{"id":231854,"date":"2022-02-13T10:54:50","date_gmt":"2022-02-13T10:54:50","guid":{"rendered":"https:\/\/www.asbeiras.pt\/?p=231854"},"modified":"2022-02-13T10:54:50","modified_gmt":"2022-02-13T10:54:50","slug":"seca-motiva-escassez-de-lampreia-no-mondego-e-futuro-nao-e-promissor","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/seca-motiva-escassez-de-lampreia-no-mondego-e-futuro-nao-e-promissor\/","title":{"rendered":"Seca motiva escassez de lampreia no Mondego e futuro \u201cn\u00e3o \u00e9 promissor\u201d"},"content":{"rendered":"<div id=\"txt\" data-uw-styling-context=\"true\">\n<p data-uw-styling-context=\"true\"><a href=\"https:\/\/www.asbeiras.pt\/2021\/01\/ciclo-de-reproducao-da-lampreia-no-mondego-permite-pesca-durante-mais-dois-meses\/13-lampreia\/\" rel=\"attachment wp-att-209536\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter wp-image-209536 size-large\" src=\"https:\/\/www.asbeiras.pt\/wp-content\/uploads\/2021\/01\/13-lampreia-1024x535.jpg\" alt=\"\" width=\"650\" height=\"340\" \/><\/a><\/p>\n<p data-uw-styling-context=\"true\">A seca registada nesta altura est\u00e1 na origem da escassez de lampreia no Rio Mondego, cujo pre\u00e7o nos restaurantes tem subido a pique. Um investigador considera a situa\u00e7\u00e3o \u201cmuito dram\u00e1tica\u201d e diz que o futuro &#8220;n\u00e3o \u00e9 promissor&#8221;.<\/p>\n<p class=\"text-paragraph\" data-uw-styling-context=\"true\">Nat\u00e1lia Rodrigues, \u00e0 frente do restaurante Boa Viagem, na Raiva, Penacova (Coimbra), h\u00e1 30 anos, n\u00e3o se lembra de um ano t\u00e3o mau, quando se fala de quantidade de lampreia e do pre\u00e7o a que \u00e9 vendida.<\/p>\n<p class=\"text-paragraph\" data-uw-styling-context=\"true\">Se, por esta altura, noutros anos, comprava aquele peixe que \u00e9 marca da gastronomia de Penacova a 35 euros, hoje \u00e9 vendido acima de 50 euros, levando os pre\u00e7os no restaurante a subir para a casa dos 90 euros por lampreia.<\/p>\n<p class=\"text-paragraph\" data-uw-styling-context=\"true\">\u201cN\u00e3o h\u00e1 lampreia. H\u00e1 muito pouca e n\u00e3o chega para as encomendas\u201d, lamenta a propriet\u00e1ria do restaurante, real\u00e7ando que, mesmo assim, os clientes n\u00e3o faltam, apesar de alguns optarem por esperar que o pre\u00e7o possa baixar.<\/p>\n<p class=\"text-paragraph\" data-uw-styling-context=\"true\">Normalmente, explica, o pre\u00e7o da lampreia come\u00e7a alto em janeiro, quando a \u00e9poca abre, e vai baixando at\u00e9 abril.<\/p>\n<p class=\"text-paragraph\" data-uw-styling-context=\"true\">\u201cEste ano, come\u00e7ou alto e ainda aumentou mais. N\u00e3o me lembro de nada assim\u201d, comenta.<\/p>\n<p class=\"text-paragraph\" data-uw-styling-context=\"true\">O coordenador do projeto ANADROMOS, que monitoriza a passagem de peixes pelo a\u00e7ude-ponte do Mondego, Pedro Raposo, nota que \u201cest\u00e1 a passar muito pouca lampreia\u201d e considera que se est\u00e1 perante \u201cuma situa\u00e7\u00e3o muito dram\u00e1tica\u201d, n\u00e3o apenas naquele rio, mas tamb\u00e9m noutros, como o Lima, no norte do pa\u00eds.<\/p>\n<p class=\"text-paragraph\" data-uw-styling-context=\"true\">\u201cO efeito que temos aqui \u00e9 a falta de \u00e1gua\u201d, explica o tamb\u00e9m investigador da Universidade de \u00c9vora\/MARE (Centro de Ci\u00eancias do Mar e do Ambiente), salientando que a seca leva \u00e0 redu\u00e7\u00e3o dos caudais do rio e a uma consequente aus\u00eancia de lampreia.<\/p>\n<p class=\"text-paragraph\" data-uw-styling-context=\"true\">\u201cN\u00e3o havendo \u00e1gua, esta esp\u00e9cie, que tem milh\u00f5es de anos de evolu\u00e7\u00e3o, j\u00e1 aprendeu que rios sem \u00e1gua n\u00e3o s\u00e3o um bom local para se reproduzirem\u201d, frisa.<\/p>\n<p class=\"text-paragraph\" data-uw-styling-context=\"true\">O investigador constata que este ano, cujos dados sobre a passagem da lampreia s\u00f3 estar\u00e3o dispon\u00edveis no segundo semestre, n\u00e3o \u00e9 um caso isolado e aponta para anos anteriores recentes, em que tamb\u00e9m houve uma redu\u00e7\u00e3o dr\u00e1stica da popula\u00e7\u00e3o contabilizada que passou pelo a\u00e7ude-ponte, em Coimbra.<\/p>\n<p class=\"text-paragraph\" data-uw-styling-context=\"true\">Em 2017, registaram-se apenas 295 esp\u00e9cimes, 717 em 2019 e 1.328 esp\u00e9cimes em 2020, os tr\u00eas valores mais baixos desde 2013, ano em que o projeto arrancou, e muito distantes dos valores m\u00e1ximos (mais de 20 mil em 2014 e cerca de 11 mil em 2018).<\/p>\n<p class=\"text-paragraph\" data-uw-styling-context=\"true\">\u201cO futuro n\u00e3o \u00e9 promissor. Estando esta esp\u00e9cie em Portugal no limite da sua distribui\u00e7\u00e3o, o aumento da frequ\u00eancia de anos secos vai necessariamente contrair aquilo que s\u00e3o os seus efetivos populacionais\u201d, salienta, frisando que o que est\u00e1 em causa n\u00e3o \u00e9 a extin\u00e7\u00e3o da esp\u00e9cie, mas a sustentabilidade da atividade econ\u00f3mica a ela associada \u2013 a pesca.<\/p>\n<p class=\"text-paragraph\" data-uw-styling-context=\"true\">O baixo n\u00famero de esp\u00e9cimes que tem passado o a\u00e7ude-ponte torna-se ainda mais relevante se se tiver em conta as especificidades da lampreia.<\/p>\n<p class=\"text-paragraph\" data-uw-styling-context=\"true\">\u201cAs lampreias s\u00f3 se reproduzem uma vez na vida. Assim que saem do mar e entram na \u00e1gua doce para se reproduzirem j\u00e1 n\u00e3o voltam para tr\u00e1s. Se voltarem para a \u00e1gua salgada, morrem. Ent\u00e3o, o comportamento do animal \u00e9 evitar situa\u00e7\u00f5es que n\u00e3o s\u00e3o favor\u00e1veis \u00e0 sua reprodu\u00e7\u00e3o. Se sente que o rio n\u00e3o tem condi\u00e7\u00f5es para se reproduzir (com pouca \u00e1gua, h\u00e1 uma maior probabilidade de encontrar obst\u00e1culos e a preda\u00e7\u00e3o \u00e9 maior), n\u00e3o entra. O problema \u00e9 que se falham o ano que t\u00eam que voltar ao rio para se reproduzir, no m\u00e1ximo, ficam mais um ano no mar e podem morrer sem se reproduzir, o que \u00e9 dram\u00e1tico\u201d, explica.<\/p>\n<p class=\"text-paragraph\" data-uw-styling-context=\"true\">A somar a essa situa\u00e7\u00e3o j\u00e1 periclitante est\u00e1 algo que os investigadores ainda n\u00e3o conseguem explicar, nomeadamente anos que n\u00e3o s\u00e3o secos, mas com contagem de esp\u00e9cimes abaixo do esperado &#8211; uma quebra que poder\u00e1 estar relacionada com \u201cum aumento da mortalidade da esp\u00e9cie no mar\u201d.<\/p>\n<p class=\"text-paragraph\" data-uw-styling-context=\"true\">\u201cSe houver um ano mau de vez em quando, n\u00e3o h\u00e1 problema, mas se est\u00e3o relativamente pr\u00f3ximos, os pescadores podem prever o que pode acontecer daqui a seis anos [as lampreias passam quatro a cinco anos em estado larvar no rio]\u201d, aponta.<\/p>\n<p class=\"text-paragraph\" data-uw-styling-context=\"true\">O investigador real\u00e7a que toda a monitoriza\u00e7\u00e3o associada ao projeto tem sido acompanhada de um trabalho pr\u00f3ximo junto dos pescadores do Baixo Mondego e refere que hoje h\u00e1 uma maior consciencializa\u00e7\u00e3o por parte destes em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 sustentabilidade da sua atividade, mas que \u00e9 fundamental uma \u201cgest\u00e3o mais racional do recurso\u201d e um pre\u00e7o necessariamente mais alto junto do consumidor.<\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Investigador considera a situa\u00e7\u00e3o \u201cmuito dram\u00e1tica\u201d e diz que o futuro &#8220;n\u00e3o \u00e9 promissor&#8221;<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":209536,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"footnotes":""},"categories":[39,62,31,215],"tags":[6749,3290,3373],"class_list":["post-231854","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-coimbra-2","category-figueira-da-foz","category-geral","category-montemor-o-velho","tag-lampreia","tag-mondego","tag-seca"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/231854","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=231854"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/231854\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=231854"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=231854"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=231854"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}