{"id":237621,"date":"2022-04-30T16:19:03","date_gmt":"2022-04-30T15:19:03","guid":{"rendered":"https:\/\/www.asbeiras.pt\/?p=237621"},"modified":"2022-04-30T16:19:03","modified_gmt":"2022-04-30T15:19:03","slug":"os-impactos-das-alteracoes-climaticas-na-saude","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/os-impactos-das-alteracoes-climaticas-na-saude\/","title":{"rendered":"Os impactos das altera\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas na sa\u00fade"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/www.asbeiras.pt\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/fatima-alves-dr-1.png\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-medium wp-image-224855\" src=\"https:\/\/www.asbeiras.pt\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/fatima-alves-dr-1-300x269.png\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"269\" \/><\/a><\/p>\n<p>A sa\u00fade e a doen\u00e7a s\u00e3o um setor cr\u00edtico e avassaladoramente exposto aos impactos das Altera\u00e7\u00f5es Clim\u00e1ticas, ao qual s\u00f3 se d\u00e1 aten\u00e7\u00e3o quando as amea\u00e7as j\u00e1 entraram na nossa casa, como aconteceu com a epidemia do coronav\u00edrus. Portugal, com um clima de tipo mediterr\u00e2nico, \u00e9 particularmente suscet\u00edvel aos riscos para a sa\u00fade decorrentes das altera\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas, na medida em que estas interferem de m\u00faltiplas formas na nossa sa\u00fade e bem-estar f\u00edsico e mental:<br \/>\n\u2022 dos alimentos que produzimos e consumimos;<br \/>\n\u2022 \u00e0 qualidade do ar e da \u00e1gua;<br \/>\n\u2022 conforto t\u00e9rmico e adequa\u00e7\u00e3o das casas \u00e0s varia\u00e7\u00f5es de temperatura cada vez mais extremadas;<br \/>\n\u2022 ao lixo que produzimos e que contamina o planeta e penetrou nas cadeias alimentares (os micropl\u00e1sticos);<br \/>\n\u2022 \u00e0 destrui\u00e7\u00e3o dos habitats naturais, num sistema que errada e sistematicamente os encara como recursos inesgot\u00e1veis e que contribui em larga escala para a perda de biodiversidade e para a acelera\u00e7\u00e3o das extin\u00e7\u00f5es, respons\u00e1veis pelo aumento da dissemina\u00e7\u00e3o de doen\u00e7as entre animais e humanos, como a do coronav\u00edrus;<br \/>\n\u2022 ao aumento das temperaturas que \u00e9 respons\u00e1vel pela maior dissemina\u00e7\u00e3o de doen\u00e7as vetoriais em geografias cada vez mais alargadas e mais pr\u00f3ximas de n\u00f3s;<br \/>\n\u2022 ao aumento dos eventos extremos e consequentes movimentos humanos \u00e0 procura de terra onde possam viver, que afetam cada vez mais a sa\u00fade mental e o bem-estar;<br \/>\n\u2022 dos efeitos do aumento dos desastres naturais, como inc\u00eandios, inunda\u00e7\u00f5es e secas , pondo em evid\u00eancia a responsabilidade que temos pelos pap\u00e9is e rela\u00e7\u00f5es que estabelecemos nos ecossistemas e suas consequ\u00eancias.<br \/>\nO perfil geogr\u00e1fico dominante dos concelhos rurais, envelhecidos e com baixa densidade populacional, onde se somam desvantagens demogr\u00e1ficas como a continua redu\u00e7\u00e3o da natalidade e o cada vez maior despovoamento do interior, a par de desvantagens econ\u00f3micas e sociais, o aumento das doen\u00e7as cr\u00f3nicas e das desigualdades no acesso aos servi\u00e7os e cuidados de sa\u00fade, constituem dos maiores problemas e desafios a que as pol\u00edticas n\u00e3o podem ficar alheias e contribuem para explicar as vulnerabilidades crescentes e que exigem planeamento a m\u00e9dio\/longo prazo que permita encontrar estrat\u00e9gias de mitiga\u00e7\u00e3o e\/ou adapta\u00e7\u00e3o vi\u00e1veis e que n\u00e3o nos apanhem \u2018desprevenidos\u2019. A ci\u00eancia est\u00e1 de acordo e \u00e9 perent\u00f3ria! Os dados recolhidos no PIAAC , por exemplo, permitiram observar uma associa\u00e7\u00e3o entre a temperatura e a mortalidade di\u00e1ria na Regi\u00e3o de Coimbra. Esses dados apontam tamb\u00e9m para um aumento de morbilidade de determinadas doen\u00e7as mais sens\u00edveis ao clima, as relacionadas com a deteriora\u00e7\u00e3o da qualidade do ar e polui\u00e7\u00e3o, como por exemplo as doen\u00e7as infecciosas transmitidas por vetores, de que os mais conhecidos s\u00e3o os mosquitos, mas h\u00e1 outros como as carra\u00e7as, as pulgas, etc&#8230;<br \/>\nNeste contexto \u00e9 imperativo definir e operacionalizar medidas de adapta\u00e7\u00e3o da sa\u00fade que permitam refor\u00e7ar e aumentar a resili\u00eancia das popula\u00e7\u00f5es e ao mesmo tempo evitar o aumento das taxas de morbilidade e mortalidade geral e espec\u00edficas. Num futuro muito pr\u00f3ximo, a natureza e a escala destes impactos das altera\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas ser\u00e1 diretamente proporcional \u00e0 capacidade de adapta\u00e7\u00e3o das comunidades, dos sistemas de sa\u00fade, quer o n\u00edvel de resposta instalada, quer a facilidade\/dificuldade em ter acesso a essas respostas, bem como das a\u00e7\u00f5es implementadas nos outros setores.<br \/>\nA vis\u00e3o de que existe uma s\u00f3 sa\u00fade refor\u00e7a a necessidade de reconhecimento da interconex\u00e3o entre todos os elementos humanos e n\u00e3o humanos: dos humanos aos animais, \u00e0s plantas e \u00e0s redes de rela\u00e7\u00f5es que implicam, nos diversos territ\u00f3rios onde coabitamos e onde partilhamos o desafio da vida e da morte de m\u00faltiplas formas. Esta vis\u00e3o de uma s\u00f3 sa\u00fade exigir\u00e1 o desenvolvimento de pol\u00edticas integradas adaptadas\/adequadas aos contextos. Esta mudan\u00e7a sobejamente reconhecida pelas ci\u00eancias, n\u00e3o tem tido a resposta desejada nem provocado as mudan\u00e7as necess\u00e1rias. Na verdade, \u00e9 preciso reconhecer que esta \u00e9 uma prorrogativa eminentemente pol\u00edtica. N\u00e3o \u00e9 apenas individual e conjuntural. Este \u00e9 o grande desafio!<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Professora universit\u00e1ria e soci\u00f3loga<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"footnotes":""},"categories":[5],"tags":[540],"class_list":["post-237621","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-opiniao","tag-fatima-alves"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/237621","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=237621"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/237621\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=237621"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=237621"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=237621"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}