{"id":230682,"date":"2022-01-29T10:36:11","date_gmt":"2022-01-29T10:36:11","guid":{"rendered":"https:\/\/www.asbeiras.pt\/?p=230682"},"modified":"2022-01-29T10:36:11","modified_gmt":"2022-01-29T10:36:11","slug":"opiniao-o-ilimitado","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/opiniao-o-ilimitado\/","title":{"rendered":"Opini\u00e3o &#8211; O ilimitado"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/www.asbeiras.pt\/2020\/12\/opiniao-podiamos-ter-feito-muito-diferente\/diogo-cabrita-opi\/\" rel=\"attachment wp-att-207228\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter wp-image-207228 size-large\" src=\"https:\/\/www.asbeiras.pt\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/DIOGO-CABRITA-opi-1024x536.jpg\" alt=\"\" width=\"650\" height=\"340\" \/><\/a><\/p>\n<p>O <strong>ru\u00eddo<\/strong> por conceito seria aquilo que representa inefici\u00eancia das <strong>m\u00e1quinas<\/strong>, o excesso de som na <strong>rotina<\/strong> do dia, o ulular manifestando <strong>alegria<\/strong>. O ru\u00eddo em mec\u00e2nica \u00e9 um pouco como o <strong>calor de um motor<\/strong>, \u00e9 perda de efic\u00e1cia no engenho. Ru\u00eddo \u00e9 zumbido, \u00e9 ouvir o cora\u00e7\u00e3o, seria sentir as pestanas a bater, os cabelos a crescer, o pulm\u00e3o a encher e vazar. Ru\u00eddo \u00e9 o que as C\u00e2maras nos oferecem em altifalantes nas ruas e nas praias. O ru\u00eddo \u00e9 t\u00e3o desagrad\u00e1vel como o tabaco dos outros, o mau cheiro por b\u00f3nus, o perfume exagerado. Como em tudo na vida, o ru\u00eddo \u00e9 dependente do ouvinte. No limite, os surdos importam-se menos com a ostenta\u00e7\u00e3o sonora dos munic\u00edpios, mas um m\u00fasico sofisticado mudar\u00e1 de praia quando ligam altifalantes.<br \/>\nE porque precisamos de ter sonoridades med\u00edocres a debitar decib\u00e9is? Eu sou um cultor do som refinado, de uma aparelhagem Hi-fi, com cabos caros, colunas premiadas por audi\u00f3filos, leitores sem m\u00e1cula, amplificadores sem equaliza\u00e7\u00e3o. Mas este meu ouvido agu\u00e7ado pela pureza da m\u00fasica erudita e bom jazz, entra em convuls\u00f5es com a bo\u00e7alidade de alguns sons, tem convuls\u00f5es que se transformam em terramotos quando vou a um caf\u00e9 com TV e r\u00e1dio e clientes em simult\u00e2neo aos berros. O pior \u00e9 a rua da baixa com banda sonora, como se fosse uma pel\u00edcula da s\u00e9rie z.<br \/>\nTenho rebu\u00e7o com as igrejas onde os padres decidem aumentar o ru\u00eddo em vez de as inundar de luz e Sol. Sentar e meditar quentinho \u00e9 bem melhor que gelado e distra\u00eddo pelas baladas indescrit\u00edveis dos r\u00e1dios. Quem nunca se sentou numa catedral cheia de vitrais, onde bate o majestoso Sol, e ali sozinho, ou com a melhor companhia, reflete sobre a vida? \u00c9 como passear na praia sozinho ou com um c\u00e3o sereno. O som das matas \u00e9 enorme se nos sentarmos sossegados num banco de jardim. N\u00e3o carece de acr\u00e9scimos, n\u00e3o precisa de envolvente sonora. Os p\u00e1ssaros, a dan\u00e7a das folhas, o vento empurrando, arrastando, zumbindo s\u00e3o a d\u00e1diva da tranquilidade. H\u00e1 uma magia naquele peso do sil\u00eancio das bibliotecas, dos caf\u00e9s onde pela manh\u00e3 se lia o jornal. Enrugar a vida com inefici\u00eancias como excesso de calor, excesso de m\u00fasicas, excesso de informa\u00e7\u00e3o, excesso de cor, excesso de gente, perturba o prazer, impede o romantismo, destr\u00f3i o par, impede a reflex\u00e3o.<br \/>\nO que mais temos nos tempos de hoje \u00e9 zumbido a desprop\u00f3sito, discursos que amedrontam, indignante desconfian\u00e7a, ululante manifesta\u00e7\u00e3o do eu, vaidade contundente. Manuel Maria Carrilho aborda este tema pelo prisma da s\u00edndrome do ilimitado no seu livro mais recente. Vale a pena ler. O fil\u00f3sofo est\u00e1 de volta.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Diogo Cabrita, m\u00e9dico<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":207228,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"footnotes":""},"categories":[31,5],"tags":[548,100],"class_list":["post-230682","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-geral","category-opiniao","tag-diogo-cabrita","tag-opiniao"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/230682","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=230682"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/230682\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=230682"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=230682"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=230682"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}