{"id":230685,"date":"2022-01-29T10:46:18","date_gmt":"2022-01-29T10:46:18","guid":{"rendered":"https:\/\/www.asbeiras.pt\/?p=230685"},"modified":"2022-01-29T10:46:18","modified_gmt":"2022-01-29T10:46:18","slug":"pela-rota-da-seda-no-reino-encantado-das-montanhas-arco-iris","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/pela-rota-da-seda-no-reino-encantado-das-montanhas-arco-iris\/","title":{"rendered":"Pela Rota da Seda: No reino encantado das montanhas arco-\u00edris"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/www.asbeiras.pt\/2022\/01\/pela-rota-da-seda-no-reino-encantado-das-montanhas-arco-iris\/thumbnail_52-pela-rota-da-seda\/\" rel=\"attachment wp-att-230686\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter wp-image-230686 size-large\" src=\"https:\/\/www.asbeiras.pt\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/thumbnail_52-Pela-rota-da-seda-1024x682.jpg\" alt=\"\" width=\"650\" height=\"433\" \/><\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A esta\u00e7\u00e3o de comboio de <strong>Shanshan<\/strong> parece um <strong>deserto de bet\u00e3o<\/strong> onde n\u00e3o se v\u00ea vivalma para al\u00e9m de um grupo de portugueses e uns gatos pingados chineses. No <strong>escuro da noite,<\/strong> uma luz aproxima-se, muito <strong>sorrateiramente<\/strong>, pelos carris, encandeando os passageiros que come\u00e7am a pegar nas malas no <strong>cais de embarque.<\/strong><br \/>\nEntramos agora numa gal\u00e1xia muito distante do que t\u00ednhamos vivido na outra viagem de comboio noturno, agora que viaj\u00e1vamos em segunda classe. Enquanto procur\u00e1vamos organizar-nos e encontrar o nosso lugar de repouso, trope\u00e7\u00e1vamos em pernas esticadas ou em sacos perdidos pelo ch\u00e3o, semiabertos com comida que amea\u00e7ava espalhar-se pelo estreito corredor. N\u00e3o h\u00e1 portas nos compartimentos, que agora levam seis pessoas em vez das quatro de que j\u00e1 t\u00ednhamos saudades. O ru\u00eddo impera, e \u00e9 t\u00e3o cont\u00ednuo como a chiadeira que as rodas fazem ao ro\u00e7ar numa bitola que teima em n\u00e3o se adaptar \u00e0s suas compaignons de route. Mas o povo portugu\u00eas tem este extraordin\u00e1rio dom de meter conversa mesmo sem saber falar outras l\u00ednguas, em pouco tempo j\u00e1 se ouvem risos de parte a parte, fruto das rec\u00e9m-boas rela\u00e7\u00f5es sino-lusas. \u00c9 com boa disposi\u00e7\u00e3o que as luzes se apagam, as vozes se calam e tudo adormece ao longo dos mais de 1100 quil\u00f3metros que nos levar\u00e3o at\u00e9 Zhangye.<br \/>\nNo momento em que se pisa terra firma na esta\u00e7\u00e3o ficamos com uma estranha sensa\u00e7\u00e3o de estarmos num pa\u00eds diferente, n\u00e3o s\u00f3 pelas express\u00f5es das pessoas, mas porque todo o aparato de pol\u00edcias, arames farpados, vistorias e clima de tens\u00e3o tinham desaparecido. Como se tiv\u00e9ssemos acordado de um sonho, ou pesadelo, e esfreg\u00e1ssemos os olhos. Na realidade, t\u00ednhamos sa\u00eddo da t\u00e3o famosa, pelas piores raz\u00f5es, prov\u00edncia de Xinjiang.<br \/>\nAp\u00f3s uma simb\u00f3lica passagem pela est\u00e1tua de Marco Polo, que mencionou esta cidade da rota da seda no seu livro de mem\u00f3rias \u201cO Milh\u00e3o\u201d, a gula de viajante obrigou-nos a apanhar um t\u00e1xi para Danxia, o geoparque que \u00e9 uma das maravilhas naturais do nosso planeta. Declarado Patrim\u00f3nio Mundial pela UNESCO em 2009, estas forma\u00e7\u00f5es rochosas vivamente coloridas que se estendem ao longo de 322 quil\u00f3metros quadrados apresentam-se como um puro devaneio em forma de pinceladas que um qualquer deus ter\u00e1 andado a espalhar ao longo destes montes a perder de vista. Imagina\u00e7\u00e3o \u00e0 parte, esta festival crom\u00e1tico com que somos presenteados \u00e9 produto da acumula\u00e7\u00e3o de arenito e de outros minerais que aqui ganharam forma h\u00e1 mais de 24 milh\u00f5es de anos. Reinam os tons quentes, com destaque para os laranjas, que se diluem nos amarelos ou beges, quando n\u00e3o se cruzam com os castanhos. As formas, essas, foram caprichosamente moldadas pela a\u00e7\u00e3o do vento e da chuva.<br \/>\nOs turistas, na sua esmagadora maioria chineses, deliram com estas montanhas arco-\u00edris que lhes sugam muitos gigabytes de espa\u00e7o dos seus cart\u00f5es de mem\u00f3ria das c\u00e2maras fotogr\u00e1ficas. Acotovelam-se em filas para passeios a cavalo, camelo, bal\u00e3o ou helic\u00f3ptero, tudo dependendo da carteira de cada um. Uma pinta branca move-se ao longe, pontilhando as riscas do pantone que se prensou numa encosta. \u00c9 uma noiva que se agita sem rumo definido numa sess\u00e3o de fotografia para gravar para a posteridade o dia em que deu o n\u00f3 com o noivo que estava bem perto dali.<br \/>\nAutocarros apinhados de gente de olhos arregalados seguem por uma estrada rosada para melhor se enquadrar naquela paisagem. \u00c9 por a\u00ed que seguimos, com aquele sorriso nos l\u00e1bios de quem terminou um p\u00e9riplo por um reino encantado.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Jos\u00e9 Lu\u00eds Santos, Professor de Hist\u00f3ria e fot\u00f3grafo<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":230686,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"footnotes":""},"categories":[31,5],"tags":[450,6963],"class_list":["post-230685","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-geral","category-opiniao","tag-jose-luis-santos","tag-pela-rota-da-seda"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/230685","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=230685"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/230685\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=230685"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=230685"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=230685"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}