{"id":239535,"date":"2022-05-30T13:33:11","date_gmt":"2022-05-30T12:33:11","guid":{"rendered":"https:\/\/www.asbeiras.pt\/?p=239535"},"modified":"2022-05-30T13:33:11","modified_gmt":"2022-05-30T12:33:11","slug":"opiniao-portugal-digital-ambicao-e-accountability","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/opiniao-portugal-digital-ambicao-e-accountability\/","title":{"rendered":"Opini\u00e3o : &#8220;Portugal Digital: Ambi\u00e7\u00e3o e accountability&#8221;"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/www.asbeiras.pt\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/Marques-de-Almeida.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-228115\" src=\"https:\/\/www.asbeiras.pt\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/Marques-de-Almeida.jpg\" alt=\"\" width=\"2500\" height=\"1308\"\/><\/a><\/p>\n<p>O plano de a\u00e7\u00e3o para a transi\u00e7\u00e3o digital, que tem como horizonte o ano de 2030, considera a digitaliza\u00e7\u00e3o como um fator importante e decisivo para a transfigura\u00e7\u00e3o do pa\u00eds. O seu foco \u00e9 a capacita\u00e7\u00e3o digital das pessoas, transforma\u00e7\u00e3o digital das empresas e a digitaliza\u00e7\u00e3o do Estado. Estas 3 val\u00eancias s\u00e3o transversais e consideradas como fatores estruturantes da transi\u00e7\u00e3o digital. O plano referido tem 7 princ\u00edpios orientadores, dos quais destacamos 2, que revelam a ambi\u00e7\u00e3o e a monitoriza\u00e7\u00e3o e responsabiliza\u00e7\u00e3o, cujos conte\u00fados s\u00e3o os subsequentes:<br \/>\n\u2022 Ambi\u00e7\u00e3o: colocar Portugal como refer\u00eancia Internacional, tendo como benchmark os melhores exemplos \u00e0 escala global, assim como as melhores pr\u00e1ticas e standards europeus.<br \/>\n\u2022 Monitoriza\u00e7\u00e3o e responsabiliza\u00e7\u00e3o: avaliar o desempenho dos diversos respons\u00e1veis atrav\u00e9s da defini\u00e7\u00e3o e implementa\u00e7\u00e3o de um modelo transparente de acompanhamento de resultados e impactos.<br \/>\nA ambi\u00e7\u00e3o e o accountability &#8211; presta\u00e7\u00e3o de contas &#8211; est\u00e3o intimamente relacionados, ou seja, h\u00e1 que reportar os objetivos e avaliar o desempenho da estrutura Miss\u00e3o Portugal Digital, que \u00e9 respons\u00e1vel pela consecu\u00e7\u00e3o dos objetivos estrat\u00e9gicos do plano. Ambi\u00e7\u00e3o, como axioma orientador, tem como desiderato alcan\u00e7ar uma posi\u00e7\u00e3o cimeira-liderante na Europa. O benchmarking \u00e9 uma ferramenta valiosa em todas as organiza\u00e7\u00f5es p\u00fablicas ou privadas. A compara\u00e7\u00e3o \u00e9 uma base para mensurar o valor daquilo que se cria ou faz, quando nos inserimos no universo da competitividade digital, tomando como padr\u00e3o a digitaliza\u00e7\u00e3o dos pa\u00edses com melhores refer\u00eancias nesta \u00e1rea (Finl\u00e2ndia, Irlanda, Dinamarca, Let\u00f3nia, Singapura, etc).<br \/>\nPortugal ocupa, neste momento, uma posi\u00e7\u00e3o interm\u00e9dia. Independentemente do tamanho do pa\u00eds e do seu n\u00edvel econ\u00f3mico, o feedback recebido sobre a posi\u00e7\u00e3o portuguesa \u00e9 fundamental, no contexto europeu e mundial, porque ajuda os respons\u00e1veis governamentais a tomarem as melhores decis\u00f5es para concretizar o fim desejado. Como o desfecho almejado \u00e9 tornar Portugal uma refer\u00eancia, ambicionar esta posi\u00e7\u00e3o, como meta, n\u00e3o deixa de ser um desafio estimulante. Implica, contudo, uma mudan\u00e7a estrutural nos processos de neg\u00f3cio e da maneira como o Estado se relaciona com os cidad\u00e3os, atendendo a que quase toda essa futura rela\u00e7\u00e3o passa para as plataformas online. Este caminho vai ser admir\u00e1vel, mesmo eletrizante, mas quais s\u00e3o os indicadores de desempenho, ou seja, que padr\u00f5es existem para saber se os objetivos foram atingidos? Melhor dizendo, quanto \u00e9 que os contribuintes v\u00e3o poupar com a digitaliza\u00e7\u00e3o? Qual o n\u00famero de servi\u00e7os pertencentes ao Estado que vai ser digitalizado? Como a digitaliza\u00e7\u00e3o n\u00e3o termina na convers\u00e3o do anal\u00f3gico em bin\u00e1rio, dado estar associada ao Big Data, \u00e0 automa\u00e7\u00e3o, aos algoritmos e \u00e0 intelig\u00eancia artificial, quantos funcion\u00e1rios p\u00fablicos ir\u00e3o ser dispensados ou formados para a aplica\u00e7\u00e3o das novas ferramentas tecnol\u00f3gicas? A digitaliza\u00e7\u00e3o implica transforma\u00e7\u00e3o de processos e de modelos de contacto com os cidad\u00e3os, n\u00e3o significa digitalizar a burocracia, a redund\u00e2ncia, a inefici\u00eancia e a inefic\u00e1cia.<br \/>\nOs benef\u00edcios esperados para a medida 1 (pilar I) &#8211; capacita\u00e7\u00e3o e inclus\u00e3o digital de pessoas \u2013 traduzem-se numa contribui\u00e7\u00e3o ativa para a moderniza\u00e7\u00e3o tecnol\u00f3gica das escolas, aproximando os alunos das ferramentas de produtividade e colabora\u00e7\u00e3o que podem encontrar no ambiente de trabalho profissional. Ora, toda esta terminologia \u00e9 vaga, geral, abstrata, dado que nada \u00e9 quantificado, n\u00e3o obstante vivermos numa sociedade num\u00e9rica. Quanto aos benef\u00edcios da medida 2 &#8211; transforma\u00e7\u00e3o profissional e requalifica\u00e7\u00e3o &#8211; espera-se contribuir ativamente para a reconvers\u00e3o de 3.000 trabalhadores nas \u00e1reas de tecnologia de informa\u00e7\u00e3o. Al\u00e9m do objetivo ser muito modesto, n\u00e3o se sabe o n\u00famero de pessoas a reconverter e a dimens\u00e3o da procura destes profissionais no futuro. Observando a medida 3 &#8211; programa de inclus\u00e3o digital de adultos &#8211; as vantagens esperadas s\u00e3o a forma\u00e7\u00e3o de 1.000.000 de adultos infoexclu\u00eddos at\u00e9 2023. Ao refletir sobre este ponto tamb\u00e9m dificilmente se consegue perceber a dimens\u00e3o do problema em causa. Qual \u00e9 a percentagem da popula\u00e7\u00e3o portuguesa digitalmente exclu\u00edda? Como n\u00e3o se quantifica o universo a abranger n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel monitorizar e responsabilizar. Por fim, relativamente \u00e0 medida 4 &#8211; tarifa social do acesso a servi\u00e7os da Internet &#8211; nada \u00e9 quantificado. N\u00e3o havendo uma adequada express\u00e3o num\u00e9rica que sirva de modelo de compara\u00e7\u00e3o, como \u00e9 poss\u00edvel fazer monitoriza\u00e7\u00e3o e responsabiliza\u00e7\u00e3o dos agentes?<br \/>\nN\u00e3o \u00e9 horripilante que o volume de investimento &#8211; 2.460 milh\u00f5es de euros &#8211; para a digitaliza\u00e7\u00e3o, inclu\u00eddo no PRR, n\u00e3o seja objeto de uma adequada avalia\u00e7\u00e3o de desempenho? Esta problem\u00e1tica, por\u00e9m, parece n\u00e3o interessar \u00e0 generalidade dos portugueses. De facto, h\u00e1 cada vez, mais vozes a convencer e a mentalizar a popula\u00e7\u00e3o de que Portugal n\u00e3o pode correr o risco de desperdi\u00e7ar as verbas da digitaliza\u00e7\u00e3o. O que significa que, independentemente da qualidade dos projetos, as verbas s\u00e3o para usar, gastar, desperdi\u00e7ar, esbanjar, malbaratar, sem qualquer benchmark, custos de oportunidade ou an\u00e1lise custo-benef\u00edcio associada.<br \/>\nComo s\u00f3 sabemos vagamente qual \u00e9 o retorno esperado, os \u201cinvestimentos\u201d digitais acabar\u00e3o por ser uma \u201cFesta\u201d, palavra utilizada por uma antiga ministra da educa\u00e7\u00e3o, que, por acaso, atualmente, \u00e9 reitora do Instituto Universit\u00e1rio de Lisboa, vulgo ISCTE, para justificar os m\u00faltiplos, ineficazes e n\u00e3o justificados investimentos \u2013 gastos \u2013 em escolas p\u00fablicas, quando era respons\u00e1vel pelo setor. Ser\u00e1 este o caminho a percorrer?<br \/>\nOs gastos digitais v\u00e3o ter um tratamento id\u00eantico aos gastos escolares? Se for, ser\u00e3o considerados, na \u00f3tica econ\u00f3mica, como afundados (sunk costs), ou seja, custos irrecuper\u00e1veis, o que quer dizer que n\u00e3o servir\u00e3o para nada.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Opini\u00e3o de Marques de Almeida.<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":228115,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"footnotes":""},"categories":[31,5],"tags":[7946,100],"class_list":["post-239535","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-geral","category-opiniao","tag-marquesdealmeida","tag-opiniao"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/239535","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=239535"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/239535\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=239535"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=239535"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=239535"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}