coimbra, e nas mais diferentes atividades, desde a Farmácia Comunitária à Hospitalar, da Investigação à Indústria Farmacêutica ou mesmo nas Autoridades Reguladoras (da OMS – Organização Mundial de Saúde à EMA – Agência Europeia do Medicamento ou mesmo na EFSA – Autoridade Europeia de Segurança Alimentar). Mas talvez o melhor “indicador” seja, num contexto de “inverno demográfico”, termos tido quatro candidatos para cada vaga a concurso na última candidatura nacional de acesso e, sobretudo, o maior aumento de colocados em 1.ª opção (146 num total 268) com as vagas a serem todas logo preenchidas na 1ª fase. Significa que os/as candidatos/as e, também as suas famílias, sabem que um curso na FFUC é sinal de empregabilidade.
O “efeito tenaz”, gerado pela atratividade das duas áreas metropolitanas, afeta a captação de alunos?
No que se refere ao Concurso Nacional de Acesso, creio que os dados que falei são bem elucidativos. Aliás, apesar do “inverno demográfico”, a FFUC, no conjunto das escolas tradicionais de Ciências Farmacêuticas, foi a faculdade com menor redução de candidatos, conseguindo ter estudantes de todos os distritos do continente e também da Madeira e Açores. É verdade que a maioria é oriunda da região Centro, com Coimbra à cabeça. Vamos continuar a fazer o nosso trabalho de mostrar os nossos cursos nas “feiras” destinadas a esse tipo de divulgação. Aqui importa realçar não só o esforço que estamos a fazer nos órgãos de comunicação social, mas também nas redes sociais e, sobretudo, no empenhamento dos nossos estudantes nessa divulgação. Acreditamos que eles são os melhores embaixadores da formação que é realizada na FFUC e é por isso que, nas “ditas feiras” são sempre estudantes da FFUC que estão na “frente” dos nossos stands. Por outro lado, estimulamos que voltem às suas escolas de origem e digam o que pensam da FFUC sobretudo aos seu ex-colegas e ex-professores.
Qual a área que tem revelado maior alavancagem da investigação?
Numa Faculdade de Farmácia mal seria que não fosse o medicamento. Mas não nos ficamos por aí, porquanto o nosso potencial na área analítica e bioanalítica ficou bem demonstrado durante a fase mais grave da pandemia. A Universidade de Coimbra foi pioneira na testagem a toda a sua comunidade. Ora, isso foi feito maioritariamente por voluntários da UC de diversas faculdades, mas o enquadramento, inclusivamente a coordenação técnica e científica, teve a responsabilidade da FFUC. Nenhum dos meus colegas e estudantes que participaram nessa fase difícil ficará melindrado comigo se disser que é devido um agradecimento a todos e que eu o faça na pessoa da senhora professora doutora Ana Miguel Matos.
Mas, como já disse atrás, na FFUC, para ensinar de forma holística no âmbito do conceito “One Health”, temos que investigar também sob esse “chapéu”. Aproveito para informar que, na área da investigação, se a nossa média de produção de 2022 baixou para 3,64 “papers”/Docente dos 3,93 alcançados em 2021, é importante realçar que a Universidade de Coimbra congratulou-se por ter 55 cientistas na lista “World’s Top 2% Scientists 2022” divulgada pelo grupo editorial Elsevier. Mas enquanto diretor é uma honra poder dizer que desses 55, nove são professores na FFUC e nós na FFUC só somos 59 professores membros do chamado “staff permanente”…
Quais os cursos de Mestrado que têm revelado maior/menos aceitação?
Claro que o Mestrado Integrado em Ciências Farmacêuticas em que formámos 162 mestres em 2022 é o nosso curso “core”. Mas julgo que a sua pergunta se queria referir apenas aos Mestrados de 2.º Ciclo. Ora, no contexto que vivemos não será estranho que diga que o Mestrado em Análises Clínicas tenha atingido uma procura cuja seriação, em virtude do número vagas possível (30), só admitiu menos de um terço dos estudantes de licenciatura que se candidataram. Mas todos os nossos Mestrados (para manter a qualidade não admitimos mais de 30 estudantes por Mestrado), tiveram um número relevante de candidaturas, com o Mestrado em Biotecnologia Farmacêutica a esgotar também as 30 vagas, deixando de fora igual número de candidatos, seguindo-se o Mestrado em Farmacologia Aplicada com 22 inscritos e os Mestrados em Segurança Alimentar e em Química Farmacêutica Industrial com 16 estudantes cada. De realçar que na FFUC os Mestrados de 2.º Ciclo funcionam com um máximo de 30 estudantes e um mínimo de 15. Portanto, no próximo ano, vamos acrescentar mais dois Mestrados à nossa oferta de cursos conferentes de grau. Tendo a nossa oferta de cursos correspondido à procura, importa destacar que mais de 50% dos estudantes dos nossos cursos de Mestrado (apenas de 2.º Ciclo) são provenientes de licenciaturas oriundas de fora do universo UC e vão desde a Universidade do Minho à do Algarve, bem como dos Institutos Politécnicos de Bragança a Portalegre.
Que adesão têm os cursos não conferentes de grau?
Essa é uma boa pergunta, porquanto me permite esclarecer que todos os estudantes que concluem o 1º ano dos nossos Mestrados e que, porventura, não queiram desenvolver a sua Dissertação de Mestrado, durante o 2º ano, ou que iniciando os trabalhos conducentes à mesma não a concluam, é-lhes conferido um diploma de pós-graduação na temática do Mestrado. Mas também aqui, creio que a pergunta não visava esses cursos de pós-graduação, cuja resposta já foi dada à pergunta anterior mas sim os cursos de Especialização em Plantas Aromáticas e Óleos Essenciais, este em regime de e-learning, e o GEDIS – Curso de Pós-Graduação em Gestão e Direção da Saúde, em parceria com as nossas congéneres Faculdades de Medicina e de Economia e que, no ano letivo passado, foi de nossa responsabilidade. As edições consecutivas dos mesmos, ano após ano, diz bem do seu sucesso. Mas como foi dito já inicialmente este ano irá ser o ano de maior aprovação de cursos não conferentes de grau da FFUC, com o de maior duração já aprovado (Curso de Especialização em Radiofarmácia) e com mais oito já em processo final de aprovação, embora com um menor período de ensino/aprendizagem, estando previstos que possam variar entre os 3 e os 30 ECTS. Ainda a propósito destes novos cursos não conferentes de grau, e atendendo aos estudos que a FFUC vem desenvolvendo na ilha da Morraceira, nomeadamente em algas, com salicórnia e com sacocórnia e em aquacultura (quer na área da presença de contaminantes, quer de resíduos de medicamentos, particularmente de antibióticos) iremos propor ao Magnífico Reitor que alguns deles, particularmente dois que temos em preparação adiantada, possam realizar-se no Pólo da UC na Figueira da Foz, recentemente inaugurado.
Que capacidade tem revelado o Curso de Doutoramento para atrair de fora da UC?
Ainda bem que faz essa pergunta. Em 2022 voltamos aos nossos números habituais de conclusão de Doutoramentos com 15 concluídos após apresentação e discussão pública (recorde-se que, em 2021, tinham sido apenas cinco os Doutoramentos concluídos). Os atuais estudantes de Doutoramento da FFUC (99) são maioritariamente provenientes de cursos de Mestrado da UC. No entanto, para além da atração de estudantes oriundos dos Politécnicos de Coimbra e de Viseu, das Universidades da Beira Interior e de Aveiro e da Escola Universitária Vasco da Gama que são da região, a FFUC tem captado estudantes de doutoramento internacionais, nomeadamente do Brasil, França, Marrocos, Cuba, Índia ou Irão.
Que contributo tem a FFUC dado para a transferência de conhecimento?
Há várias formas de avaliar a transferência de conhecimento. Uma mais intangível para a FFUC que é aquela que 24 sobre 24 horas e 365 dias por ano (ou 366 nos anos bissextos) os milhares diplomados pela FFUC, através das empresas que fundaram/construíram ou do trabalho que nelas desenvolvem, transferem para a sociedade em geral e para os doentes em particular e que, na grande maioria dos casos, nós próprios, no nosso dia-a-dia, não consideramos. Outra forma mais tangível que se baseia em métricas como o número de patentes registadas, por exemplo, e para a qual os investigadores da FFUC têm dado a sua contribuição com pelo menos 12 pedidos de patentes nos últimos 10 anos, duas das quais internacionais deve também ser considerada. A criação de startups é outro desses indicadores em que também se pode medir esse contributo, mas em 2022 gostaria de destacar o empreendedorismo dos estudantes com a criação de uma júnior empresa demonstrando, se necessário fosse, a capacidade que a FFUC tem na transferência do conhecimento para a sociedade. Não quero deixar de realçar, ainda, a contribuição diária que a FFUC dá, via UCnext, na realização dos mais diversos estudos, particularmente para a indústria farmacêutica, através da prestação de serviço pela UCQFarma.
A internacionalização da FFUC envolve mais estudantes, docentes ou investigadores?
São duas perguntas para um só tema, sendo certo que, em número absoluto, tendo a FFUC 1.683 estudantes e só 59 professores do staff permanente a resposta é óbvia: há mais estudantes envolvidos. Importa, sobretudo em 2022, destacar que recuperámos os valores do programa ERASMUS para os nossos Estudantes que foram para o estrangeiro, bem como também para os estrangeiros que estão a estudar connosco neste ano letivo, quando comparados com os números de antes da Pandemia Covid-19. Estão connosco 81 estudantes internacionais. Também os nossos docentes retomaram os seus intercâmbios internacionais quer na área do ensino, quer na área da investigação. Aliás, no que respeita à investigação, é justo acrescentar que cerca de 70 dos artigos publicados pelos Professores da FFUC em 2022 foram em coautoria com colegas estrangeiros e dos mais variados países, entre os quais se podem citar EUA, Canadá, Brasil, Reino Unido, Espanha, França, Marrocos, India, Finlândia, Tunísia, Itália, Países Baixos, China, entre muitos outros.


