{"id":239533,"date":"2022-05-30T13:29:19","date_gmt":"2022-05-30T12:29:19","guid":{"rendered":"https:\/\/www.asbeiras.pt\/?p=239533"},"modified":"2022-05-30T13:29:19","modified_gmt":"2022-05-30T12:29:19","slug":"opiniao-por-falar-em-salario-medio","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/opiniao-por-falar-em-salario-medio\/","title":{"rendered":"Opini\u00e3o: &#8220;Por falar em sal\u00e1rio m\u00e9dio\u2026"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/www.asbeiras.pt\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/Arnaldo-Coelho-opi.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-207318\" src=\"https:\/\/www.asbeiras.pt\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/Arnaldo-Coelho-opi.jpg\" alt=\"\" width=\"1200\" height=\"628\"\/><\/a><\/p>\n<p>Os valores do sal\u00e1rio m\u00e9dio em Portugal e a sua aproxima\u00e7\u00e3o ao sal\u00e1rio m\u00ednimo levantaram um coro de vozes sempre indignadas e de clara e absoluta reprova\u00e7\u00e3o. O nosso governo inscreveu-se nessa vozearia, algumas partes de uma sociedade civil excessivamente amorfa, tamb\u00e9m, e at\u00e9 a oposi\u00e7\u00e3o decidiu engrossar o ru\u00eddo que, entretanto, se gerou. N\u00f3s, naturalmente, s\u00f3 podemos ficar satisfeitos com este empenhamento que todos decidiram dedicar ao problema. Isto mexe verdadeiramente connosco.<\/p>\n<p>Entretanto, foi aprovado um novo Or\u00e7amento para o presente ano e n\u00e3o vimos, nem no Or\u00e7amento nem no Programa de Estabilidade nenhuma refer\u00eancia, nenhum programa, nenhuma fixa\u00e7\u00e3o de objetivos para o sal\u00e1rio m\u00e9dio em Portugal. Quanto vai ser? Quando? Como l\u00e1 chegaremos? S\u00e3o tudo perguntas aflitivamente urgentes e sem resposta. Esta aus\u00eancia no plano or\u00e7amental vai desde o governo \u00e0 oposi\u00e7\u00e3o, qui\u00e7\u00e1 com uma exce\u00e7\u00e3o que me abstenho de referenciar. Assim, continuaremos a viver sem uma pol\u00edtica clara de crescimento da riqueza, que permita estabelecer expetativas otimistas relativas a sal\u00e1rios para os pr\u00f3ximos 3, 5 ou 10 anos.<\/p>\n<p>Surge-me esta preocupa\u00e7\u00e3o na sequ\u00eancia de uma curta viagem por pa\u00edses como a Eslov\u00e1quia e a Hungria, e pelas mudan\u00e7as que pude constatar face \u00e0 minha anterior visita, 7 anos atr\u00e1s. Pude experimentar a qualidade dos transportes p\u00fablicos, das pol\u00edticas de urbanismo, a qualidade de vida que se respira\u2026 e o cosmopolitismo das pessoas. Obviamente, a minha curiosidade levou-me a estudar um pouco a evolu\u00e7\u00e3o destes pa\u00edses, desde 2015. Assim, pude constatar que o sal\u00e1rio m\u00ednimo quase duplicou neste per\u00edodo e o sal\u00e1rio m\u00e9dio cresceu sensivelmente 50% (de forma mais expressiva na Hungria). Ao mesmo tempo, os pre\u00e7os mantiveram-se em n\u00edveis muito confort\u00e1veis. Na verdade, a carga fiscal nestes pa\u00edses, \u00e0s vezes alta, tem vindo sempre a decrescer, os or\u00e7amentos para a sa\u00fade e educa\u00e7\u00e3o, sempre a crescer de forma apreci\u00e1vel, transportes p\u00fablicos eficientes e muito baratos, e atividades culturais abundantes, ricas e a muito bom pre\u00e7o. E ainda, os n\u00edveis de desigualdades nestes pa\u00edses, medidos pelo coeficiente de Gini, ficam claramente abaixo de Portugal.<\/p>\n<p>Na verdade, esta situa\u00e7\u00e3o de baixos sal\u00e1rios em Portugal, que se arrasta penosamente sem que se vislumbre uma evolu\u00e7\u00e3o significativa, \u00e9 acompanhada de uma press\u00e3o fiscal enorme, sem a devida contrapartida em termos de servi\u00e7os p\u00fablicos. Pior, verificamos que o Or\u00e7amento n\u00e3o dedicou uma linha a este problema (a n\u00e3o ser um aumento por decreto do sal\u00e1rio m\u00ednimo, consumido pela infla\u00e7\u00e3o). Verificamos ainda que o PRR, para al\u00e9m da aus\u00eancia de uma vis\u00e3o estrat\u00e9gica dirigida a estes problemas, dedica o grosso dos seus fundos ao sector p\u00fablico, deixando as empresas, o verdadeiro motor do crescimento e da evolu\u00e7\u00e3o salarial, com uma parte residual, estimada entre 24 e 35% do total dos fundos a distribuir.<\/p>\n<p>Um pa\u00eds que permanentemente se v\u00ea obrigado a distribuir pequenas ajudas a fam\u00edlias pobres (veja-se o recente apoio de 60\u2026 isso mesmo, 60 Euros, \u00e0s fam\u00edlias pobres), e que \u00e9 incapaz de as ajudar a sair desta pobreza, est\u00e1 condenado a ser um pa\u00eds que s\u00f3 produz pobres e, residualmente, alguns, muito poucos, muito ricos. O verdadeiro drama de um pa\u00eds \u00e9 n\u00e3o ser capaz de sair da verdadeira armadilha das pol\u00edticas de socorro e emerg\u00eancia, para se concentrar nas verdadeiras pol\u00edticas de ajuda e enriquecimento. Na verdade, no rescaldo deste novo or\u00e7amento e deste novo plano de estabilidade, n\u00e3o vimos um des\u00edgnio, uma estrat\u00e9gia, uma pol\u00edtica que conduzam a uma invers\u00e3o deste estado de coisas e que permitam sair deste miser\u00e1vel assistencialismo, que apenas alimenta a pobreza e n\u00e3o ajuda a sair dela.<\/p>\n<p>Coincidentemente, o \u00edndice de desigualdade em Portugal, est\u00e1 de novo a aumentar. Ser\u00e1 por acaso, ou estamos perante um sistema que se autoalimenta e assim se perpetua?<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Opini\u00e3o Arnaldo Coelho<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":207318,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"footnotes":""},"categories":[31,5],"tags":[6723,100],"class_list":["post-239533","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-geral","category-opiniao","tag-arnaldocoelho","tag-opiniao"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/239533","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=239533"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/239533\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=239533"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=239533"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=239533"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}