{"id":241225,"date":"2022-06-27T12:12:58","date_gmt":"2022-06-27T11:12:58","guid":{"rendered":"https:\/\/www.asbeiras.pt\/?p=241225"},"modified":"2022-06-27T12:12:58","modified_gmt":"2022-06-27T11:12:58","slug":"opiniao-juros-juro-que-nao-era-isto-que-necessitavamos-agora","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/opiniao-juros-juro-que-nao-era-isto-que-necessitavamos-agora\/","title":{"rendered":"Opini\u00e3o: &#8220;Juros. Juro que n\u00e3o era isto que necessit\u00e1vamos agora&#8221;"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/www.asbeiras.pt\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/Christophe-Coimbra-opi.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-213596\" src=\"https:\/\/www.asbeiras.pt\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/Christophe-Coimbra-opi.jpg\" alt=\"\" width=\"1200\" height=\"628\" \/><\/a><\/p>\n<p>Segundo os dados mais recentes do Eurostat, a infla\u00e7\u00e3o na Zona Euro situou-se nos 8,1% em Maio, aumentado mais 0,7 pontos percentuais face ao m\u00eas de Abril. Se alargarmos a an\u00e1lise aos pa\u00edses da Uni\u00e3o Europeia, esse valor agrava para os 9%.<br \/>\nSegundo os especialistas em quest\u00f5es financeiras, uma das ac\u00e7\u00f5es que urge tomar para controlar a infla\u00e7\u00e3o \u00e9 o acesso dos consumidores ao dinheiro. Se h\u00e1 poder de compra e acesso ao dinheiro, isso traduzir-se-\u00e1 em continuada procura que faz, naturalmente, aumentar os pre\u00e7os. Em resumo, mais dinheiro na economia alimentar\u00e1 a infla\u00e7\u00e3o. Tamb\u00e9m segundo os especialistas, uma infla\u00e7\u00e3o \u00e0 ordem dos 2% \u00e9 considerada ideal. Ora, neste momento ultrapassa esse valor em mais de 4 vezes.<br \/>\nSendo certo que alguma coisa ter\u00e1 que ser feita para controlar este crescimento desenfreado, o BCE divulgou que ir\u00e1 proceder ao ajustamento da taxa de juro directora (que est\u00e1 em 0% desde 2016), para 0,25% em Julho e que poder\u00e1 chegar aos 0,75% em Setembro. \u00c9 certo que a taxa directora far\u00e1 um caminho de subida, o dif\u00edcil \u00e9 quantificar ou marcar limites. Parece \u00f3bvio que quanto maiores forem as press\u00f5es inflacionistas, mais o BCE ter\u00e1 de agravar o custo do dinheiro. Ora se agrava o custo do dinheiro, a consequ\u00eancia directa ser\u00e1 que quem mais vai sofrer s\u00e3o os que neste momento mais devem. E como \u00e9 que Portugal est\u00e1 neste aspecto? Mal, evidentemente. Somos cr\u00f3nicos devedores. Cr\u00f3nicos devedores com capacidade para definir constantemente novos m\u00e1ximos de d\u00edvida.<br \/>\nCom a divulga\u00e7\u00e3o recente dos dados do endividamento da economia portuguesa (para o m\u00eas de Abril) pelo Banco de Portugal (BdP), percebemos que o aumento de d\u00edvida do Estado, das empresas n\u00e3o financeiras e das fam\u00edlias, continua: 782,5 mil milh\u00f5es de euros. Mais 5 mil milh\u00f5es de euros face ao m\u00eas anterior. N\u00e3o ser\u00e1 dif\u00edcil tirar a conclus\u00e3o que um agravar das taxas de juro (e tendo em conta que a % de cr\u00e9dito contratados com taxa fixa \u00e9 residual) trar\u00e1 mais uma dificuldade clara com que todos (estado, empresas e fam\u00edlias) teremos que lidar.<br \/>\nCentremo-nos nas empresas: tamb\u00e9m segundo os dados do BdP, o endividamento das empresas privadas cresceu 4,4% face ao mesmo m\u00eas do ano passado. Se no per\u00edodo mais cr\u00edtico da pandemia de Covid-19, uma das principais solu\u00e7\u00f5es apresentadas pela nossa governa\u00e7\u00e3o para combater a redu\u00e7\u00e3o dr\u00e1stica da actividade econ\u00f3mica foi a cria\u00e7\u00e3o de linhas de cr\u00e9dito, para que a empresas mantivessem a capacidade de fazer face \u00e0s suas despesas, tamb\u00e9m neste momento, por consequ\u00eancia de um mercado com problemas na cadeia de fornecimento e o acr\u00e9scimo desenfreado dos pre\u00e7os, h\u00e1 a necessidade de fortalecer a tesouraria de muitas empresas com recurso a cr\u00e9dito, para que a capacidade financeira n\u00e3o se reduzisse ao ponto de n\u00e3o permitir a continuidade das opera\u00e7\u00f5es de labora\u00e7\u00e3o. Agora surge mais um problema: a solu\u00e7\u00e3o (financiar) torna-se ela pr\u00f3pria um problema adicional. Mais d\u00edvida vai significar ainda mais despesa e consequ\u00eancia \u00f3bvia, menos margem.<br \/>\nFace a toda esta problem\u00e1tica e deparando-nos com este \u201cciclo aparentemente viciado\u201d em que uma solu\u00e7\u00e3o parece induzir um problema, do ponto de vista das empresas o que \u00e9 que podemos fazer? A resposta \u00e9 simples: produtividade. Torna-se ainda mais importante conseguir fazer mais com menos e aqui s\u00e3o os colaboradores de cada empresa que poder\u00e3o fazer a diferen\u00e7a. Comprar mais barato est\u00e1 muito dif\u00edcil, financiar mais barato vemos agora que \u00e9 imposs\u00edvel, o aumento de pre\u00e7os \u00e9 o que temos que combater e os pre\u00e7os para o consumidor, esses j\u00e1 est\u00e3o ridiculamente elevados. E o que \u00e9 que sobra?<br \/>\nJuros \u00e0 parte. Juro que s\u00f3 me parece sobrar o que de melhor as empresas podem ter, os seus colaboradores. Que esses nos ajudem a superar mais este desafio.<\/p>\n<p>*Por decis\u00e3o pessoal, o autor do texto n\u00e3o escreve segundo o novo Acordo Ortogr\u00e1fico.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Opini\u00e3o de Christophe Coimbra <\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":213596,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"footnotes":""},"categories":[31,5],"tags":[8947],"class_list":["post-241225","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-geral","category-opiniao","tag-opiniao-de-christophe-coimbra"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/241225","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=241225"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/241225\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=241225"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=241225"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=241225"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}