{"id":232707,"date":"2022-02-23T11:36:49","date_gmt":"2022-02-23T11:36:49","guid":{"rendered":"https:\/\/www.asbeiras.pt\/?p=232707"},"modified":"2022-02-23T11:36:49","modified_gmt":"2022-02-23T11:36:49","slug":"opiniao-e-depois-da-pandemia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/opiniao-e-depois-da-pandemia\/","title":{"rendered":"Opini\u00e3o: E depois da pandemia?"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/www.asbeiras.pt\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/MANUEL-ANTUNES.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-206338\" src=\"https:\/\/www.asbeiras.pt\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/MANUEL-ANTUNES.jpg\" alt=\"\" width=\"1200\" height=\"628\" \/><\/a><\/p>\n<p>Acab\u00e1mos de ver eliminadas praticamente todas as restri\u00e7\u00f5es que estiveram ligadas \u00e0 pandemia.<\/p>\n<p>Estamos agora, presumivelmente, todos mais livres! Mas vamos mesmo voltar ao (novo) normal? Tenho as minhas d\u00favidas.<\/p>\n<p>Primeiro, porque a pandemia ainda n\u00e3o est\u00e1 oficialmente terminada.<\/p>\n<p>N\u00e3o sabemos o que ainda est\u00e1 para vir. Vir\u00e1 ainda uma nova variante? Eu estou otimista, mas de \u2018p\u00e9 atr\u00e1s\u2019.<\/p>\n<p>Dizem-nos que a seguir \u00e0 pandemia vem a endemia.<\/p>\n<p>\u00c9 apenas uma quest\u00e3o de sem\u00e2ntica.<\/p>\n<p>Na pr\u00e1tica n\u00e3o significa nada.<\/p>\n<p>O que marcou a diferen\u00e7a foi a elevada percentagem de pessoas completamente vacinadas ( 3 doses).<\/p>\n<p>Que se verifica apenas nos adultos, muito menor nas crian\u00e7as.<\/p>\n<p>\u00c9 certo que estas s\u00e3o geralmente mais resistentes aos efeitos do \u201cbicho\u201d, mas esta \u00faltima vaga foi despoletada essencialmente pela infe\u00e7\u00e3o nos mais novos, no in\u00edcio deste per\u00edodo letivo.<\/p>\n<p>Por isso, n\u00e3o compreendo a relut\u00e2ncia de muitos pais.<\/p>\n<p>A minha recomenda\u00e7\u00e3o \u00e9, portanto, que vivamos a nossa nova vida com cuidados redobrados e n\u00e3o confiemos demasiado na nossa imunidade.<\/p>\n<p>Mas n\u00e3o era sobre estes aspetos que eu queria versar hoje.<\/p>\n<p>Antes, desejo chamar, como outros o t\u00eam feito, a aten\u00e7\u00e3o para as consequ\u00eancias do \u2018desastre\u2019 por que pass\u00e1mos nestes \u00faltimos 2 anos.<\/p>\n<p>Primeiro, sobre as pessoas que tiveram a infelicidade de ser infetadas, especialmente os hospitalizados e, acima de tudo, os que necessitaram de assist\u00eancia respirat\u00f3ria e\/ou circulat\u00f3ria, que continuar\u00e3o sob a amea\u00e7a de sequelas que n\u00e3o s\u00e3o, ainda, mensur\u00e1veis.<\/p>\n<p>A chamada Covid Longa j\u00e1 conta mais de 200 sequelas identificadas e, passa a ser designada como Condi\u00e7\u00e3o P\u00f3s-Covid, por determina\u00e7\u00e3o da Organiza\u00e7\u00e3o Mundial da Sa\u00fade (OMS).<\/p>\n<p>Isto \u00e9, a doen\u00e7a passa \u00e0 condi\u00e7\u00e3o de cr\u00f3nica e n\u00e3o sabemos, ainda, at\u00e9 que ponto estar\u00e1 comprometida a fun\u00e7\u00e3o de \u00f3rg\u00e3os vitais<\/p>\n<p>Depois, sobre os que n\u00e3o tendo tido a doen\u00e7a foram por ela afetados secundariamente.<\/p>\n<p>Um estudo promovido pela OMS mostra que o luto, o isolamento, a perda de rendimentos e o medo est\u00e3o a desencadear altera\u00e7\u00f5es de sa\u00fade mental ou a exacerbar as j\u00e1 existentes.<\/p>\n<p>Muitas pessoas podem estar a enfrentar n\u00edveis elevados de uso de \u00e1lcool e drogas, ins\u00f3nia e ansiedade.<\/p>\n<p>Este estudo evidenciou ainda que o pr\u00f3prio COVID-19 pode levar a complica\u00e7\u00f5es neurol\u00f3gicas e mentais, como del\u00edrio, agita\u00e7\u00e3o e acidente vascular cerebral.<\/p>\n<p>Pessoas com transtornos mentais, neurol\u00f3gicos ou de adi\u00e7\u00f5es pr\u00e9-existentes tamb\u00e9m s\u00e3o mais vulner\u00e1veis \u00e0 infe\u00e7\u00e3o por SARS-CoV-2 e podem ter um risco maior de resultados graves e at\u00e9 morte.<\/p>\n<p>Finalmente, est\u00e3o aqueles que n\u00e3o tendo sido diretamente ou indiretamente afetados por esta doen\u00e7a, sofreram e sofrem de outras doen\u00e7as n\u00e3o relacionadas e n\u00e3o foram (atempadamente) tratados.<\/p>\n<p>Est\u00e3o aqui especialmente representadas as v\u00e1rias formas de cancro e as doen\u00e7as cardiovasculares.<\/p>\n<p>Os milh\u00f5es de consultas e as centenas de milhar de cirurgias que n\u00e3o se realizaram ou foram drasticamente retardadas ter\u00e3o um impacto at\u00e9 agora ainda dif\u00edcil de quantificar.<\/p>\n<p>Em resumo, estamos, presumivelmente, a chegar ao fim de uma guerra que, como qualquer outra guerra, tem impactos duradouros que fazem com que a nossa vida, daqui para frente, n\u00e3o possa voltar a ser o que era dantes.<\/p>\n<p>De algumas coisas do passado vamos ter saudades, de outras talvez nem tanto. Tenho saudades dos beijos e abra\u00e7os! De conviver, de celebrar, de viajar para participar em congressos por esse mundo fora!<\/p>\n<p>\u00c9, no entanto, importante salientar que com a pandemia muita coisa de positivo surgiu.<\/p>\n<p>O avan\u00e7o tecnol\u00f3gico ocorrido nestes dois anos em muito ultrapassou o que se verificara na \u00faltima d\u00e9cada.<\/p>\n<p>A come\u00e7ar pela velocidade impressionante com que se desenvolveram as vacinas, nunca antes vista para situa\u00e7\u00f5es similares.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m na medicina, na entrega ao domic\u00edlio, na comunica\u00e7\u00e3o e no streaming\u2019.<\/p>\n<p>E nos progressos feitos na \u00e1rea do teletrabalho, em que se inclui a telemedicina, dois aspetos em rela\u00e7\u00e3o aos quais eu sou, ali\u00e1s, bastante c\u00e9tico! Mas isso \u00e9 outra cousa; a verdade \u00e9 que o avan\u00e7o tecnol\u00f3gico est\u00e1 historicamente ligado \u00e0s necessidades humanas.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m foi assim depois da \u00faltima grande guerra.<\/p>\n<p>Para terminar, apenas uma nota: Quando me preparava para escrever este texto, era minha inten\u00e7\u00e3o abordar o impacto da pandemia no Servi\u00e7o Nacional de Sa\u00fade.<\/p>\n<p>Durante todo este tempo, o SNS esteve debaixo de fogo. Pelas boas e pelas m\u00e1s raz\u00f5es. O espa\u00e7o que nos \u00e9 reservado para estes artigos de opini\u00e3o n\u00e3o me permite ir, hoje, mais al\u00e9m. Fica prometido para o pr\u00f3ximo m\u00eas\u2026<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Opini\u00e3o de Manuel Antunes. &#8220;Estamos agora, presumivelmente, todos mais livres! Mas vamos mesmo voltar ao (novo) normal? 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