{"id":238670,"date":"2022-05-16T13:02:43","date_gmt":"2022-05-16T12:02:43","guid":{"rendered":"https:\/\/www.asbeiras.pt\/?p=238670"},"modified":"2022-05-16T13:02:43","modified_gmt":"2022-05-16T12:02:43","slug":"opiniao-uma-realidade-sombria-e-ameacadora","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/opiniao-uma-realidade-sombria-e-ameacadora\/","title":{"rendered":"Opini\u00e3o: &#8220;Uma realidade sombria e amea\u00e7adora&#8221;"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/www.asbeiras.pt\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/RUI-BEBIANO.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-206006\" src=\"https:\/\/www.asbeiras.pt\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/RUI-BEBIANO.jpg\" alt=\"\" width=\"1200\" height=\"628\" \/><\/a><\/p>\n<p>Lembrou a comiss\u00e1ria Ursula von der Leyen que a Europa se est\u00e1 a deparar com sombras de um passado que muitos julgavam extinto. Retirando os conflitos mais localizados que nos anos noventa, ap\u00f3s o desmoronamento dos Estados do \u00absocialismo real\u00bb, tiveram lugar nos territ\u00f3rios da antiga Jugosl\u00e1via e do C\u00e1ucaso, h\u00e1 j\u00e1 perto de oitenta anos que o continente n\u00e3o assistia a uma guerra com a extens\u00e3o e as consequ\u00eancias da que tem lugar na Ucr\u00e2nia. Cidades inteiras destru\u00eddas, mortic\u00ednios de civis, um povo inteiro em fuga e despojado de condi\u00e7\u00f5es elementares de vida, ataques de artilharia pesada sem sentido aparente, impostos por uma estrat\u00e9gia de conquista e chantagem que utiliza uma pol\u00edtica de terra queimada.<br \/>\nEla n\u00e3o se limita, por\u00e9m, ao territ\u00f3rio do Estado agredido. Imp\u00f5e tamb\u00e9m dois fatores de extrema gravidade que afetam o equil\u00edbrio mundial e a vida de um n\u00famero indeterminado de pessoas. O primeiro consiste na oposi\u00e7\u00e3o de dois blocos antag\u00f3nicos, um constitu\u00eddo pelas democracias liberais e o outro por regimes centralistas e ditatoriais, que disputam a supremacia num processo de armamento generalizado em condi\u00e7\u00f5es de provocar uma nova Guerra Fria, eventualmente menos \u00abfria\u00bb do que a primeira. O segundo fator refere-se ao modo como o conflito est\u00e1 a precipitar uma crise econ\u00f3mica e social abrupta e profunda, a uma escala europeia e global, que pode demorar longos anos a ser superada.<br \/>\nApesar destes perigos, certos setores minimizam as suas consequ\u00eancias. Por um lado, porque reduzem o conflito ao embate entre imperialismos, estimulado pelos interesses de um deles ou de ambos, passando para segundo plano a agress\u00e3o a um Estado e a um povo soberano que, na forma e na dimens\u00e3o que toma, na Europa apenas tem antecedentes na Segunda Guerra Mundial. Por outro, porque para esses setores a aten\u00e7\u00e3o prestada ao conflito, a seu ver excessiva, tende a diluir ou a ocultar a exist\u00eancia de outros, igualmente impiedoso e letais, localizados noutras paragens. Como os que ocorrem na Palestina, na S\u00edria, no I\u00e9men, na Som\u00e1lia, na Col\u00f4mbia, na Birm\u00e2nia, no Afeganist\u00e3o, no Iraque, na Eti\u00f3pia, na L\u00edbia, no Mali, em Mo\u00e7ambique e mais uma quinzena de outros pa\u00edses.<br \/>\nO antieurope\u00edsmo militante desses setores utiliza este sinistro panorama global para transformar uma brutal invas\u00e3o numa esp\u00e9cie de epis\u00f3dio de divers\u00e3o, artificialmente exagerado pelos m\u00e9dia e pautado por um insens\u00edvel eurocentrismo, que tem como consequ\u00eancia fazer esquecer situa\u00e7\u00f5es envolvendo popula\u00e7\u00f5es desprotegidas que enfrentam tanto o desinteresse dos grandes meios de comunica\u00e7\u00e3o quanto a ina\u00e7\u00e3o das organiza\u00e7\u00f5es internacionais. Esta posi\u00e7\u00e3o tende, por\u00e9m, a descurar fatores essenciais que tornam a guerra travada na Ucr\u00e2nia particularmente perigosa sob diversos aspetos.<br \/>\nO que se passa ent\u00e3o com este grande conflito que o distingue, tornando-o particularmente perigoso? Algumas das raz\u00f5es s\u00e3o \u00f3bvias: a inaceit\u00e1vel invas\u00e3o de um Estado soberano efetuada sem qualquer exig\u00eancia pr\u00e9via, o volume de propor\u00e7\u00f5es b\u00edblicas de refugiados e o seu \u00eaxodo, a sucess\u00e3o comprovada de massacres sobre civis, a destrui\u00e7\u00e3o sistem\u00e1tica de cidades, aldeias e infraestruturas b\u00e1sicas, a recorrente amea\u00e7a do recurso a armamento nuclear, o estado de alerta dos ex\u00e9rcitos existentes em toda a regi\u00e3o e mesmo numa escala que a transcende, a par da enorme visibilidade conferida aos acontecimentos por estes ocorrerem no cora\u00e7\u00e3o da Europa, na presen\u00e7a de grande n\u00famero de jornalistas e de meios de informa\u00e7\u00e3o de tecnologia avan\u00e7ada.<br \/>\nAcima de tudo, um violento terramoto no mapa estrat\u00e9gico da Europa e do mundo, recriando campos fechados e em tens\u00e3o ou confronto, com pr\u00e1ticas pol\u00edticas e uma forma de entender as liberdades, os direitos e a democracia diametralmente oposta, sob uma nuvem de medo e de amea\u00e7as que n\u00e3o se via desde os anos que precederam a queda do Muro de Berlim. Ningu\u00e9m com menos de cinquenta anos p\u00f4de testemunhar algo parecido, e esta \u00e9 uma realidade com tanto de sombrio quanto de amea\u00e7ador.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Opini\u00e3o de Rui Bebiano.<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":206006,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"footnotes":""},"categories":[31,5],"tags":[100,8338],"class_list":["post-238670","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-geral","category-opiniao","tag-opiniao","tag-ruibebiano"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/238670","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=238670"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/238670\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=238670"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=238670"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=238670"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}