{"id":240041,"date":"2022-06-08T11:35:06","date_gmt":"2022-06-08T10:35:06","guid":{"rendered":"https:\/\/www.asbeiras.pt\/?p=240041"},"modified":"2022-06-08T11:35:06","modified_gmt":"2022-06-08T10:35:06","slug":"opiniao-muitas-razoes-para-visitar-a-anozero-bienal-de-arte-contemporanea-de-coimbra","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/opiniao-muitas-razoes-para-visitar-a-anozero-bienal-de-arte-contemporanea-de-coimbra\/","title":{"rendered":"Opini\u00e3o: &#8220;Muitas raz\u00f5es para visitar a AnoZero Bienal de Arte Contempor\u00e2nea de Coimbra&#8221;"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/www.asbeiras.pt\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/jose-antonio-bandeirinha.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-230069\" src=\"https:\/\/www.asbeiras.pt\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/jose-antonio-bandeirinha.jpg\" alt=\"\" width=\"2500\" height=\"1308\" \/><\/a><\/p>\n<p>Est\u00e1 em plena actividade a quinta edi\u00e7\u00e3o da AnoZero, Bienal de Arte Contempor\u00e2nea de Coimbra. A primeira realizou-se em 2015, experimental, como todas as iniciativas de abertura, logo deixou campo aberto \u00e0s que se lhe seguiram, em 2017, 2019, uma edi\u00e7\u00e3o intercalar em 2020, e a presente, em 2021-22, devido \u00e0s interrup\u00e7\u00f5es da pandemia.<br \/>\nA Bienal tem-se desenvolvido por v\u00e1rios espa\u00e7os da cidade, mas sempre teve o imponente Convento de Santa Clara-a-Nova como n\u00facleo central, este ano n\u00e3o foi excep\u00e7\u00e3o. Comecemos, portanto, por a\u00ed. Quase tr\u00eas dezenas de artistas exp\u00f5em naquele espa\u00e7o. Mencionarei apenas algumas obras, deixarei muitas outras por referir, injustamente, entenda-se. A exposi\u00e7\u00e3o preenche todos os espa\u00e7os do convento do s\u00e9culo XVII, bem como os anexos e os espa\u00e7os exteriores, usados ao longo de d\u00e9cadas como depend\u00eancias das instala\u00e7\u00f5es militares que o ocuparam. A artista Elisabetta Benassi aproveita os colossais 160 metros da ala das celas para nos emocionar com um di\u00e1logo ficcional em morse, de uma ponta a outra do corredor central, entre os poetas Pier Paolo Pasolini e Sandro Penna. Um pouco por todo o lado, ao longo da exposi\u00e7\u00e3o, podemos admirar as inebriantes f\u00e1bulas cer\u00e2micas da escultora senegalesa Seni Awa Camara. T\u00e3o potentes s\u00e3o, do ponto de vista comunicacional, que fiquei a pensar que, se estivessem juntas num s\u00f3 espa\u00e7o, teriam um impacto avassalador. Marcante \u00e9 tamb\u00e9m a instala\u00e7\u00e3o de Jesse Darling no piso superior, incidindo sobre as grilhetas da burocracia que cada um de n\u00f3s, humanos, de uma forma ou de outra, arrasta ao longo da vida. Ou a de Lygia Pape, suaves jogos tridimensionais no \u00e1trio das escadas centrais do corredor.<br \/>\nJ\u00e1 fora do espa\u00e7o do convento, nas antigas instala\u00e7\u00f5es militares, podemos ver e ouvir diversas pe\u00e7as e instala\u00e7\u00f5es. De entre essas, focar-me-ei na de Carlos Bunga, t\u00e3o intensa que n\u00e3o conseguirei nunca descrever em t\u00e3o poucas linhas. Ou nas as instala\u00e7\u00f5es sonoras do coletivo Musa paradis\u00edaca e do artista Yoan Sorin, a primeira mais subtil, a segunda mais intensa, mas ambas fortes e penetrantes.<br \/>\nPodemos assim novamente percorrer o convento real de Santa Clara-a-Nova, deixando a colossal monumentalidade impelir ao triste pensamento que a Coimbra contempor\u00e2nea n\u00e3o consegue honrar a escala do seu passado, o que nos sugere sempre este confort\u00e1vel e inerte sentido de decad\u00eancia. A sua utiliza\u00e7\u00e3o art\u00edstica e cultural, por\u00e9m, acalenta-nos nessa condi\u00e7\u00e3o e, simultaneamente, torna mais desconfort\u00e1vel o decadentismo, alerta-nos para a vida. Avisa-nos que a utiliza\u00e7\u00e3o daquele espa\u00e7o dever\u00e1, na sua ess\u00eancia, ficar de agora em diante ligada a esta nobreza art\u00edstica e cultural.<br \/>\nMas o espa\u00e7o da Bienal n\u00e3o se confina a Santa Clara-a-Nova, estende-se por todo o centro da cidade. As galerias do C\u00edrculo de Artes Pl\u00e1sticas, a C\u00edrculo Sede com as pe\u00e7as de Mary Beth Edelson e de Meris Angioletti, entre outras; a C\u00edrculo Sereia, com uma curadoria colectiva em volta de um filme marcante, que emociona pela imagem tanto quanto pelo conte\u00fado; a Estufa Fria do Jardim Bot\u00e2nico, com uma instala\u00e7\u00e3o site specific de Diana Policarpo; e o Teatro da Cerca de S\u00e3o Bernardo, que aloja uma performance de Ana Pi, hoje mesmo, \u00e0s 19h00.<br \/>\nA Bienal AnoZero \u00e9 uma aposta ganha, \u00e9 uma iniciativa cultural consolidada, com repercuss\u00f5es nacionais e internacionais. N\u00e3o lhe pode acontecer o que aconteceu a tantas outras apostas ganhas, a tantas outras iniciativas culturais da cidade, que tiveram os seus tempos \u00e1ureos e se esvaneceram com o tempo. Esperemos que as entidades oficiais e privadas que a apoiam, bem como os parceiros institucionais que colaboram na organiza\u00e7\u00e3o e na produ\u00e7\u00e3o, saibam, em conjunto, garantir a esta iniciativa melhores condi\u00e7\u00f5es de estabilidade e, consequentemente, de crescimento.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Opini\u00e3o de Jos\u00e9 Ant\u00f3nio Bandeirinha. <\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":230069,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"footnotes":""},"categories":[31,5],"tags":[8626],"class_list":["post-240041","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-geral","category-opiniao","tag-opiniao-de-jose-antonio-bandeirinha"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/240041","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=240041"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/240041\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=240041"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=240041"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=240041"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}