{"id":235655,"date":"2022-04-06T11:14:38","date_gmt":"2022-04-06T10:14:38","guid":{"rendered":"https:\/\/www.asbeiras.pt\/?p=235655"},"modified":"2022-04-06T11:14:38","modified_gmt":"2022-04-06T10:14:38","slug":"opiniao-novo-ciclo-politico-iii-reforma-do-modelo-dos-servicos-de-urgencia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/opiniao-novo-ciclo-politico-iii-reforma-do-modelo-dos-servicos-de-urgencia\/","title":{"rendered":"Opini\u00e3o: &#8220;Novo ciclo Pol\u00edtico (III)  &#8211; Reforma do modelo  dos servi\u00e7os de urg\u00eancia&#8221;"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/www.asbeiras.pt\/wp-content\/uploads\/2021\/01\/Joao-Rodrigues-opi.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-209417\" src=\"https:\/\/www.asbeiras.pt\/wp-content\/uploads\/2021\/01\/Joao-Rodrigues-opi.jpg\" alt=\"\" width=\"1200\" height=\"628\" \/><\/a><\/p>\n<p>A sempre anunciada, mas sistematicamente adiada reforma do modelo dos servi\u00e7os de urg\u00eancia (SU) e a resposta a dar para o milh\u00e3o de pessoas sem m\u00e9dico (e equipa) de fam\u00edlia atribu\u00eddo, mesmo que faseada, s\u00e3o dois dos principais desafios para os pr\u00f3ximos tempos.<br \/>\nTodos os anos, nesta altura, este ano um m\u00eas mais tarde pela recente epidemia de gripe fora de \u00e9poca, assistimos a um cen\u00e1rio preocupante e alvo de not\u00edcias na comunica\u00e7\u00e3o social sobre o aumento dos tempos de espera nos SU com uma clara sobrelota\u00e7\u00e3o destes servi\u00e7os.<br \/>\nEste \u00e9, de facto, um dos maiores problemas do Servi\u00e7o Nacional de Sa\u00fade (SNS) que se arrasta h\u00e1 d\u00e9cadas, j\u00e1 foi dissecado por sucessivos grupos de trabalho e comiss\u00f5es, mas continua por resolver e parece n\u00e3o ter um fim \u00e0 vista.<br \/>\nSomos o pa\u00eds europeu em que os cidad\u00e3os mais recorrem \u00e0s urg\u00eancias hospitalares (sete em cada dez portugueses visitam anualmente um SU, quando a m\u00e9dia europeia \u00e9 menos de metade deste valor). Em m\u00e9dia, 40% destas admiss\u00f5es n\u00e3o s\u00e3o urgentes (pulseiras verdes e azuis) e poderiam ser resolvidas noutro local do ambulat\u00f3rio.<br \/>\nOs Cuidados de Sa\u00fade Prim\u00e1rios (CSP), leia-se Centros de Sa\u00fade (CS) s\u00e3o frequentemente apontados como uma das causas para esta falta de resposta dos SU \u00e0s necessidades da popula\u00e7\u00e3o. Todavia, est\u00e1 provado, que s\u00f3 por si, o aumento da acessibilidade aos Centros de Sa\u00fade, tamb\u00e9m n\u00e3o diminuiu a utiliza\u00e7\u00e3o inadequada do SU. Recorde-se que at\u00e9 2005, 90% dos Centros de Sa\u00fade estavam abertos 24 horas por dia e o problema j\u00e1 existia! Mais, entre as 8h e as 20h, hor\u00e1rio de funcionamento de todos os Centros de Sa\u00fade, \u00e9 o per\u00edodo que concentra em m\u00e9dia 75% das admiss\u00f5es nos SU, ficando as restantes 25% no hor\u00e1rio das 20h \u00e0s 8h da manh\u00e3.<br \/>\nAs pessoas recorrem \u00e0 urg\u00eancia porque querem solu\u00e7\u00f5es r\u00e1pidas e na hora que os CS e os hospitais fora do SU n\u00e3o lhes conseguem dar: an\u00e1lises, Raio X, TAC, ecografias e segunda opini\u00e3o de especialistas hospitalares.<br \/>\nQuerem resolver a cera no ouvido ou avaliar a diminui\u00e7\u00e3o da audi\u00e7\u00e3o porque esperam nove meses por uma consulta de Otorrino. Quem tem seguros ou ADSE vai ao privado.<br \/>\nH\u00e1 uma deturpa\u00e7\u00e3o de expectativas.<br \/>\n\u00c9 um problema muito complexo, estrutural e n\u00e3o sazonal, de literacia, de organiza\u00e7\u00e3o do SNS, de qualifica\u00e7\u00e3o dos recursos e dos circuitos.<br \/>\nPara enfrentar este problema, \u00e9 preciso uma reforma profunda. O problema n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 o de falta de m\u00e9dicos e de enfermeiros de fam\u00edlia \u2014 temos de ter localmente, coordena\u00e7\u00e3o colaborativa dos dois sistemas \u2013 SU\/Hospital e CS. S\u00f3 a coordena\u00e7\u00e3o permitir\u00e1 adequar a oferta, identificar os pap\u00e9is de cada um dos sistemas, percebendo as expectativas do cidad\u00e3o e reduzir a redund\u00e2ncia.<br \/>\nTemos de regular o acesso ao SU, garantir que, por norma, as pessoas s\u00f3 v\u00eam encaminhadas pelo INEM, pelo SNS24 (rever e atualizar os algoritmos) ou pelos CS ou referenciadas por outros m\u00e9dicos ou servi\u00e7os de sa\u00fade.<br \/>\nA possibilidade de r\u00e1pida e adequada referencia\u00e7\u00e3o entre as duas redes \u00e9 fundamental, criando-se vias verdes no hospital e\/ou na comunidade para acesso no pr\u00f3prio dia a exames auxiliares de diagn\u00f3stico ou marca\u00e7\u00e3o de consultas \u201cabertas\u201d no hospital.<br \/>\nNos Centros de Sa\u00fade, \u00e9 necess\u00e1rio aumentar a real acessibilidade ao m\u00e9dico e enfermeiro das 8h \u00e0s 20h, respondendo no pr\u00f3prio dia a todas as solicita\u00e7\u00f5es agudas, seja em presen\u00e7a f\u00edsica, por via telefone e email ou no domic\u00edlio, mantendo o doente em casa, apoiado e seguro.<br \/>\nA identifica\u00e7\u00e3o de utentes com elevado recurso \u00e0 urg\u00eancia, os grandes utilizadores, \u00e9 tamb\u00e9m, fundamental. Deve-se olhar para eles e elaborar em conjunto, o plano individual de cuidados. Sem esquecer de olhar para um grupo particular de doentes que s\u00e3o os idosos, fr\u00e1geis, com m\u00faltiplas doen\u00e7as, a maioria a viver em lares\/ERPI para os quais \u00e9 necess\u00e1rio a cria\u00e7\u00e3o de um plano de acompanhamento, apoio, triagem dos residentes em lares \u2013 e trabalho conjunto dos Centros de Sa\u00fade e dos servi\u00e7os hospitalares.<br \/>\nPor fim, no SU deve existir numa aposta em equipas dedicadas, para melhorar o funcionamento destes servi\u00e7os, que dependem muito do trabalho de tarefeiros prec\u00e1rios, muitos deles sem experi\u00eancia a fazer urg\u00eancias seguidas em diversos hospitais.<br \/>\nPrecisamos de uma carreira atrativa centrada em modelos organizacionais que gerem incentivos, porque este \u00e9 um trabalho desgastante e de risco.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>(Pode ler a opini\u00e3o na edi\u00e7\u00e3o impressa e digital)<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Opini\u00e3o de Jo\u00e3o Rodrigues<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":209417,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"footnotes":""},"categories":[31,5],"tags":[100,35],"class_list":["post-235655","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-geral","category-opiniao","tag-opiniao","tag-saudedb"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/235655","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=235655"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/235655\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=235655"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=235655"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=235655"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}