{"id":241580,"date":"2022-07-01T12:31:04","date_gmt":"2022-07-01T11:31:04","guid":{"rendered":"https:\/\/www.asbeiras.pt\/?p=241580"},"modified":"2022-07-01T12:31:04","modified_gmt":"2022-07-01T11:31:04","slug":"opiniao-a-mesa-com-portugal-do-autentico-a-copia-bastarda","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/opiniao-a-mesa-com-portugal-do-autentico-a-copia-bastarda\/","title":{"rendered":"Opini\u00e3o: &#8220;\u00c0 Mesa com Portugal \u2013 do aut\u00eantico \u00e0 c\u00f3pia bastarda&#8221;"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/www.asbeiras.pt\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/Olga-Cavaleiro.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-206624\" src=\"https:\/\/www.asbeiras.pt\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/Olga-Cavaleiro.jpg\" alt=\"\" width=\"1200\" height=\"628\" \/><\/a><\/p>\n<p>O que mais temos na defesa dos produtos gastron\u00f3micos \u00e9 os munic\u00edpios a baterem o p\u00e9 fazendo juras de que o seu produto \u00e9 aut\u00eantico, genu\u00edno e \u00fanico. E para fazerem jus \u00e0 sua verdade, quase sempre v\u00e3o buscar uma senhora velhinha que ainda faz determinado produto segundo a tradi\u00e7\u00e3o e, perante as c\u00e2maras e jornalistas, apresentam-na como detentora do saber, da arte culin\u00e1ria sem exce\u00e7\u00e3o. Vista como o \u00faltimo reduto de uma arte em vias de extin\u00e7\u00e3o, \u00e9 sentada no pedestal da verdade imaculada nunca manchada pelo abastardamento.<br \/>\nEsse \u00e9 um romantismo que enternece o cora\u00e7\u00e3o e amolece os sentimentos. Mas \u00e9 mesmo s\u00f3 uma vers\u00e3o rom\u00e2ntica de um tempo tido como intoc\u00e1vel, mais pela nossa necessidade de conforto, que pela verdade em si. \u00c9 que, na maioria das vezes, o desvio \u00e0 verdade mora no que \u00e9 tido como \u00fanico. Essas senhoras, tidas como guardi\u00e3s da verdade, em muitos casos, s\u00e3o apenas pessoas que de uma forma ou de outra estiveram pr\u00f3ximas de quem detinha o saber-fazer e, por for\u00e7a das circunst\u00e2ncias, acabaram a fazer aquele produto. Na maioria dos casos, mais por necessidade, do que por voca\u00e7\u00e3o ou saber.<br \/>\nE, para mal dos nossos pecados, muitos dos produtos passaram de umas m\u00e3os para as outras sem que a informa\u00e7\u00e3o fosse esclarecidamente partilhada e generosamente recebida. Umas m\u00e3os foram mais cuidadosas, outras nem por isso. Umas foram mais criativas (que os produtos tamb\u00e9m evoluem) e contribu\u00edram para o respirar do produto, outras nem por isso. Certo \u00e9 que, depois de passar de m\u00e3o em m\u00e3o, nem sempre o que estamos a comer corresponde \u00e0 ideia cristalizada do moralmente aut\u00eantico. \u00c0s vezes, \u00e9 s\u00f3 a vers\u00e3o que chegou at\u00e9 n\u00f3s. Pode ser melhor, pode ser pior, n\u00e3o interessa. Rid\u00edculo \u00e9 n\u00f3s olharmos para ela como a \u201ctradi\u00e7\u00e3o\u201d nunca corrompida, a receita \u201coriginal\u201d.<br \/>\n\u00c9 que essa atitude tolda a nossa vis\u00e3o porque ficamos agarrados a um tempo que parece im\u00f3vel, a um sabor que parece imut\u00e1vel, quando, na verdade, tudo mudou de uma gera\u00e7\u00e3o para a outra e o que agora se glorifica seria, ao tempo da pr\u00e1tica primeira, uma c\u00f3pia mal parida e defeituosa. Mas, o tempo \u00e9 ganancioso e prega-nos partidas. A um tempo \u00e9 v\u00edtima, no outro \u00e9 gl\u00f3ria. E eu quando olho para muitos dos nossos doces penso no que seria a arte, a receita, o sabor, antes de ter passado de m\u00e3os. Muitas, sem d\u00favida, receberam uma melhoria, outras s\u00e3o apenas ideias que se adaptaram, ora \u00e0 escassez dos ingredientes ou \u00e0 pregui\u00e7a dos procedimentos. Se o que digo parece absurdo, olhem as pinturas de Josefa d\u2019\u00d3bidos e vejam a beleza da do\u00e7aria que, na verdade, n\u00e3o chegou at\u00e9 n\u00f3s. A perfei\u00e7\u00e3o ficou pelo caminho e n\u00f3s, hoje, preferimos o saudosismo est\u00e9ril que a verdade que nos pode salvar. A n\u00f3s e \u00e0 maioria dos nossos produtos.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Opini\u00e3o de Olga Cavaleiro<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"footnotes":""},"categories":[31,5],"tags":[8781],"class_list":["post-241580","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-geral","category-opiniao","tag-opiniao-de-olga-cavaleiro"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/241580","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=241580"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/241580\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=241580"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=241580"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=241580"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}