{"id":237773,"date":"2022-05-02T11:24:38","date_gmt":"2022-05-02T10:24:38","guid":{"rendered":"https:\/\/www.asbeiras.pt\/?p=237773"},"modified":"2022-05-02T11:24:38","modified_gmt":"2022-05-02T10:24:38","slug":"opiniao-cruel-inflacao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/opiniao-cruel-inflacao\/","title":{"rendered":"Opini\u00e3o: &#8220;Cruel infla\u00e7\u00e3o!&#8221;"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/www.asbeiras.pt\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/Christophe-Coimbra-opi.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-213596\" src=\"https:\/\/www.asbeiras.pt\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/Christophe-Coimbra-opi.jpg\" alt=\"\" width=\"1200\" height=\"628\" \/><\/a><\/p>\n<p>Segundo o Banco Central Europeu (BCE) \u201cnuma economia de mercado, os pre\u00e7os dos bens e servi\u00e7os est\u00e3o sujeitos a varia\u00e7\u00f5es. Alguns pre\u00e7os sobem, outros descem. A infla\u00e7\u00e3o ocorre quando se verifica um aumento geral dos pre\u00e7os dos bens e servi\u00e7os, n\u00e3o apenas de artigos espec\u00edficos: significa que, com 1 euro, se compra menos hoje do que ontem. Por outras palavras, a infla\u00e7\u00e3o reduz o valor da moeda ao longo do tempo.\u201d<br \/>\nNeste espa\u00e7o de opini\u00e3o que ocupo no \u201cDi\u00e1rio As Beiras\u201d, no meu artigo do passado m\u00eas de fevereiro, referi que para o rec\u00e9m-eleito governo do Dr. Ant\u00f3nio Costa desafios n\u00e3o iriam faltar. Destaquei, entre outros pontos, a infla\u00e7\u00e3o e a crise energ\u00e9tica (agravada pelo, \u00e0 data, conflito \u2013 agora guerra &#8211; entre a Ucr\u00e2nia e a R\u00fassia). De igual forma, intitulei o meu artigo de novembro do ano transacto de \u201cAssim ficamos todos sem energia\u201d.<br \/>\nForam conhecidos recentemente os dados da infla\u00e7\u00e3o em abril em Portugal atrav\u00e9s da divulga\u00e7\u00e3o da estimativa r\u00e1pida do Instituto Nacional de Estat\u00edstica (INE). Aquilo que era sentido por todos n\u00f3s no dia a dia, tem agora uma confirma\u00e7\u00e3o oficial: 7,2%. Segundo o INE, este aumento \u00e9 influenciado maioritariamente pelos produtos energ\u00e9ticos e alimentares n\u00e3o transformados, algo que era de igual forma f\u00e1cil de perceber no dia a dia por qualquer comum mortal. O valor agora registado, embora provis\u00f3rio (os valores definitivos ser\u00e3o conhecidos a 11 de maio), \u00e9 j\u00e1 o mais elevado desde mar\u00e7o de 1993. Segundo o Eurostat, a infla\u00e7\u00e3o hom\u00f3loga subiu na zona euro para 7,5%. Portugal registou o 7\u00ba maior aumento dos 19 pa\u00edses da zona euro, acelerando o ritmo de converg\u00eancia com a m\u00e9dia da referida zona euro (para nossa infelicidade).<br \/>\nSe a origem da infla\u00e7\u00e3o se pode dever a v\u00e1rias origens, como por exemplo a impress\u00e3o de moeda, o aumento de impostos, a carteliza\u00e7\u00e3o de pre\u00e7os, o desajuste entre a oferta e a procura e o aumento dos custos produtivos (com particular enf\u00e2se neste ponto para os custos energ\u00e9ticos), o que importa verdadeiramente conseguir \u00e9 impedir que a mesma se transforme numa espiral, a famosa espiral inflacionista. E o que \u00e9 que est\u00e1 verdadeiramente a ser feito nesse sentido? Ainda n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel saber com certeza. Segundo os nossos governantes, o or\u00e7amento de estado que est\u00e1 agora em discuss\u00e3o na Assembleia da Rep\u00fablica prev\u00ea a ced\u00eancia de mais de 1300 milh\u00f5es de euros \u00e0s fam\u00edlias e empresas sob a forma de redu\u00e7\u00f5es de impostos e apoios para combate \u00e0 infla\u00e7\u00e3o &#8211; \u201cEvitar o aumento de pre\u00e7os e n\u00e3o alimentar a infla\u00e7\u00e3o\u201d. O princ\u00edpio parece-me correcto, mas \u00e9 urgente que surjam efeitos pr\u00e1ticos. A medida anunciada pelo governo de reduzir em 20 c\u00eantimos por litro a carga fiscal dos combust\u00edveis, atrav\u00e9s de uma nova baixa do ISP, parece-me capaz de ter algum efeito pr\u00e1tico. Pr\u00e1tico, mas quase nulo face ao quadro actual. De acordo com os dados do INE, \u00e9 poss\u00edvel constatar tamb\u00e9m que os pre\u00e7os na produ\u00e7\u00e3o industrial em Portugal tiveram em mar\u00e7o uma taxa de varia\u00e7\u00e3o hom\u00f3loga de 26,3% &#8211; 26,3% mais que em igual m\u00eas do ano anterior. Destes 26,3%, 82,4% devem-se ao agravamento do pre\u00e7o da energia. Fica f\u00e1cil perceber que muito mais ter\u00e1 que ser feito.<br \/>\nOra, se os pre\u00e7os na produ\u00e7\u00e3o industrial aumentam de forma brutal, os industriais ficam mais uma vez na necessidade de equilibrarem as suas margens. Com a dimens\u00e3o que estes aumentos t\u00eam, n\u00e3o sobra outra hip\u00f3tese que n\u00e3o o aumento dos pre\u00e7os de venda. Naturalmente ir\u00e3o parar mais uma vez ao consumidor final. Com sal\u00e1rios que n\u00e3o crescem de forma alguma a este n\u00edvel, fica cada vez mais dif\u00edcil manter aceit\u00e1veis n\u00edveis de qualidade de vida. \u00c9 cruel aquilo a que algumas pessoas ficam sujeitas, em particular as de menores rendimentos. Sinto-me parte respons\u00e1vel dessa crueldade por ter que, enquanto industrial, fazer o mesmo com os produtos alimentares que produzimos e comercializamos. Ainda assim, \u00e9 uma crueldade que recebemos em maior dimens\u00e3o da cadeia de fornecimento, que tentamos minimizar tanto quanto poss\u00edvel e da qual apenas passamos para o consumidor final o que n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel de suportar. Isto porque mais cruel seria n\u00e3o cumprirmos as nossas obriga\u00e7\u00f5es, entre as quais as salariais.<br \/>\nQue n\u00e3o nos falte a energia para lutar contra a inflac\u00e7\u00e3o, para que amanh\u00e3 1 euro nos permita comprar n\u00e3o muito menos que hoje.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Opini\u00e3o de Christophe Coimbra<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":213596,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"footnotes":""},"categories":[31,5],"tags":[594,100],"class_list":["post-237773","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-geral","category-opiniao","tag-christophe-coimbra","tag-opiniao"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/237773","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=237773"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/237773\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=237773"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=237773"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=237773"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}