{"id":230071,"date":"2022-01-19T12:07:31","date_gmt":"2022-01-19T12:07:31","guid":{"rendered":"https:\/\/www.asbeiras.pt\/?p=230071"},"modified":"2022-01-19T12:07:31","modified_gmt":"2022-01-19T12:07:31","slug":"opiniao-legislativas-2022-portugal-precisa-do-centro-nao-de-centralismo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/opiniao-legislativas-2022-portugal-precisa-do-centro-nao-de-centralismo\/","title":{"rendered":"Opini\u00e3o: &#8220;Legislativas 2022: Portugal precisa do Centro, n\u00e3o de centralismo&#8221;"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/www.asbeiras.pt\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/Joao-Bigotte.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter wp-image-205680 size-large\" src=\"https:\/\/www.asbeiras.pt\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/Joao-Bigotte-1024x536.jpg\" alt=\"\" width=\"650\" height=\"340\" \/><\/a><\/p>\n<p>Todos sentimos que, nas \u00faltimas d\u00e9cadas, Portugal se tem vindo a tornar um pa\u00eds cada vez mais centralizado. Em paralelo, neste mesmo per\u00edodo, Portugal sofre de uma generalizada estagna\u00e7\u00e3o. Incapaz de crescer e de se desenvolver, o pa\u00eds assiste a uma emigra\u00e7\u00e3o significativa, em especial dos mais jovens, e, para os que c\u00e1 ficam, nota-se a cont\u00ednua deteriora\u00e7\u00e3o dos servi\u00e7os p\u00fablicos (apesar da crescente carga fiscal!). Os resultados est\u00e3o \u00e0 vista e s\u00e3o indesment\u00edveis. Portugal tem vindo a ser sucessivamente ultrapassado pelos pa\u00edses de leste, \u00e0 medida que estes v\u00e3o aderindo \u00e0 Uni\u00e3o Europeia e aproveitando as oportunidades que esta lhes proporciona.<br \/>\nN\u00e3o restam hoje d\u00favidas que a estrat\u00e9gia de centralizar o crescimento em duas \u00e1reas metropolitanas \u2013 de Lisboa e do Porto \u2013 desconsiderando todo o restante pa\u00eds, n\u00e3o produz os efeitos certos. Portugal n\u00e3o s\u00f3 n\u00e3o cresce em termos gerais, como acentua as desigualdades ao longo do seu territ\u00f3rio, dos v\u00e1rios pontos de vista: econ\u00f3mico, social e demogr\u00e1fico.<br \/>\nNa campanha eleitoral em curso, tem-se discutido muito as pol\u00edticas setoriais \u2013 para a sa\u00fade, a justi\u00e7a, etc. \u2013 e tem-se discutido muito pouco as pol\u00edticas territoriais e como \u00e9 que o territ\u00f3rio pode ajudar a harmonizar as iniciativas de crescimento de forma a construir um Portugal globalmente mais forte, mais sustent\u00e1vel e mais coeso.<br \/>\n\u00c9 imprescind\u00edvel repensar a estrat\u00e9gia de desenvolvimento do pa\u00eds; e o desenvolvimento \u00e9 indissoci\u00e1vel do territ\u00f3rio onde acontece. O Centro, o Norte interior, o Alentejo, o Algarve, e as regi\u00f5es aut\u00f3nomas podem ser a chave para abrir um novo ciclo de crescimento. Todos somos Portugal e Portugal precisa de todos n\u00f3s.<br \/>\nNeste contexto, \u00e9 primordial afirmar a contribui\u00e7\u00e3o que a Regi\u00e3o Centro pode dar para o crescimento de Portugal e como esse crescimento, acontecendo aqui, no Centro, ir\u00e1 contribuir para um pa\u00eds mais igual e coeso.<br \/>\n<strong>O Centro \u00e9 a \u00fanica regi\u00e3o de Portugal cujo interior j\u00e1 foi fortemente industrializado. No Norte e no Alentejo, a estrutura econ\u00f3mica sempre se baseou na agricultura e na produ\u00e7\u00e3o animal. Pelo que resta destas ra\u00edzes industriais, pelos mais de dois milh\u00f5es e duzentos mil residentes (massa cr\u00edtica da ordem de grandeza da das \u00e1reas metropolitanas), e pelo seu sistema urbano polic\u00eantrico \u00fanico (que assegura uma melhor distribui\u00e7\u00e3o geogr\u00e1fica da popula\u00e7\u00e3o e das oportunidades do que em qualquer outra regi\u00e3o), o Centro \u00e9, neste preciso momento, das Legislativas 2022, a regi\u00e3o portuguesa com maior potencial para a cria\u00e7\u00e3o de valor e para contribuir para o crescimento generalizado do pa\u00eds.<\/strong><br \/>\nDe facto, apesar do exacerbado centralismo das \u00faltimas d\u00e9cadas, a Regi\u00e3o Centro continua a dar provas de dinamismo e de vitalidade verdadeiramente not\u00e1veis e distintas. Com tr\u00eas breves exemplos, de v\u00e1rios \u00e2mbitos e a v\u00e1rias escalas, se demonstra isto mesmo. Primeiro, de entre os sete \u201cunic\u00f3rnios\u201d tecnol\u00f3gicos com ra\u00edzes portuguesas, a Feedzai \u00e9 a \u00fanica destas novas empresas que est\u00e1 sedeada em territ\u00f3rio nacional. N\u00e3o \u00e9 nem em Lisboa, nem no Porto. \u00c9 aqui, em Coimbra. Segundo, o melhor exemplo nacional de desenvolvimento territorial, na liga\u00e7\u00e3o entre o litoral e o interior do pa\u00eds, \u00e9 a regi\u00e3o de Viseu e D\u00e3o Laf\u00f5es, bem aqui, no Centro. Terceiro, os mais extraordin\u00e1rios exemplos de renova\u00e7\u00e3o empresarial a partir dos recursos end\u00f3genos no interior \u201cprofundo\u201d s\u00e3o o ecossistema de inova\u00e7\u00e3o do Fund\u00e3o (em termos gerais) e a Burel Factory (em termos particulares), bem aqui na Covilh\u00e3 e em Manteigas. Muitos outros exemplos se poderiam dar, como a exist\u00eancia de compet\u00eancias \u00fanicas em setores como os moldes, as tecnologias de informa\u00e7\u00e3o, comunica\u00e7\u00e3o e eletr\u00f3nica, a sa\u00fade, etc.<br \/>\nO que falta ent\u00e3o \u00e0 Regi\u00e3o Centro?<br \/>\nNuma palavra, uni\u00e3o. Uni\u00e3o, para esquecer os bairrismos, de vista curtas, que se centram em \u201ca minha migalha \u00e9 melhor do que a tua\u201d, e apenas resultam na afirma\u00e7\u00e3o do centralismo. Uni\u00e3o, para alcan\u00e7ar a for\u00e7a necess\u00e1ria \u00e0 obten\u00e7\u00e3o dos recursos essenciais \u00e0 promo\u00e7\u00e3o do crescimento. No fundo, falta assumir-se como uma verdadeira regi\u00e3o, forte e coesa, que alavanca o crescimento atrav\u00e9s do respeito e do aproveitamento da sua diversidade.<br \/>\nH\u00e1 d\u00e9cadas que Aveiro sonha com um Porto de Aveiro capaz de competir com os restantes portos principais da fachada atl\u00e2ntica. Este des\u00edgnio de Aveiro tem de ser um des\u00edgnio da Regi\u00e3o.<br \/>\nH\u00e1 d\u00e9cadas que a Guarda anseia por uma plataforma log\u00edstica e porto seco de relevo. A prop\u00f3sito do centralismo, note-se que o projeto do porto seco da Guarda est\u00e1 associado ao Porto de Leix\u00f5es, n\u00e3o ao de Aveiro! Este des\u00edgnio da Guarda tem de ser um des\u00edgnio da Regi\u00e3o.<br \/>\nH\u00e1 d\u00e9cadas que Coimbra idealiza uma esta\u00e7\u00e3o intermodal moderna (e capaz de receber a alta-velocidade), que alavanque o desenvolvimento e integra\u00e7\u00e3o urban\u00edstica da zona norte da cidade, e tem um plano para isso. Mais recentemente, combate sozinha contra o desmantelamento da capacidade instalada na \u00e1rea da sa\u00fade. Estes des\u00edgnios de Coimbra t\u00eam de ser des\u00edgnios da Regi\u00e3o.<br \/>\nH\u00e1 d\u00e9cadas que Viseu n\u00e3o tem acesso a nenhum servi\u00e7o ferrovi\u00e1rio e que Leiria, apesar de servida pela Linha do Oeste (uma das mais degradadas do pa\u00eds, e n\u00e3o eletrificada), n\u00e3o est\u00e1 integrada na rede ferrovi\u00e1ria principal do pa\u00eds, cuja espinha dorsal \u00e9 a Linha do Norte. Estes des\u00edgnios de Leiria e Viseu t\u00eam de ser des\u00edgnios da Regi\u00e3o.<br \/>\nH\u00e1 d\u00e9cadas que a Covilh\u00e3 reclama uma liga\u00e7\u00e3o condigna a Coimbra e ao Centro litoral. Esta liga\u00e7\u00e3o tem sido inclu\u00edda nos v\u00e1rios planos nacionais \u2013 de fomento, rodovi\u00e1rios, etc. \u2013 dos \u00faltimos cinquenta anos, mas n\u00e3o \u00e9 ainda uma realidade. \u00c9 fundamental concluir as obras do IC6. Este des\u00edgnio da Covilh\u00e3 tem de ser um des\u00edgnio da Regi\u00e3o.<br \/>\nH\u00e1 d\u00e9cadas que Castelo Branco ouve promessas eleitorais sobre a constru\u00e7\u00e3o do IC31, fundamental para uma melhor liga\u00e7\u00e3o ao mercado espanhol. Este des\u00edgnio de Castelo Branco tem de ser um des\u00edgnio da Regi\u00e3o.<br \/>\nImagine-se como seria a Regi\u00e3o Centro hoje em dia se tivesse recebido estes investimentos p\u00fablicos na altura devida. Que desenvolvimento teria alcan\u00e7ado? Que volume de popula\u00e7\u00e3o n\u00e3o teria perdido e poderia at\u00e9 ter atra\u00eddo? Que contribui\u00e7\u00e3o significativa n\u00e3o teria dado para o crescimento de Portugal?<br \/>\nQuando Aveiro cresce, o Centro cresce. Quando Viseu cresce, o Centro cresce. Quando Coimbra cresce, o Centro cresce. Da mesma forma, quando Leiria, Guarda, Covilh\u00e3 e Castelo Branco crescem, o Centro cresce. E quando o Centro cresce, Portugal tamb\u00e9m cresce, mais coeso e mais resiliente. Portugal precisa do Centro, n\u00e3o de centralismo.<\/p>\n<p><em>Pode ler a opini\u00e3o de Jo\u00e3o Bigotte na edi\u00e7\u00e3o impressa e digital do DI\u00c1RIO AS BEIRAS<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Opini\u00e3o do docente de Inova\u00e7\u00e3o, Urbanismo e Transportes da FCTUC. 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