{"id":240686,"date":"2022-06-20T18:09:33","date_gmt":"2022-06-20T17:09:33","guid":{"rendered":"https:\/\/www.asbeiras.pt\/?p=240686"},"modified":"2022-06-20T18:09:33","modified_gmt":"2022-06-20T17:09:33","slug":"opiniao-macaquinhos-de-imitacao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/opiniao-macaquinhos-de-imitacao\/","title":{"rendered":"Opini\u00e3o: &#8220;Macaquinhos de imita\u00e7\u00e3o&#8221;"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/www.asbeiras.pt\/wp-content\/uploads\/2021\/01\/Pio-Abreu-opi.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-208713\" src=\"https:\/\/www.asbeiras.pt\/wp-content\/uploads\/2021\/01\/Pio-Abreu-opi.jpg\" alt=\"\" width=\"1200\" height=\"628\" \/><\/a><\/p>\n<p>Se visitar um jardim zool\u00f3gico e atirar uma pedra a um macaco, abrigue-se bem porque \u00e9 poss\u00edvel que ele lha devolva e o possa atingir. Est\u00e1 atitude n\u00e3o \u00e9 surpreendente. Toda a gente sabe que os macacos se imitam entre si e tamb\u00e9m imitam os humanos, com quem eles acham parecen\u00e7as. Eles s\u00e3o \u201cmacaquinhos de imita\u00e7\u00e3o\u201d. E agora se lhe disser que os maiores macaquinhos de imita\u00e7\u00e3o s\u00e3o mesmo os humanos? Talvez n\u00e3o acredite, mas \u00e9 verdade.<br \/>\nDesde o primeiro dia de vida, os rec\u00e9m-nascidos imitam os trejeitos da boca dos pais. Para al\u00e9m de satisfazerem as suas necessidades b\u00e1sicas, chorarem por elas e explorarem o ambiente, as crian\u00e7as passam o seu tempo a imitar, assim encontrem um modelo dispon\u00edvel. \u00c9 esta capacidade que lhes permite a sobreviv\u00eancia e, simultaneamente, as torna humanas. Passado um m\u00eas, a crian\u00e7a est\u00e1 a representar, ou seja, a reproduzir um gesto que j\u00e1 imitou, mas na aus\u00eancia do modelo e sobretudo quando a crian\u00e7a deseja a presen\u00e7a do modelo. Ou seja, quando uma coisa do mundo lhe falta, a crian\u00e7a representa-a com o seu corpo. O exemplo mais t\u00edpico, \u00e9 o dedo em vez do mamilo da m\u00e3e. \u00c9 assim que ela inicia a sua linguagem, antes mesmo que possa falar. Mais tarde, transferir\u00e1 os movimentos do seu corpo para a linguagem falada.<br \/>\nA aquisi\u00e7\u00e3o da linguagem para comunicar e conhecer o mundo \u00e9 ainda uma das quest\u00f5es mal entendidas pelas Neuroci\u00eancias. Se quisermos simplificar a quest\u00e3o, n\u00e3o h\u00e1 como rever os escritos de Jean Piaget, que estudou as brincadeiras dos seus pr\u00f3prios filhos. Para ele, a imita\u00e7\u00e3o completa-se com o jogo, que consiste no uso dos objectos do mundo. \u00c9 nesta divertida din\u00e2mica, entre imita\u00e7\u00e3o e jogo, que a linguagem, inicialmente n\u00e3o-verbal, se desenvolve de um modo flex\u00edvel e vai adquirindo os seus significados. A crian\u00e7a brinca com os outros e com os objectos do mundo, mas tamb\u00e9m brinca com as representa\u00e7\u00f5es que o seu pr\u00f3prio corpo produz, o que prenuncia o pensamento.<br \/>\nAo longo da vida, o poder da imita\u00e7\u00e3o n\u00e3o desaparece. Imitamos os outros, imitamos o que vimos ou ouvimos, e imitamos o que lemos. Quando Goethe publicou o seu livro \u201cA Paix\u00e3o do Jovem Werther\u201d, descrevendo um apaixonado que acaba por se suicidar, seguiu-se uma onda de suic\u00eddios por toda a Europa, conhecida como o \u201cefeito Werther\u201d. \u00c9 por isso que a comunica\u00e7\u00e3o social evita divulgar os suic\u00eddios. Essa parece ser a \u00fanica regra que limita os conselhos de redac\u00e7\u00e3o na divulga\u00e7\u00e3o de not\u00edcias nefastas. Mas ficam por aqui. Na sua \u00e2nsia de conquistar as audi\u00eancias atrav\u00e9s do ins\u00f3lito e do apelo \u00e0s emo\u00e7\u00f5es, n\u00e3o existem mais limites \u00e0 divulga\u00e7\u00e3o das trag\u00e9dias. O crime, a viol\u00eancia e, agora, a guerra e os tiroteios em massa, ocupam as primeiras p\u00e1ginas dos jornais mais popularuchos, enquanto o segundo ecr\u00e3 das televis\u00f5es repete obsediantemente as imagens mais tr\u00e1gicas enquanto os comentadores v\u00e3o discorrendo.<br \/>\nOs resultados s\u00e3o vis\u00edveis. A viol\u00eancia real propaga-se, \u00e9 reflectida pela comunica\u00e7\u00e3o social e volta a propagar-se. Os jornalistas, sem qualquer escr\u00fapulo, alimentam este c\u00edrculo. O perigoso conte\u00fado das mensagens contrasta com o ar inocente dos (ou das) jornalistas que o transmitem.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Opini\u00e3o de Pio Abreu<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":208713,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"footnotes":""},"categories":[31,5],"tags":[8803],"class_list":["post-240686","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-geral","category-opiniao","tag-opiniao-de-pio-abreu"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/240686","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=240686"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/240686\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=240686"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=240686"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=240686"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}