{"id":236753,"date":"2022-04-20T16:08:15","date_gmt":"2022-04-20T15:08:15","guid":{"rendered":"https:\/\/www.asbeiras.pt\/?p=236753"},"modified":"2022-04-20T16:08:15","modified_gmt":"2022-04-20T15:08:15","slug":"educa-se-alguem-a-ser-livre-em-cativeiro","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/educa-se-alguem-a-ser-livre-em-cativeiro\/","title":{"rendered":"Educa-se algu\u00e9m a ser livre em cativeiro?"},"content":{"rendered":"<p>[ngg src=&#8221;galleries&#8221; ids=&#8221;1&#8243; display=&#8221;basic_imagebrowser&#8221;]\u00c9 dif\u00edcil adivinhar-lhe um sorriso, sobretudo quando recorda o caminho que o levou at\u00e9 ali. Em&nbsp;<strong>43 anos<\/strong>, j\u00e1 leva&nbsp;<strong>mais de 20 reclus\u00e3o<\/strong>. Metade do que viveu.<\/p>\n<p>\u201cA minha primeira condena\u00e7\u00e3o foi aos 19 anos\u201d, conta Rui, recluso no&nbsp;<strong>Estabelecimento Prisional de Coimbra<\/strong>. \u201cCumpri seis anos. Depois nove. Agora estou a cumprir 10\u201d. Sempre pelo mesmo crime: tr\u00e1fico de droga.<\/p>\n<p>A vida ali dentro pesa, mas a incerteza do que o espera quando terminar a pena pesa muito mais.<\/p>\n<p>\u201cO que \u00e9 que eu vou encontrar quando sair com 47 anos? Eu aqui n\u00e3o consumo. Venho trabalhar todos os dias. L\u00e1 fora n\u00e3o consigo. Porque \u00e9 que eu n\u00e3o consigo?\u201d, questiona.<\/p>\n<p>Foi j\u00e1 na pris\u00e3o que Rui aprendeu o of\u00edcio de dourador e encadernador, profiss\u00e3o que acabaria por exercer num dos per\u00edodos em que esteve em liberdade. At\u00e9 falhar de novo. Agora \u00e9 ele que d\u00e1 forma\u00e7\u00e3o aos outros reclusos.<\/p>\n<p>O sorriso apenas se abre quando, numa pequena sala, mostra arm\u00e1rios cheios de chifras, aperta-nervos, furadores, ferros de grava\u00e7\u00e3o e douradores com diferentes formas art\u00edsticas.<\/p>\n<p>\u201cIsto foi tudo adquirido ao longo de muitos anos \u2013 algumas s\u00e3o t\u00e3o (ou mais) antigas do que os 120 anos do Estabelecimento Prisional. \u00c9 uma rel\u00edquia\u201d, diz.<\/p>\n<p>Numa outra sala, mais ampla e cheia de luz, quatro homens trabalham entre as pilhas de livros, obras desfeitas e p\u00e1ginas soltas. A um canto, Ant\u00f3nio Monteiro passa a ferro as folhas amarelecidas de um \u201clivro de leis\u201d do s\u00e9culo XIV. Quem o observa, t\u00e3o concentrado e cheio de cuidados, mal imagina que sempre trabalhou na \u00e1rea da constru\u00e7\u00e3o civil. Em 2018 (depois de j\u00e1 ter passado pela constru\u00e7\u00e3o e pela oficia de marcenaria no EPC) experimentou a oficina de encaderna\u00e7\u00e3o e restauro e ganhou gosto pelos livros.<\/p>\n<p>\u201cGosto de ver como eram feitos, como eram trabalhados. Esta tarefa que exige concentra\u00e7\u00e3o e paci\u00eancia, mas gostava de continuar a fazer isto quando sa\u00edsse\u201d, diz. Faltam ainda tr\u00eas anos, dos 21 a que foi condenado.<br \/>\nO Estabelecimento Prisional de Coimbra mant\u00e9m em funcionamento ininterrupto uma zona oficinal constru\u00edda em 1915.<br \/>\nNaquele edif\u00edcio labir\u00edntico de tr\u00eas andares funcionam v\u00e1rias oficinas: serralharia, encaderna\u00e7\u00e3o, sapataria, alfaiataria, estofaria, mec\u00e2nica, trabalhos de madeira, como produ\u00e7\u00e3o de m\u00f3veis, restauro e recupera\u00e7\u00e3o, portas, cadeiras, entre outros. \u00c9 neste setor \u2013 onde funcionam a serra\u00e7\u00e3o, a marcenaria, a carpintaria ou o empalhamento \u2013, que Israel Rodrigues mostra com brio um m\u00f3vel restaurado.<\/p>\n<p><strong>(Ler not\u00edcia completa na edi\u00e7\u00e3o impressa do DI\u00c1RIO AS BEIRAS em 20\/04\/2022)<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O sorriso de Rui apenas se abre quando, numa pequena sala, mostra arm\u00e1rios cheios de chifras, aperta-nervos, furadores, ferros de grava\u00e7\u00e3o e douradores. \u201cIsto foi tudo adquirido ao longo de muitos anos \u2013 algumas s\u00e3o t\u00e3o (ou mais) antigas do que os 120 anos do Estabelecimento Prisional de Coimbra. \u00c9 uma rel\u00edquia\u201d, diz.<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":236732,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"footnotes":""},"categories":[39,3288,31],"tags":[40,7995,2152,7996],"class_list":["post-236753","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-coimbra-2","category-fotogalerias","category-geral","tag-coimbra","tag-estabelecimento-prisional","tag-oficinas","tag-reclusos"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/236753","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=236753"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/236753\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=236753"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=236753"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=236753"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}