{"id":238413,"date":"2022-05-11T11:40:16","date_gmt":"2022-05-11T10:40:16","guid":{"rendered":"https:\/\/www.asbeiras.pt\/?p=238413"},"modified":"2022-05-11T11:40:16","modified_gmt":"2022-05-11T10:40:16","slug":"opiniao-o-meu-coracao-ainda-e-preto","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/opiniao-o-meu-coracao-ainda-e-preto\/","title":{"rendered":"Opini\u00e3o: \u201cO meu cora\u00e7\u00e3o (ainda) \u00e9 preto\u201d"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/www.asbeiras.pt\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/jose-antonio-bandeirinha.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-230069\" src=\"https:\/\/www.asbeiras.pt\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/jose-antonio-bandeirinha.jpg\" alt=\"\" width=\"2500\" height=\"1308\" \/><\/a><\/p>\n<p>A grande maioria dos ainda designados \u201cclubes\u201d de futebol profissional, que movem paix\u00f5es e consolidam identidades, come\u00e7aram um dia por representar comunidades que se queriam rever na projec\u00e7\u00e3o da visibilidade para o exterior, para um plano mais global. A \u201ctradi\u00e7\u00e3o\u201d vem depois, decorre das sucessivas pr\u00e1ticas, quotidianas ou festivas, e quanto mais forte e mais identit\u00e1ria for, mais facilmente se renova e refor\u00e7a com o decorrer do tempo. N\u00e3o \u00e9 preciso ir mais longe, \u00e0 escala dos pa\u00edses \u00e9 a mesma coisa. Hoje como na d\u00e9cada de 1960, quando n\u00f3s, portugueses, vamos a qualquer lado mais distante e nos perguntam de onde somos, a conota\u00e7\u00e3o \u00e9 inevitavelmente futebol\u00edstica e n\u00f3s, eu pelo menos, deixamos que os pequenos e os grandes momentos que gostamos de viver aqui nos aflorem \u00e0 pele e nos causem aquele subtil arrepio. As identidades tamb\u00e9m se constroem sobre estas pequenas sensa\u00e7\u00f5es.<br \/>\nPara ir ao essencial desta cr\u00f3nica deixo de parte o mesquinho status quo do sistema club\u00edstico nacional, t\u00e3o empolado quanto insignificante no contexto global. Por t\u00e3o mon\u00f3tono que \u00e9, muito mais insignificante do que o de algumas na\u00e7\u00f5es com massa demogr\u00e1fica semelhante, ou at\u00e9 inferior.<br \/>\nMas vamos a Coimbra, uma vez mais, e vamos discernir desapaixonadamente. Sei que \u00e9 dif\u00edcil, para muitos, mas vamos tentar faz\u00ea-lo. A Acad\u00e9mica enquanto clube de futebol nasce da rela\u00e7\u00e3o com a academia, n\u00e3o existem d\u00favidas. Os estudantes eram a elite nacional e viam-se tamb\u00e9m representados na elite do futebol. A cidade, tamb\u00e9m ela mais representativa do que hoje no plano nacional, envolveu-se sempre nessa representa\u00e7\u00e3o. Pese embora a honrosa exist\u00eancia de outros clubes \u2014 esse grande Uni\u00e3o de todos os tempos, particularmente o de 1972-73 \u2014 os cora\u00e7\u00f5es, tantas vezes os mesmos, dividiam-se entre eles. No auge dos \u00eaxitos desportivos, o el\u00e3 entre a Acad\u00e9mica, a cidade e a regi\u00e3o era total, em 1939 como em 1967, em 1969 como em 2012 e em tantas outras circunst\u00e2ncias. A identidade refor\u00e7a-se com o que \u00e9 mais vis\u00edvel para o exterior, com os \u00eaxitos desportivos por exemplo, n\u00e3o com \u201ctradi\u00e7\u00f5es\u201d inventadas, encriptadas e \u2014 tantas vezes ilegitimamente \u2014 apropriadas por determinados grupos.<br \/>\nHoje os estudantes est\u00e3o longe de ser a elite nacional e a cidade est\u00e1 cada vez mais longe da representatividade de outrora. Portanto, se quisermos manter essa identidade, e eu quero, temos de ter a humildade de fazer o que foi feito pela quase totalidade dos outros clubes, ir em busca dos \u00eaxitos desportivos de modo profissionalizado. O s\u00edmbolo \u00e9 maravilhoso, a \u201ctradi\u00e7\u00e3o\u201d \u00e9 relativamente f\u00e1cil de se reposicionar, mas a identidade est\u00e1 muito debilitada e \u00e9 necess\u00e1rio trabalhar arduamente para a readquirir. Sei bem que esse \u00e9 um caminho dif\u00edcil, sobretudo porque a entrada em cena do profissionalismo exacerbado corre o risco de banalizar as pr\u00e1ticas e de mitigar as nossas especificidades. Mas para isso \u00e9 que tamb\u00e9m s\u00e3o necess\u00e1rias equipas de gest\u00e3o com no\u00e7\u00e3o da realidade contempor\u00e2nea e equipas de comunica\u00e7\u00e3o altamente profissionalizadas, no m\u00ednimo t\u00e3o profissionais quanto as desportivas e se poss\u00edvel mais competentes, equipas que compreendam todo o significado do que nos torna realmente espec\u00edficos e o aprofundem e divulguem ainda mais. \u00c9, por isso, necess\u00e1rio e urgente seguir os caminhos dessa via. N\u00e3o \u00e9 garantido que resulte, vai ser preciso trabalhar sempre no gume da perfei\u00e7\u00e3o.<br \/>\nO Dr. Campos Coroa, a quem aqui presto homenagem, ao longo de uma vida dedicada \u00e1 Acad\u00e9mica, soube sempre entender esta quest\u00e3o de modo integrador e hol\u00edstico, realismo contempor\u00e2neo sem perda de valores e uma identidade para a cidade que tamb\u00e9m integra a academia.<br \/>\nPaulo Archer escreveu em 2012, no Jornal do Fund\u00e3o, a magn\u00edfica cr\u00f3nica intitulada, \u201cO meu cora\u00e7\u00e3o \u00e9 preto\u201d, eu quero aqui tamb\u00e9m prestar homenagem a essa genu\u00edna e po\u00e9tica demonstra\u00e7\u00e3o de amor a uma causa club\u00edstica, sem nenhuma esp\u00e9cie de deturpa\u00e7\u00e3o depreciativa deste qualificativo. Acrescento-lhe o \u201cainda\u201d porque, muito sinceramente, no caminho que a Acad\u00e9mica OAF tem de fazer daqui para a frente, s\u00f3 vejo uma possibilidade, que \u00e9 tamb\u00e9m a que est\u00e1, por agora, em cima da mesa. \u00c9 isso ou o esvaziamento gradual, nada bom para a academia, p\u00e9ssimo para a cidade e para a regi\u00e3o.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Opini\u00e3o de Jos\u00e9 Ant\u00f3nio Bandeirinha.<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":230069,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"footnotes":""},"categories":[31,5],"tags":[2951,100],"class_list":["post-238413","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-geral","category-opiniao","tag-jose-antonio-bandeirinha","tag-opiniao"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/238413","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=238413"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/238413\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=238413"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=238413"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=238413"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}