{"id":230259,"date":"2022-01-22T10:59:55","date_gmt":"2022-01-22T10:59:55","guid":{"rendered":"https:\/\/www.asbeiras.pt\/?p=230259"},"modified":"2022-01-22T10:59:55","modified_gmt":"2022-01-22T10:59:55","slug":"opinao-o-encontro","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/opinao-o-encontro\/","title":{"rendered":"Opin\u00e3o &#8211; O Encontro"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/www.asbeiras.pt\/2020\/12\/opiniao-podiamos-ter-feito-muito-diferente\/diogo-cabrita-opi\/\" rel=\"attachment wp-att-207228\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter wp-image-207228 size-large\" src=\"https:\/\/www.asbeiras.pt\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/DIOGO-CABRITA-opi-1024x536.jpg\" alt=\"\" width=\"650\" height=\"340\" \/><\/a><\/p>\n<p>Passe\u00e1vamos juntos na <strong>margem<\/strong> do <strong>rio<\/strong>. Costumes velhos de quem enfrenta os <strong>setenta<\/strong> sem medo e afortunadamente<strong> sem doen\u00e7a<\/strong>. <strong>Caminh\u00e1vamos<\/strong> em grupo todas as quintas feiras. Depois da caminhada havia conv\u00edvio. Almo\u00e7o de amigos a lembrar hist\u00f3rias. Para mim a mem\u00f3ria chumbava. Preferia a futuro que assomava das opini\u00f5es criativas, que se constru\u00eda de argumentos fundamentados. Todos traziam ainda do percurso de vida os saberes e as experi\u00eancias. De um tema vinha logo uma hist\u00f3ria, a recorda\u00e7\u00e3o de um caso, a sofistica\u00e7\u00e3o de um exemplo. Conversas de velhos diriam os meus filhos. Mas n\u00e3o, aquele conv\u00edvio tinha a sabedoria encantadora da jornada interrompida pela idade e acontecia, por essa benesse da era moderna que \u00e9 a reforma. Ter setenta e passear com amigos e fam\u00edlia na borda do rio, criticando, confabulando, imaginando futuros, envolvendo sedu\u00e7\u00f5es. Nos velhos o per\u00edneo n\u00e3o morreu como julgam os jovens. Nos idosos as fantasias permanecem, a criatividade persiste. O almo\u00e7o \u00e9 sempre de um grupo de nove a dez. Evitamos os treze por supersti\u00e7\u00e3o de dois ou tr\u00eas. No almo\u00e7o a discuss\u00e3o pode ser pol\u00edtica, desportiva, musical, alimentar. Temos tempo para percorrer as curiosidades, ver na televis\u00e3o, observar demoradamente as redes sociais. Alguns persistem na imprensa escrita e nos livros. Somos uns caminhantes com algum conforto. Todos foram poupados e exerceram profiss\u00f5es com remunera\u00e7\u00e3o interessante. Estas caminhadas s\u00e3o uma obriga\u00e7\u00e3o para sair de casa e vermos estes companheiros de jornada. N\u00e3o gostamos todos uns dos outros, mas \u00e9 uma exig\u00eancia fundamental de sa\u00fade que nunca paremos. \u00c9 essencial a disc\u00f3rdia, a toler\u00e2ncia sem o pudor formalista. O encontro das quintas-feiras mant\u00e9m a chama da vida. Por vezes uns desistem e aportam outros. J\u00e1 aconteceu morrer algu\u00e9m ou adoecer um ou outro. Falamos pouco disso enquanto caminhamos, mas \u00e0 mesa a trag\u00e9dia tem sempre seu quinh\u00e3o e l\u00e1 vem a novidade.<br \/>\nVamos caminhar nos pr\u00f3ximos anos, sabedores de que todos partiremos. \u00c9 uma maratona em que algu\u00e9m chegar\u00e1 ao final sozinho, mas isso \u00e9 vida tamb\u00e9m. Os mais velhos do grupo carregam essa bonomia sobre a morte. \u201cLevo o papo cheio\u201d asseguram os mais atrevidos, os de muitas viagens, os aventureiros. \u201cJ\u00e1 tenho a minha conta\u201d dizem os mais modestos. A verdade \u00e9 que acabaram seus percursos profissionais. Ficaram suas apostas, muitas certezas vol\u00e1teis e agora a certeza de que tudo \u00e9 tempor\u00e1rio, mut\u00e1vel, que nada do que fizeram segue eterno. A vida continua sempre depois de n\u00f3s. Esta sabedoria enobrece aqueles encontros. A import\u00e2ncia e o empenho da labuta perdem agora sustenta\u00e7\u00e3o. As certezas diluem-se, a pr\u00e9-exist\u00eancia \u00e9 s\u00f3 uma fachada do edif\u00edcio e at\u00e9 essa pode rasgar janelas e fechar paredes.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Diogo Cabrita<br \/>\nM\u00e9dico<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":207228,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"footnotes":""},"categories":[31,5],"tags":[548,100],"class_list":["post-230259","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-geral","category-opiniao","tag-diogo-cabrita","tag-opiniao"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/230259","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=230259"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/230259\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=230259"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=230259"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=230259"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}