{"id":236397,"date":"2022-04-15T12:50:51","date_gmt":"2022-04-15T11:50:51","guid":{"rendered":"https:\/\/www.asbeiras.pt\/?p=236397"},"modified":"2022-04-15T12:50:51","modified_gmt":"2022-04-15T11:50:51","slug":"opiniao-cinquenta","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/opiniao-cinquenta\/","title":{"rendered":"Opini\u00e3o: Cinquenta"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/www.asbeiras.pt\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/BRUNO-PAIXAO.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-205891\" src=\"https:\/\/www.asbeiras.pt\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/BRUNO-PAIXAO.jpg\" alt=\"\" width=\"1200\" height=\"628\" \/><\/a><\/p>\n<p>As luzes que tingem o c\u00e9u da Ucr\u00e2nia n\u00e3o s\u00e3o de estrelas cintilantes. S\u00e3o de tiros fulgentes disparados \u00e0s ordens dos senhores da guerra. S\u00e3o tiros que deixam um rasto fugaz que se precipita em vertigem sobre os escombros de destrui\u00e7\u00e3o. A luz fraqueja. Os corpos tombam. Resistem e tombam. Depois s\u00e3o depositados na terra, onde o ocaso tapa a cara de m\u00e3os envergonhadas. Os corpos ficam sem nome. Chamam-lhes aos corpos da guerra.<br \/>\nPorqu\u00ea? \u2013 perguntam as crian\u00e7as, cujos olhos est\u00e3o ainda limpos. Por causa da luta pela posse da terra. Fico a pensar como seria bom que a terra n\u00e3o fosse dos homens, mas que, ao inv\u00e9s, pertencessem os homens \u00e0 terra.<br \/>\nA guerra lan\u00e7ada pela R\u00fassia vem devastando o territ\u00f3rio ucraniano h\u00e1 cinquenta dias. Desde que foi lan\u00e7ado o primeiro tiro, no dia 24 de fevereiro de 2022, milhares de pessoas perderam a vida. Entre elas crian\u00e7as. Prev\u00ea-se que em breve o n\u00famero de refugiados chegue aos dez milh\u00f5es. O frio russo gelou o sangue aos oligarcas que se alimentam do g\u00e1udio gerado pela agress\u00e3o.<br \/>\nSob suspeita de uso de armas qu\u00edmicas, a R\u00fassia j\u00e1 admitiu poder recorrer tamb\u00e9m \u00e0s armas nucleares, apontando implacavelmente para o horizonte onde uma guerra mundial espreita no cume do Kremlin. Entretanto vai galopando a afronta. Armas explosivamente letais v\u00e3o sendo largadas nas cidades, nos bairros, nas ruas, contra escolas, teatros e hospitais. Porqu\u00ea? \u2013 perguntam as crian\u00e7as, cujos olhos est\u00e3o ainda limpos. A igreja ortodoxa russa apoia esta guerra. Come os restos de si pr\u00f3pria. At\u00e9 n\u00e3o haver mais.<br \/>\nOs senhores da guerra fingem o di\u00e1logo. Nas intermit\u00eancias das palavras tombam mais-e-mais. As perguntas prosseguem sem resposta: Isto vai durar quanto tempo, termina quando, acaba de que maneira? E as crian\u00e7as, cujos olhos est\u00e3o ainda limpos, perguntam porqu\u00ea.<br \/>\nAntigamente, era o mais forte que vencia a guerra. Hoje, os bastidores constituem uma guerra paralela. A sociedade global e as suas redes sociais agem como press\u00e3o. A for\u00e7a b\u00e9lica russa at\u00e9 poderia conquistar todo o terreno. Mas o mundo ocidental isolou-a. Brotou uma opini\u00e3o generalizada contra si. Os oligarcas patrocinadores da guerra come\u00e7am a ver-se cercados. A resist\u00eancia ucraniana n\u00e3o cessar\u00e1. O povo n\u00e3o desistir\u00e1 de lutar. Isso ser\u00e1 um obst\u00e1culo \u00e0s pretens\u00f5es russas. Por isso, este conflito poder\u00e1 durar ainda por muito tempo.<br \/>\nO povo russo \u2013 aquele que est\u00e1 sob o dom\u00ednio do desequil\u00edbrio insano do seu l\u00edder \u2013 tamb\u00e9m sofre, tamb\u00e9m \u00e9 hostilizado, amea\u00e7ado, preso. A hist\u00f3ria vem mostrando que a loucura dos que se sentam na cadeira do poder pode fazer grandes estragos. O poder dos homens dementes conduz a regimes de possess\u00e3o. Seja onde for, seja numa empresa ou num Estado, num pa\u00eds ou numa cidade.<br \/>\nSeria simples se todos entendessem que n\u00e3o h\u00e1 um caminho para a paz. A paz \u00e9, ela pr\u00f3pria, o caminho. N\u00e3o h\u00e1 outra forma de sair daqui. N\u00e3o h\u00e1 outra forma de salvar o mundo.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Bruno Paix\u00e3o<br \/>\nInvestigador em comunica\u00e7\u00e3o pol\u00edtica<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"footnotes":""},"categories":[31,5],"tags":[455,100],"class_list":["post-236397","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-geral","category-opiniao","tag-bruno-paixao","tag-opiniao"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/236397","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=236397"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/236397\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=236397"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=236397"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=236397"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}