{"id":240610,"date":"2022-06-17T09:30:56","date_gmt":"2022-06-17T08:30:56","guid":{"rendered":"https:\/\/www.asbeiras.pt\/?p=240610"},"modified":"2022-06-17T09:30:56","modified_gmt":"2022-06-17T08:30:56","slug":"opiniao-a-mesa-com-portugal-inferno-purgatorio-e-ceu","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/opiniao-a-mesa-com-portugal-inferno-purgatorio-e-ceu\/","title":{"rendered":"Opini\u00e3o: &#8220;\u00c0 Mesa com Portugal \u2013 Inferno, Purgat\u00f3rio e C\u00e9u&#8221;"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/www.asbeiras.pt\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/Olga-Cavaleiro.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-206624\" src=\"https:\/\/www.asbeiras.pt\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/Olga-Cavaleiro.jpg\" alt=\"\" width=\"1200\" height=\"628\" \/><\/a><\/p>\n<p>Vivemos com alguma inclem\u00eancia com a alimenta\u00e7\u00e3o. Queremos encontrar o C\u00e9u, mas na maioria das vezes fritamos no Inferno ou remoemos no Purgat\u00f3rio. Sentimos o sabor agridoce do pecado pelo muito que comemos ou, simplesmente, pelo que comemos. Em regime alimentar permanente, queremos \u00e0 for\u00e7a encontrar o ponto de equil\u00edbrio que nos permita aliviar da culpa.<br \/>\nEstamos em guerra com o que comemos. Isso \u00e9 certo. Regateamos mentalmente a quantidade de comida que comemos. Hesitamos na segunda dose, comemos devagar e pausadamente para que a quantidade n\u00e3o seja a que desej\u00e1vamos. Inventamos truques para evitar o exagero. Compramos produtos que nos tiram a fome ou alimentos que nos saciam sem necessidade de tanta quantidade. Solu\u00e7\u00f5es n\u00e3o faltam. \u00c9 um Purgat\u00f3rio constante, aquele em que vivemos. Eu c\u00e1 atrevo-me a dizer que nos falta sentir a fome. Se temos tanta dificuldade em lidar com a abund\u00e2ncia porque n\u00e3o regressar ao ponto da fome para perceber o que devemos ou n\u00e3o comer? Sentir o apetite e evitar comer por repeti\u00e7\u00e3o, pelo h\u00e1bito, pela refei\u00e7\u00e3o que marca a hora.<br \/>\nMas n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 a abund\u00e2ncia que nos faz estar em guerra com o que comemos. Tamb\u00e9m sentimos culpa pelo que escolhemos comer. A prote\u00edna animal pesa-nos pelo sofrimento que infligimos aos animais. Mas \u00e9 claro que neste cap\u00edtulo, aflige-nos muito mais alguns animais do que outros. Entre a vaca e a galinha, sacrificamos mais facilmente esta \u00faltima como se a sua morte n\u00e3o pesasse tanto na escala do sofrimento animal.<br \/>\nMas, seja de maneira for, l\u00e1 vem a culpa e logo estamos com um p\u00e9 no Inferno. De comermos as vacas, as cabras, as ovelhas, o porco. \u00c9 uma m\u00e1goa que arrastamos junto \u00e0 nossa moral e \u00e9tica. De tal modo que nos esquecemos como estes s\u00e3o temas discutidos desde a Antiguidade Cl\u00e1ssica.<br \/>\nTalvez a solu\u00e7\u00e3o passe por recusarmos a abund\u00e2ncia. Aquela que est\u00e1 em todo o lado, da publicidade \u00e0s lojas. Aquela que queremos trazer pela casa para encher o frigor\u00edfico e a despensa como se n\u00e3o houvesse amanh\u00e3. E n\u00e3o, n\u00e3o precisamos de inventar mais para comermos mais. N\u00e3o precisamos de andar a jogar \u00e0s escondidas com a comida at\u00e9 ela apodrecer sem rem\u00e9dio no frigor\u00edfico. N\u00e3o precisamos fugir aos alimentos que nos arrastam a alma para as profundezas do Inferno. Precisamos entender porque comemos. Qual a raz\u00e3o de nos alimentarmos e como escolhemos o que comemos. Para isso, nas nossas escolhas necessitamos de entender o valor dos alimentos para al\u00e9m da produ\u00e7\u00e3o intensiva. Se o fizermos n\u00e3o precisamos dos truques da moda para chegarmos ao C\u00e9u. A viagem ser\u00e1 gratuita e sem pecado.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Opini\u00e3o de Olga Cavaleiro.<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"footnotes":""},"categories":[31,5],"tags":[8781],"class_list":["post-240610","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-geral","category-opiniao","tag-opiniao-de-olga-cavaleiro"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/240610","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=240610"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/240610\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=240610"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=240610"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=240610"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}