{"id":241930,"date":"2022-07-06T11:16:30","date_gmt":"2022-07-06T10:16:30","guid":{"rendered":"https:\/\/www.asbeiras.pt\/?p=241930"},"modified":"2022-07-06T11:16:30","modified_gmt":"2022-07-06T10:16:30","slug":"opiniao-cidades-sustentaveis-a-melhor-forma-de-prever-o-futuro-e-ter-engenho-para-o-construir","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/opiniao-cidades-sustentaveis-a-melhor-forma-de-prever-o-futuro-e-ter-engenho-para-o-construir\/","title":{"rendered":"Opini\u00e3o: &#8220;Cidades sustent\u00e1veis \u2013 a melhor forma de prever o futuro \u00e9 ter engenho para o construir&#8221;"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/www.asbeiras.pt\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/Joao-Bigotte.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-205680\" src=\"https:\/\/www.asbeiras.pt\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/Joao-Bigotte.jpg\" alt=\"\" width=\"1200\" height=\"628\" \/><\/a><\/p>\n<p>\u00c9 amplamente reconhecido que o combate \u00e0s altera\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas \u00e9 o grande desafio global que se nos coloca. J\u00e1, hoje, agora! \u00c9 tamb\u00e9m sabido que, enquanto humanidade, n\u00e3o conseguiremos vencer este desafio, sem cidades sustent\u00e1veis. E n\u00e3o ser\u00e1 poss\u00edvel construir melhores cidades, sem as engenharias, que possuem o conhecimento t\u00e9cnico indispens\u00e1vel e a capacidade efetiva de concretiza\u00e7\u00e3o.<br \/>\nAtualmente, as cidades concentram mais de metade dos 7,7 mil milh\u00f5es de habitantes do planeta e as atividades nelas desenvolvidas produzem 75% dos gases de efeito de estufa. Acresce que a tend\u00eancia para o aumento cont\u00ednuo da popula\u00e7\u00e3o urbana, prevista pela ONU, poder\u00e1 \u201cagravar\u201d estes n\u00fameros. Assim, n\u00e3o ser\u00e1 poss\u00edvel alcan\u00e7ar a t\u00e3o desejada descarboniza\u00e7\u00e3o e, consequentemente, abrandar as altera\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas, sem descarbonizar as cidades e as atividades que nelas t\u00eam lugar \u2013 desde os edif\u00edcios aos transportes, entre outros.<br \/>\nNeste contexto, tr\u00eas conceitos diferentes mas interdependentes ganham relev\u00e2ncia \u2013 o de smart city (i.e., cidade inteligente), o de metabolismo urbano, e o de cidade sustent\u00e1vel.<br \/>\nO conceito de smart city tem origem em outros conceitos semelhantes como digital city ou wired city, e adotou, no seu in\u00edcio, uma perspetiva (demasiado) tecnol\u00f3gica das cidades. Como a tecnologia \u00e9 um meio para atingir um fim, e n\u00e3o (deve ser) um fim em si pr\u00f3pria, o conceito de smart city tem progressivamente vindo a incorporar um lado \u201cmais humano\u201d. Uma smart city define-se pela utiliza\u00e7\u00e3o intensiva das novas tecnologias de informa\u00e7\u00e3o e comunica\u00e7\u00e3o no sensoriamento, na obten\u00e7\u00e3o e partilha de dados abertos, na cria\u00e7\u00e3o de conhecimento a partir desses dados e na comunica\u00e7\u00e3o\/visualiza\u00e7\u00e3o dessa informa\u00e7\u00e3o, para apoiar a gest\u00e3o e a efici\u00eancia do ambiente urbano.<br \/>\nEsta capacidade de an\u00e1lise que uma smart city possui \u00e9 fundamental para conhecer o metabolismo urbano. Ou seja, para entender com profundidade os elementos (edif\u00edcios, infraestruturas, etc.) e os fluxos (de pessoas, bens, \u00e1gua, energia, etc.) que s\u00e3o gerados, atra\u00eddos e\/ou transformados diariamente numa cidade (resultando na cria\u00e7\u00e3o de valor mas tamb\u00e9m em res\u00edduos, emiss\u00f5es nocivas, etc.), como se de um verdadeiro organismo se tratasse. Por sua vez, quanto melhor for o nosso conhecimento do metabolismo urbano, melhor ser\u00e1, em princ\u00edpio, a gest\u00e3o e a tomada de decis\u00e3o com vista \u00e0 transforma\u00e7\u00e3o destes \u201corganismos urbanos\u201d em cidades realmente sustent\u00e1veis.<br \/>\nOu seja, uma cidade pode ser inteligente em v\u00e1rias \u00e1reas \u2013 no ambiente (energia, \u00e1gua e qualidade do ar), na mobilidade e log\u00edstica urbana, no ambiente constru\u00eddo e na viv\u00eancia urbana, na educa\u00e7\u00e3o e forma\u00e7\u00e3o, na economia, e na governan\u00e7a \u2013 mas isso apenas valer\u00e1 a pena se essa intelig\u00eancia e esse conhecimento do metabolismo urbano forem devidamente usados para promover a sustentabilidade das atividades urbanas e a qualidade de vida dos cidad\u00e3os.<br \/>\nAs cidades poder\u00e3o ent\u00e3o adotar vis\u00f5es estrat\u00e9gicas de futuro que passem por promover e facilitar a ado\u00e7\u00e3o de novas tecnologias, nomeadamente de sensoriamento e modela\u00e7\u00e3o da cidade, como forma de se tornarem mais sustent\u00e1veis e \u201cmais humanas\u201d, atrav\u00e9s da melhoria da qualidade ambiental, da acessibilidade, dos espa\u00e7os urbanos e edif\u00edcios, da intera\u00e7\u00e3o e desenvolvimento colaborativo, e da qualidade de vida em geral, com o prop\u00f3sito de se diferenciarem e competirem na atra\u00e7\u00e3o de pessoas, de capital e de empresas. Para que seja poss\u00edvel implementar este tipo de des\u00edgnio, \u00e9 fundamental voltar a promover e a valorizar as engenharias em Portugal. E, de entre as v\u00e1rias engenharias, h\u00e1 duas que se destacam claramente neste contexto \u2013 a engenharia civil e a engenharia do ambiente. S\u00e3o estas as engenharias que se ocupam do planeamento, do dimensionamento, da constru\u00e7\u00e3o, da gest\u00e3o e da manuten\u00e7\u00e3o quer dos edif\u00edcios onde residimos e trabalhamos, quer das grandes infraestruturas (estradas, pontes, aeroportos, etc.), bem como das redes e sistemas fundamentais (de abastecimento e tratamento de \u00e1gua, de transportes p\u00fablicos, etc.).<br \/>\nN\u00e3o haver\u00e1 futuro para a humanidade sem cidades sustent\u00e1veis. E n\u00e3o haver\u00e1 cidades sustent\u00e1veis sem as ci\u00eancias, as tecnologias e as engenharias. Numa altura em que muitos dos nossos jovens s\u00e3o chamados a decidir sobre o seu futuro educativo \u2013 no ensino secund\u00e1rio e no ensino superior \u2013 por que n\u00e3o optar por verdadeiramente construir o futuro? Afinal de contas, a melhor forma de prever o futuro, n\u00e3o \u00e9 tentar adivinh\u00e1-lo, mas sim constru\u00ed-lo.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Opini\u00e3o de Jo\u00e3o Bigotte<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":205680,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"footnotes":""},"categories":[31,5],"tags":[8627],"class_list":["post-241930","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-geral","category-opiniao","tag-opiniao-de-joao-bigotte"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/241930","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=241930"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/241930\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=241930"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=241930"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=241930"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}