{"id":233317,"date":"2022-03-04T11:22:56","date_gmt":"2022-03-04T11:22:56","guid":{"rendered":"https:\/\/www.asbeiras.pt\/?p=233317"},"modified":"2022-03-04T11:22:56","modified_gmt":"2022-03-04T11:22:56","slug":"opiniao-onde-esta-o-007-quando-precisamos-dele","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/opiniao-onde-esta-o-007-quando-precisamos-dele\/","title":{"rendered":"Opini\u00e3o: Onde est\u00e1 o 007 quando precisamos dele?"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/www.asbeiras.pt\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/BRUNO-PAIXAO.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-205891\" src=\"https:\/\/www.asbeiras.pt\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/BRUNO-PAIXAO.jpg\" alt=\"\" width=\"1200\" height=\"628\" \/><\/a><\/p>\n<p>Clare Hollingworth foi quem deu a primeira not\u00edcia sobre a Segunda Guerra Mundial.<\/p>\n<p>Era uma rep\u00f3rter novata no jornal brit\u00e2nico Daily Telegraph quando informou sobre a invas\u00e3o da Alemanha \u00e0 Pol\u00f4nia, em agosto de 1939.<\/p>\n<p>Clare morreu h\u00e1 dois meses, com 105 anos.<\/p>\n<p>Clare n\u00e3o assistiu ao ataque da R\u00fassia \u00e0 Ucr\u00e2nia.<\/p>\n<p>Naquela altura, a paz vivia nas intermit\u00eancias da guerra.<\/p>\n<p>Os soldados partiam, as m\u00e3es rezavam, as not\u00edcias tardavam.<\/p>\n<p>N\u00e3o havia computadores, nem Internet, nem redes sociais.<\/p>\n<p>N\u00e3o havia diretos televisivos.<\/p>\n<p>A televis\u00e3o era uma miragem \u2013 as emiss\u00f5es experimentais da RTP come\u00e7aram em 1956, 11 anos depois do fim do conflito.<\/p>\n<p>A imagem da guerra \u00e9-nos trazida pelos jornalistas no terreno.<\/p>\n<p>A guerra \u00e9, ao mesmo tempo, muitas guerras. Desarruma a paz, faz regressar os fantasmas.<\/p>\n<p>\u00c9 um bicho com muitas faces.<\/p>\n<p>Para compreend\u00ea-las, \u00e9 preciso ter chaves de leitura.<\/p>\n<p>\u00c9 a comunica\u00e7\u00e3o social livre quem melhor as produz, com a sua informa\u00e7\u00e3o, com as imagens, com o esclarecimento.<\/p>\n<p>Uma das faces desta guerra \u2013 apenas uma \u2013 \u00e9 a contrainforma\u00e7\u00e3o, revelando-se uma estrat\u00e9gia dos pa\u00edses envolvidos.<\/p>\n<p>Atualmente, nesta era digital, atrav\u00e9s de fake news, \u00e9 muito f\u00e1cil fazer proliferar uma hist\u00f3ria, criar um jornalista falso, um cen\u00e1rio fabricado, ou falsear v\u00eddeos.<\/p>\n<p>Atr\u00e1s do palco h\u00e1 uma f\u00e1brica de perce\u00e7\u00f5es que manipulam a forma como vemos os acontecimentos, com milh\u00f5es de imagens a correrem a Internet.<\/p>\n<p>Com a desinforma\u00e7\u00e3o a tornar-se cada vez mais uma ferramenta comum para a guerra, aumenta a necessidade de proteger o trabalho dos jornalistas, bem como o fluxo de informa\u00e7\u00f5es livres e independentes.<\/p>\n<p>A R\u00fassia, em particular, tem um historial de uso das redes sociais para espalhar desinforma\u00e7\u00e3o e propaganda, insistindo numa ret\u00f3rica que faz parecer que foi a pr\u00f3pria Ucr\u00e2nia que desencadeou a a\u00e7\u00e3o militar.<\/p>\n<p>A R\u00fassia chegou a proibir os media de usarem express\u00f5es como \u201cinvas\u00e3o\u201d, \u201cofensiva\u201d ou \u201cdeclara\u00e7\u00e3o de guerra\u201d.<\/p>\n<p>Intensificou a censura.<\/p>\n<p>Depois encerrou a r\u00e1dio Eco de Moscovo e o canal Dojd.<\/p>\n<p>Estes \u00f3rg\u00e3os de informa\u00e7\u00e3o independentes n\u00e3o estavam alinhados com o discurso oficial sobre a guerra na Ucr\u00e2nia.<\/p>\n<p>V\u00e1rias organiza\u00e7\u00f5es de jornalistas denunciaram que o governo de Moscovo tem um controlo total sobre a informa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>V\u00e1rios Estados europeus anunciaram que os canais televisivos financiados pela R\u00fassia veriam a transmiss\u00e3o banida nos seus pa\u00edses.<\/p>\n<p>Na quinta-feira em que a R\u00fassia invadiu a Ucr\u00e2nia, a CNN americana tinha 75 pessoas a cobrir o incidente, incluindo rep\u00f3rteres, staff e int\u00e9rpretes locais.<\/p>\n<p>N\u00e3o est\u00e1vamos l\u00e1, mas vimos.<\/p>\n<p>Vimos as imagens dos tanques progredindo.<\/p>\n<p>Ouvimos o barulho de bombas que zuniam no c\u00e9u.<\/p>\n<p>As colunas de fumo que floresciam como as ervas do mal.<\/p>\n<p>Por detr\u00e1s das c\u00e2maras, os jornalistas estavam l\u00e1 por n\u00f3s.<\/p>\n<p>Neste momento em que os tratados internacionais t\u00eam sido rasgados, teme-se que os jornalistas deixem de ser reconhecidos como civis sob o Direito Internacional Humanit\u00e1rio.<\/p>\n<p>Teme-se que os coletes com a inscri\u00e7\u00e3o \u201cPress\u201d deixem de ser salva-vidas e convertam os rep\u00f3rteres em alvos de guerra.<\/p>\n<p>A guerra, que parece ser um joguete numa sala do kremlin, est\u00e1 a provocar a barb\u00e1rie.<\/p>\n<p>Ligo a televis\u00e3o e penso onde andar\u00e1 James Bond, o m\u00edtico agente 007.<\/p>\n<p>Dava jeito que o agente secreto dos filmes fosse um dos jogadores sentados ao lado de Putin, e que tudo acabasse como em Hollywood, com happy end.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Opini\u00e3o de Bruno Paix\u00e3o. &#8220;V\u00e1rias organiza\u00e7\u00f5es de jornalistas denunciaram que o governo de Moscovo tem um controlo total sobre a 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