{"id":231428,"date":"2022-02-05T12:09:58","date_gmt":"2022-02-05T12:09:58","guid":{"rendered":"https:\/\/www.asbeiras.pt\/?p=231428"},"modified":"2022-02-05T12:09:58","modified_gmt":"2022-02-05T12:09:58","slug":"opiniao-parure-e-trabalho","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/opiniao-parure-e-trabalho\/","title":{"rendered":"Opini\u00e3o: &#8220;Parure e trabalho&#8221;"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/www.asbeiras.pt\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/DIOGO-CABRITA-opi.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter wp-image-207228 size-large\" src=\"https:\/\/www.asbeiras.pt\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/DIOGO-CABRITA-opi-1024x536.jpg\" alt=\"\" width=\"650\" height=\"340\" \/><\/a><\/p>\n<p>Parure \u00e9 um set de joias que combina e faria sorrir qualquer mulher com gosto pela fantasia ou a beleza dos objectos. H\u00e1 hoje muitas mulheres que recusariam a parure por quest\u00f5es ideol\u00f3gicas. <strong>A palavra vulgarizou-se para denominar futilidades, objectos que s\u00f3 existem porque a colec\u00e7\u00e3o de necessidades est\u00e1 completa. O tipo que carece de comida n\u00e3o \u00e9 previs\u00edvel que compre uma bela caneta ou entre numa loja de fatos. O rapaz que precisa de cal\u00e7as e sapatos n\u00e3o seria imagin\u00e1vel a degustar no Gambrinus ou no JNcQuois. Mas a futilidade \u00e9 a subst\u00e2ncia da vaidade, a pe\u00e7a que completa a selectividade, que distingue a aristocracia.<\/strong> N\u00f3s podemos viver sem milhares de frivolidades, podemos reduzir o guarda roupas, podemos estilizar a colec\u00e7\u00e3o de sapatos, reduzir o n\u00famero de coisas que ficam para l\u00e1 da nossa morte. Reduzir a pegada tamb\u00e9m \u00e9 ideologia. Podemos, mas n\u00e3o o fazemos de modo rotineiro. Em todos h\u00e1 esse nicho de vaidade que opta pelas boas marcas, pelos produtos expostos e propagandeados nas revistas caras, pelas coisas que os actores nos escarrapacham nos \u00e9crans. A arte est\u00e1 no conjunto de pilares que n\u00e3o alimenta, n\u00e3o paga a escola, n\u00e3o paga a sa\u00fade e portanto esmorece nos dias de car\u00eancia. Se n\u00e3o h\u00e1 para a renda, ou para o banco, ou para os impostos \u00e9 estranho ver-te comprar parure, entrar na galeria, negociar um quadro. A crise econ\u00f3mica associa-se a uma brutal insensibilidade dos que podem em rela\u00e7\u00e3o aos que nada t\u00eam. Aumenta a susceptibilidade dos que buscam o b\u00e1sico sobre os que pavoneiam o in\u00fatil. A discuss\u00e3o do pre\u00e7o dos ovos entre uma \u201cdondoca\u201d e uma rural \u00e9 estranha e remete para esse momento enganoso de quem ganhou no despique ou no regateio. Que ganhou o milion\u00e1rio em baixar o pre\u00e7o daquela garoupa, por vezes arrancada com perigo e dor ao mar? O pre\u00e7o m\u00e9dio da empregada dom\u00e9stica est\u00e1 neste limbo de rela\u00e7\u00e3o. Umas receberiam mais que outras consoante o patronato. Uns remuneram melhor porque podem e desse modo valorizam o funcion\u00e1rio. Mas numa f\u00e1brica e num contrato colectivo isto n\u00e3o pode acontecer. A sofistica\u00e7\u00e3o do valor do trabalho podia ser pois uma parure. Um empregado que nos \u201cenche a esplanada\u201d \u00e9 um valor acrescentado e devia ser premiado na remunera\u00e7\u00e3o. Premiar com a remunera\u00e7\u00e3o \u00e9 uma futilidade? Porque ser\u00e1 errado dar sal\u00e1rios diferentes, consoante a dedica\u00e7\u00e3o, o empenho e a disponibilidade? Dar joias \u00e0 empregada seria ass\u00e9dio, mas melhorar o seu ordenado parece-me justo e uma aristocracia. Defendo esta ideia de parure dos sal\u00e1rios. Quem merece deve ser premiado.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Opini\u00e3o de Diogo Cabrita. &#8220;Parure \u00e9 um set de joias que combina e faria sorrir qualquer mulher com gosto pela fantasia ou a beleza dos objectos. 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