{"id":233849,"date":"2022-03-11T11:28:15","date_gmt":"2022-03-11T11:28:15","guid":{"rendered":"https:\/\/www.asbeiras.pt\/?p=233849"},"modified":"2022-03-11T11:28:15","modified_gmt":"2022-03-11T11:28:15","slug":"opiniao-a-mesa-com-portugal-a-guerra-dos-cereais","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/opiniao-a-mesa-com-portugal-a-guerra-dos-cereais\/","title":{"rendered":"Opini\u00e3o: \u00c0 mesa com Portugal &#8211; A guerra dos cereais"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/www.asbeiras.pt\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/Olga-Cavaleiro.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-206624\" src=\"https:\/\/www.asbeiras.pt\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/Olga-Cavaleiro.jpg\" alt=\"\" width=\"1200\" height=\"628\" \/><\/a><\/p>\n<p>Quando escrevi o \u00faltimo artigo, fui surpreendida na manh\u00e3 seguinte com o an\u00fancio da invas\u00e3o da Ucr\u00e2nia pela R\u00fassia.<\/p>\n<p>Lembro-me de ter sentido um calafrio no exato momento em que li as not\u00edcias e, de imediato, ter pensado que n\u00e3o iria ser uma guerra em tom suave.<\/p>\n<p>Naquele momento, veio-me \u00e0 cabe\u00e7a que para al\u00e9m dos tanques, das armas, das mortes, das fugas, da destrui\u00e7\u00e3o e de tudo o que uma guerra implica, iria fazer-se sentir uma crise alimentar.<\/p>\n<p>Pensei isto n\u00e3o porque gostasse de cen\u00e1rios catastr\u00f3ficos, mas porque sempre me arrepiou a depend\u00eancia que o mundo tem dos cereais.<\/p>\n<p>E, tendo em conta como a produ\u00e7\u00e3o cereal\u00edfera \u00e9 dominada por alguns pa\u00edses entre eles a R\u00fassia e a Ucr\u00e2nia, logo me pus a adivinhar o sufoco em que poderemos cair.<\/p>\n<p>A verdade \u00e9 que a base da alimenta\u00e7\u00e3o mundial s\u00e3o os cereais e este conflito armado, ao qual se soma o contexto de seca extrema, cria dificuldades \u00e0 fluidez que o mundo precisa para o abastecimento cereal\u00edfero.<\/p>\n<p>\u00c9 assim para o mundo inteiro pois, s\u00f3 a R\u00fassia e a Ucr\u00e2nia asseguram um ter\u00e7o da exporta\u00e7\u00e3o mundial de cereais.<\/p>\n<p>N\u00e3o h\u00e1 como fugir a esta realidade que, para Portugal, assume contornos bem graves dada a inexist\u00eancia de uma produ\u00e7\u00e3o de cereais que possa colmatar as necessidades alimentares.<\/p>\n<p>Entre 2016 e 2020, a produ\u00e7\u00e3o conseguida ficou-se pelos 23,9% do necess\u00e1rio para cobrir as exig\u00eancias de consumo.<\/p>\n<p>E, no que respeita ao trigo, Portugal, em 2019, importou mais de um milh\u00e3o de toneladas e produziu apenas 59000 toneladas.<\/p>\n<p>\u00c9 bem de ver o desequil\u00edbrio entre o que se conseguiu produzir e o que se teve que comprar.<\/p>\n<p>Tal ser\u00e1 uma limita\u00e7\u00e3o nos dias que correm porque, apesar do trigo que consumimos ter origem na Fran\u00e7a, Alemanha e Pol\u00f3nia, resta saber se vamos conseguir continuar a comprar tendo em conta as ondas de choque que o conflito armado e a seca est\u00e3o a produzir nas exist\u00eancias cereal\u00edferas.<\/p>\n<p>Teremos capacidade para aguentar a escalada de pre\u00e7o que se adivinha? Ou vamos ficar em lista de espera perante os pa\u00edses que t\u00eam maior disponibilidade financeira? Se pensarmos que o trigo \u00e9 a base do p\u00e3o, das massas, das bolachas e de tantas outras coisas, \u00e9 muito assustador.<\/p>\n<p>N\u00e3o sei. N\u00e3o sei mesmo como vai ser o futuro.<\/p>\n<p>Mas, sei que me preocupa o facto de que muito do milho que consumimos habitualmente ser procedente da Ucr\u00e2nia.<\/p>\n<p>E, tendo em conta que precisamos deste cereal para alimenta\u00e7\u00e3o animal, tamb\u00e9m por aqui se percebe que, muito rapidamente, vamos ter uma subida da carne e dos latic\u00ednios.<\/p>\n<p>E nada disto vai ficar por aqui, pois a produ\u00e7\u00e3o de sementes geneticamente modificadas alerta-nos para um hediondo monop\u00f3lio no setor agr\u00edcola com consequ\u00eancias que poucos alcan\u00e7am.<\/p>\n<p>No entanto, atrevo-me a dizer que por mais dura que seja a realidade talvez seja o momento de percebermos o quanto desperdi\u00e7\u00e1mos estes anos.<\/p>\n<p>Consumidos e inebriados pela superabund\u00e2ncia nem nos atrevemos a pensar o que and\u00e1vamos a comer.<\/p>\n<p>Nem quisemos pensar na forma intensiva e altamente manipulada com que faz\u00edamos a produ\u00e7\u00e3o agr\u00edcola.<\/p>\n<p>Continuamos a comprar em espa\u00e7os de prateleiras sempre cheias, a desperdi\u00e7ar o que n\u00e3o se vendia e o que n\u00e3o se comia, a comer como se n\u00e3o houvesse amanh\u00e3.<\/p>\n<p>Continuamos sem querer saber a proveni\u00eancia do que comemos, a achar que a falta de alimentos era um exclusivo dos pa\u00edses mais pobres.<\/p>\n<p>Continuamos sem pensar que somos um pa\u00eds de servi\u00e7os e que, alegremente, descuidamos a nossa voca\u00e7\u00e3o agr\u00edcola.<\/p>\n<p>Estamos num beco. Se tem sa\u00edda ou n\u00e3o, n\u00e3o sei.<\/p>\n<p>Eu espero que sim, ainda que a sa\u00edda seja estreita, que seja uma sa\u00edda.<\/p>\n<p>Devemos come\u00e7ar, j\u00e1 hoje, a procurar essa sa\u00edda.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Opini\u00e3o de Olga Cavaleiro. &#8220;Mas, sei que me preocupa o facto de que muito do milho que consumimos habitualmente ser procedente da Ucr\u00e2nia.&#8221;<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"footnotes":""},"categories":[31,5],"tags":[894,5329,406],"class_list":["post-233849","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-geral","category-opiniao","tag-olga-cavaleiro","tag-russia","tag-ucrania"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/233849","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=233849"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/233849\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=233849"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=233849"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=233849"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}