{"id":236808,"date":"2022-04-21T11:29:52","date_gmt":"2022-04-21T10:29:52","guid":{"rendered":"https:\/\/www.asbeiras.pt\/?p=236808"},"modified":"2022-04-21T11:29:52","modified_gmt":"2022-04-21T10:29:52","slug":"opiniao-entre-serras-uma-calma-de-alem-mundo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/opiniao-entre-serras-uma-calma-de-alem-mundo\/","title":{"rendered":"Opini\u00e3o: Entre serras \u201c&#8230; uma calma de al\u00e9m-mundo\u201d"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/www.asbeiras.pt\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/Antonio-Veiga-Simao.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-206463\" src=\"https:\/\/www.asbeiras.pt\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/Antonio-Veiga-Simao.jpg\" alt=\"\" width=\"1200\" height=\"628\" \/><\/a><\/p>\n<p>Indaguei-lhe um dia a naturalidade. \u00c9 da Pampilhosa da Serra. N\u00e3o sei se conhecem? N\u00e3o; nem admira. Conhe\u00e7o eu por um mero acaso. Uma noite e um dia inteiro subi pela Serra da Lous\u00e3, de autom\u00f3vel, e de seguida, a cavalo e a p\u00e9, galguei desfiladeiros, caminhos tortuosos e despenhados bordando abismos, cortei ribanceiras, desci vales e l\u00e1 cheguei enfim\u2026. Aquilo \u00e9 o cabo do mundo&#8230;.<br \/>\nTudo s\u00e3o vales, funduras de abismos, quebradas de declive abruto. E a toda a volta as altas serras meditando&#8230;<br \/>\n&#8230;. Ao cair do sol segue-se uma calma de al\u00e9m-mundo.<br \/>\nJaime Cortes\u00e3o, Mem\u00f3rias da Guerra, 1919<br \/>\nEste excerto, expressa bem a lonjura a que este territ\u00f3rio, esteve votado durante centenas de anos, sendo um dos mais pobres e abandonados do pa\u00eds.<br \/>\nQuis o destino que ficasse fortemente ligado, por la\u00e7os familiares maternos, a uma pequena aldeia deste Concelho.<br \/>\nSe bem que lonjura esteja, hoje, mitigada ainda bem me lembro das infind\u00e1veis viagens de autom\u00f3vel ou de camionete, de Coimbra \u00e0 aldeia de Unhais o Velho. Primeiro a Lous\u00e3, depois a Portela de G\u00f3is, de seguida o Espor\u00e3o e o Alto da Serra para o almo\u00e7o \u00e0 beira da estrada, depois &#8230;. a Pampilhosa da Serra, a Cova Funda, a Barragem de Santa Luzia e por fim, a umas boas quatro horas de Coimbra, menos de cem quil\u00f3metros volvidos, espreitava-se o marcado vale onde se situa a aldeia de Unhais o Velho, abra\u00e7ada pela Ribeira com o mesmo nome.<br \/>\nEsta viagem anual era o in\u00edcio da aventura de finais de agosto ou princ\u00edpios de setembro que precedia todas as outras que durante uma a duas semanas a\u00ed me esperavam.<br \/>\nEra e \u00e9, sem d\u00favida, o encontro com o Portugal profundo e com a natureza no seu estado puro.<br \/>\nPescar com um cani\u00e7o, montar uma guelrita, mergulhar nos po\u00e7os do tear, dos penedos ou do Albertino, nadar na barragem de Santa Luzia, subir \u00e0s velhas \u00e1rvores, colocar costelos, construir pequenos carros de m\u00e3o, \u201cir\u201d \u00e0 fruta, ajudar nas colheitas e na pastor\u00edcia, carregar azeitona para o lagar, desesperar por uma \u201cpica\u201d \u00e0 porta do forno da aldeia ou implorar por filhoses espichadas de porta em porta na v\u00e9spera do S\u00e3o Mateus, jogar \u00e0 \u201clerpa\u201d e \u00e0 \u201csueca\u201d, escutar aos mais velhos est\u00f3rias da Primeira Grande Guerra e da Guerra Colonial, da gripe espanhola, da febre do volfr\u00e2mio ,entre 1939 e 1945, e do duro trabalho nas minas da Panasqueira, foram momentos inolvid\u00e1veis que partilhei com o Tonito da \u201cTi\u201d Maria Am\u00e1lia, com o J\u00falio da Ad\u00e9lia, com o Tonito russo, com os irm\u00e3os Z\u00e9, Carlos e Paulo Lousa, com o Carlos Pacheco ou com o Alcino Gavinhos, entre outros amigos, parentes e aparentados.<br \/>\nTalvez a sua emocionante localiza\u00e7\u00e3o entre as serras do A\u00e7or, Gardunha e Estrela e a sua lonjura, sejam a raz\u00e3o para que o Concelho da Pampilhosa da Serra nos ofere\u00e7a, ainda hoje, uma deslumbrante paisagem natural em estado cristalino e um conjunto de experi\u00eancias que hoje e. em boa hora, se enquadram na marca oficial \u201cPampilhosa da Serra Centro da Natureza\u201d.<br \/>\nSendo um territ\u00f3rio do interior portugu\u00eas profundo, garante a qualidade de vida das popula\u00e7\u00f5es acantonadas no litoral, atrav\u00e9s dos servi\u00e7os do ecossistema ou servi\u00e7os ambientais que se traduzem nos benef\u00edcios que as pessoas obt\u00eam dos ecossistemas.<br \/>\nA este prop\u00f3sito recomenda-se a leitura do Relat\u00f3rio da Comiss\u00e3o Europeia IN-DEPTH REPORT Ecosystem Services and Biodiversity de 2015, no qual se refere que os servi\u00e7os do ecossistema est\u00e3o divididos em quatro categorias: os servi\u00e7os de suporte \u2013 processos naturais que s\u00e3o necess\u00e1rios para a produ\u00e7\u00e3o e que mant\u00eam todos os outros servi\u00e7os, tais como o ciclo de nutrientes e a forma\u00e7\u00e3o do solo; os servi\u00e7os de provis\u00e3o ou aprovisionamento \u2013 bens ou produtos provenientes do ecossistema, que incluem alimentos (como bagas, cogumelos ou mel), \u00e1gua doce, madeira, resina, ca\u00e7a, entre outros; os servi\u00e7os de regula\u00e7\u00e3o \u2013 benef\u00edcios que se obt\u00eam da regula\u00e7\u00e3o e controlo do ecossistema sobre os processos naturais e que incluem servi\u00e7os como a purifica\u00e7\u00e3o do ar, a filtragem da \u00e1gua, a preven\u00e7\u00e3o da eros\u00e3o ou a regula\u00e7\u00e3o do clima por via do sequestro de carbono e os servi\u00e7os culturais e de recreio \u2013 experi\u00eancias e benef\u00edcios obtidos quando em proximidade com a natureza em atividades recreativas, turismo ou contempla\u00e7\u00e3o da paisagem.<br \/>\nNestas f\u00e9rias que se aproximam visite a Pampilhosa da Serra, visite o interior, verificar\u00e1 que os, agora designados territ\u00f3rios de baixa densidade, fazem o pleno das categorias identificadas para os servi\u00e7os do ecossistema, numa calma de al\u00e9m-mundo.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Opini\u00e3o de Ant\u00f3nio Veiga Sim\u00e3o. &#8220;Nestas f\u00e9rias que se aproximam visite a Pampilhosa da Serra, visite o interior, verificar\u00e1 que os, agora designados territ\u00f3rios de baixa densidade, fazem o pleno das categorias identificadas para os servi\u00e7os do ecossistema, numa calma de al\u00e9m-mundo.&#8221;<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":206463,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"footnotes":""},"categories":[31,5],"tags":[1450,184],"class_list":["post-236808","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-geral","category-opiniao","tag-antonio-veiga-simao","tag-pampilhosa-da-serra"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/236808","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=236808"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/236808\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=236808"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=236808"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=236808"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}