{"id":232134,"date":"2022-02-16T10:50:16","date_gmt":"2022-02-16T10:50:16","guid":{"rendered":"https:\/\/www.asbeiras.pt\/?p=232134"},"modified":"2022-02-16T10:50:16","modified_gmt":"2022-02-16T10:50:16","slug":"opiniao-crise-climatica-e-seca-em-portugal-o-que-fazer","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/opiniao-crise-climatica-e-seca-em-portugal-o-que-fazer\/","title":{"rendered":"Opini\u00e3o: Crise clim\u00e1tica e seca em Portugal \u2013 o que fazer?"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/www.asbeiras.pt\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/Joao-Bigotte.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-205680\" src=\"https:\/\/www.asbeiras.pt\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/Joao-Bigotte.jpg\" alt=\"\" width=\"1200\" height=\"628\" \/><\/a><\/p>\n<p>Quem se lembra de um m\u00eas de Janeiro assim, sem chuva?<\/p>\n<p>E o Dezembro anterior foi o quarto mais quente dos \u00faltimos 90 anos, tendo sido batido o recorde de temperatura m\u00e1xima da esta\u00e7\u00e3o, com 26,4 \u00b0C na Zambujeira, segundo dados divulgados pelo Instituto Portugu\u00eas do Mar e da Atmosfera (IPMA).<\/p>\n<p>Repito: mais de 26 graus celsius em Dezembro e um Janeiro sem chuva.<\/p>\n<p>Segundo o IPMA, no final do m\u00eas de Janeiro, todo o territ\u00f3rio de Portugal continental estava em situa\u00e7\u00e3o de seca meteorol\u00f3gica, com quase metade ( 45,7%) em seca severa ou extrema!<\/p>\n<p>Hoje em dia, ningu\u00e9m pode negar a crise clim\u00e1tica.<\/p>\n<p>Por que raz\u00e3o \u00e9 que isto est\u00e1 a acontecer?<\/p>\n<p>A nossa atmosfera cont\u00e9m gases que ret\u00eam a radia\u00e7\u00e3o solar e causam aquecimento \u2013 \u00e9 o fen\u00f3meno chamado efeito de estufa.<\/p>\n<p>A concentra\u00e7\u00e3o destes gases na atmosfera tem aumentado drasticamente devido \u00e0s atividades humanas, desde a revolu\u00e7\u00e3o industrial e especialmente nos \u00faltimos setenta anos.<\/p>\n<p>Quando queimamos combust\u00edveis f\u00f3sseis, para gerar eletricidade ou nos transportes, estamos a emitir gases de efeito de estufa (GEE).<\/p>\n<p>Ao provocarmos a emiss\u00e3o de mais GEE, a atmosfera terrestre ret\u00e9m mais radia\u00e7\u00e3o e, consequentemente, o planeta aquece mais.<\/p>\n<p>Este aquecimento provoca altera\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas e a ocorr\u00eancia de fen\u00f3menos clim\u00e1ticos extremos.<\/p>\n<p>Atualmente, j\u00e1 ningu\u00e9m pode negar nem a crise clim\u00e1tica, nem que a a\u00e7\u00e3o humana \u00e9 que a est\u00e1 a provocar.<\/p>\n<p>As consequ\u00eancias s\u00e3o agora bem vis\u00edveis \u2013 quem n\u00e3o se lembra do furac\u00e3o Leslie e dos tr\u00e1gicos inc\u00eandios de 2017?<\/p>\n<p>A seca que estamos agora a experienciar \u00e9 mais uma das consequ\u00eancias da crise clim\u00e1tica.<\/p>\n<p>Os cientistas andam a alertar-nos para isto h\u00e1 d\u00e9cadas.<\/p>\n<p>Mas n\u00e3o \u00e9 preciso ser um cientista galardoado com um pr\u00e9mio Nobel, para perceber que a polui\u00e7\u00e3o, o lixo, e as emiss\u00f5es de gases com efeito de estufa, colocam grandes riscos para a nossa sa\u00fade e para a nossa qualidade de vida.<\/p>\n<p>Este \u00e9 um problema \u00e0 escala planet\u00e1ria.<\/p>\n<p>Mas note-se que as altera\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas n\u00e3o s\u00e3o um problema para o planeta; s\u00e3o sim um problema para a Humanidade.<\/p>\n<p>O planeta Terra, quer se torne extremamente quente ou entre numa era glaciar, continuar\u00e1 a existir.<\/p>\n<p>N\u00f3s, humanos, \u00e9 que deixaremos de ter as condi\u00e7\u00f5es que permitem a nossa sobreviv\u00eancia neste habitat, que \u00e9 o \u00fanico que temos.<\/p>\n<p>Pela sua dimens\u00e3o global, a crise clim\u00e1tica pode parecer um problema quase irresol\u00favel.<\/p>\n<p>Neste momento, poder\u00e1 estar a interrogar-se: como \u00e9 que a minha simples a\u00e7\u00e3o pode estar a provocar esta situa\u00e7\u00e3o e o que poderei fazer para ajudar a resolver um problema de tamanha dimens\u00e3o?<\/p>\n<p>A resposta \u00e9 sim, as nossas a\u00e7\u00f5es t\u00eam impacto e as altera\u00e7\u00f5es que fizermos podem ajudar a resolver o problema.<\/p>\n<p>Como cidad\u00e3os e consumidores, tomamos diariamente dezenas de decis\u00f5es sobre os produtos que compramos e a forma como nos deslocamos.<\/p>\n<p>A grande quest\u00e3o que se coloca ao tentarmos adotar comportamentos mais sustent\u00e1veis \u00e9 perceber quais das nossas a\u00e7\u00f5es e decis\u00f5es podem ter, de facto, uma influ\u00eancia positiva e significativa.<\/p>\n<p>O que pode cada um de n\u00f3s fazer para responder \u00e0 crise clim\u00e1tica?<\/p>\n<p>Antes de mais, \u00e9 preciso termos bem presente que o fundamental \u00e9 baixar as emiss\u00f5es de gases de efeito de estufa, pois este \u00e9 o principal fator de press\u00e3o sobre o clima e que nos levou ao problema que agora experienciamos.<\/p>\n<p><strong>De seguida, podemos (e devemos!) tomar a\u00e7\u00f5es como:<\/strong><\/p>\n<p>1. Falar sobre o assunto! Geralmente, falar do tempo e do clima \u00e9 considerado uma conversa banal, de circunst\u00e2ncia. Pois agora dever\u00e1 passar a ser um tema principal de conversa e de debates, bem fundamentados, com base em informa\u00e7\u00e3o correta e evid\u00eancias cient\u00edficas.<\/p>\n<p>2. Tornar a nossa habita\u00e7\u00e3o mais eficiente do ponto de vista energ\u00e9tico.<\/p>\n<p>Isto pode ser feito atrav\u00e9s da modera\u00e7\u00e3o do consumo e de simples a\u00e7\u00f5es como substituir l\u00e2mpadas incandescentes por l\u00e2mpadas LED ou adquirir equipamentos como televis\u00f5es e m\u00e1quinas de lavar de classe energ\u00e9tica mais eficiente (se puder pagar um pouco mais no ato da compra, no longo prazo acabar\u00e1 por poupar dinheiro!).<\/p>\n<p>As a\u00e7\u00f5es com maior impacto ser\u00e3o aquelas relacionadas com a melhoria do isolamento t\u00e9rmico e dos v\u00e3os envidra\u00e7ados.<\/p>\n<p>Naturalmente, s\u00e3o a\u00e7\u00f5es mais dispendiosas, mas contribuem tamb\u00e9m para um melhor conforto dentro das habita\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Para al\u00e9m disso, j\u00e1 existem apoios ao financiamento destas a\u00e7\u00f5es e \u00e9 expect\u00e1vel que venham a existir cada vez mais.<\/p>\n<p>3. Privilegiar uma mobilidade mais sustent\u00e1vel.<\/p>\n<p>O setor dos transportes representa cerca de um quinto do total de emiss\u00f5es de gases com efeito de estufa em toda a Europa e \u00e9 a principal causa da polui\u00e7\u00e3o atmosf\u00e9rica nas cidades; e destas emiss\u00f5es, 70% deve-se ao transporte rodovi\u00e1rio.<\/p>\n<p>A transi\u00e7\u00e3o energ\u00e9tica nos transportes \u00e9 talvez o fator mais cr\u00edtico para a redu\u00e7\u00e3o de emiss\u00f5es de GEE pois \u00e9 dos mais poluentes e mais dif\u00edceis de mudar, dado que depende quase exclusivamente de uma s\u00f3 fonte &#8211; o petr\u00f3leo.<\/p>\n<p>No caso de estar a ponderar a aquisi\u00e7\u00e3o\/troca de autom\u00f3vel, por que n\u00e3o optar por um h\u00edbrido ou um el\u00e9trico?<\/p>\n<p>No caso de n\u00e3o ter esta decis\u00e3o no horizonte, por que n\u00e3o come\u00e7ar a pensar num plano alternativo para a sua mobilidade?<\/p>\n<p>Ser\u00e1 poss\u00edvel passar a efetuar algumas desloca\u00e7\u00f5es curtas, a p\u00e9 ou de bicicleta (agora que se v\u00e3o construindo cada vez mais ciclovias)?<\/p>\n<p>E conhece os percursos dos transportes p\u00fablicos que passam perto da sua casa e local de trabalho?<\/p>\n<p>Ser\u00e1 ent\u00e3o poss\u00edvel abdicar do autom\u00f3vel nas suas desloca\u00e7\u00f5es em pelo menos um dos cinco dias da semana de trabalho?<\/p>\n<p>Se o conseguir, ir\u00e1 reduzir as suas emiss\u00f5es imediatamente em 20%, um valor bastante consider\u00e1vel. Sim, basta um dia por semana. Qual o dia que mais lhe conv\u00e9m?<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Opini\u00e3o de Jo\u00e3o Bigotte. &#8220;Atualmente, j\u00e1 ningu\u00e9m pode negar nem a crise clim\u00e1tica, nem que a a\u00e7\u00e3o humana \u00e9 que a est\u00e1 a provocar&#8221;<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":205680,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"footnotes":""},"categories":[31,5],"tags":[7207,7208,1091],"class_list":["post-232134","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-geral","category-opiniao","tag-aquecimentoglobal","tag-efeitoestufa","tag-joao-bigotte"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/232134","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=232134"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/232134\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=232134"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=232134"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=232134"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}