{"id":242427,"date":"2022-07-14T11:35:35","date_gmt":"2022-07-14T10:35:35","guid":{"rendered":"https:\/\/www.asbeiras.pt\/?p=242427"},"modified":"2022-07-14T11:35:35","modified_gmt":"2022-07-14T10:35:35","slug":"opiniao-o-estertor-do-negacionismo-climatico","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/opiniao-o-estertor-do-negacionismo-climatico\/","title":{"rendered":"Opini\u00e3o: O Estertor do Negacionismo Clim\u00e1tico?"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/www.asbeiras.pt\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/Mario-Reis-opi.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-medium wp-image-208421\" src=\"https:\/\/www.asbeiras.pt\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/Mario-Reis-opi-300x157.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"157\" \/><\/a><\/p>\n<p>Tem circulado pelas redes sociais, j\u00e1 chegando \u00e0 imprensa escrita,um recorte do Di\u00e1rio de Not\u00edcias de 1 de Agosto de 1944 com o t\u00edtulo \u201c39,2 \u00e0 Sombra em Lisboa \u2013 45,8 em Coimbra\u201d. Sendo apresentado como prova de que calor sempre houve e que a situa\u00e7\u00e3o actual nenhuma novidade tem. \u00c9 engra\u00e7ado que, duma penada, se desbarata o pr\u00f3prio fim da mensagem noticiosa que \u00e9 apresentar o que sai da normalidade, do quotidiano. Ou seja, mesmo sem ler o artigo conseguimos, se pensarmos, perceber que a situa\u00e7\u00e3o relatada foi-o porque n\u00e3o era um fen\u00f3meno comum. Lendo a not\u00edcia percebe-se a surpresa, ali\u00e1s, \u00e9 referido que desde que o Instituto Geof\u00edsico da Universidade regista temperaturas (1864), apenas no ano anterior (1943) se tinha registado uma temperatura equivalente.<br \/>\nMais do que uma temperatura m\u00e1xima excessiva pontual o que se passa \u00e9 uma onda de calor. Uma onda de calor \u00e9 definida por um per\u00edodo de seis dias no m\u00ednimo em que a temperatura excede 5\u00baC a temperatura normal para a \u00e9poca. E aten\u00e7\u00e3o, tamb\u00e9m as ondas de calor n\u00e3o s\u00e3o um fen\u00f3meno novo. Nem nunca tal \u00e9 afirmado. O que \u00e9 registado \u00e9 que a intensidade (valor da temperatura), a dura\u00e7\u00e3o (n\u00famero de dias em que a temperatura se mant\u00e9m acima de 5\u00baC da temperatura normal) e a frequ\u00eancia (n\u00famero de ondas de calor anual) s\u00e3o factores que t\u00eam aumentado. Especialmente a dura\u00e7\u00e3o, mas tamb\u00e9m a frequ\u00eancia. Essa \u00e9 a novidade. Por isso n\u00e3o aparecem not\u00edcias com o t\u00edtulo \u201c39\u00baC em Lisboa\u201d\u2026<br \/>\nO negacionismo apresenta uma estrutura que se repete em v\u00e1rias mat\u00e9rias. Seja nos malef\u00edcios do tabaco, seja na polui\u00e7\u00e3o, seja nas altera\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas e, at\u00e9, nas doen\u00e7as e vacinas como pudemos constatar nos \u00faltimos dois anos. Primeiro nega-se a realidade, apresentam-se estudos encomendados ou descontextualizados a \u201cdemonstar\u201d o oposto.<br \/>\nDepois nega-se a causa, p\u00f5e-se em causa os cientistas, portadores da mensagem. Pelo meio afirma-se que sempre foi assim, atirando ao vento factos aned\u00f3ticos. \u00c9 uma guerra de trincheiras em que os negacionistas v\u00e3o recuando de uma para outra e, por vezes, fazem um contra-ataque. Nem todos s\u00e3o, obviamente, integrantes de uma mega conspira\u00e7\u00e3o, nem todos propalam a desinforma\u00e7\u00e3o de forma dolosa. O problema \u00e9 que, como no presente caso, n\u00e3o pensarem porque \u00e9 que foi not\u00edcia em 1944 (porque era INCOMUM) acabam por favorecer o negacionismo.<br \/>\nPerguntava se ser\u00e1 o estertor? N\u00e3o, acho que n\u00e3o. Posso reconhecer que andei enganado, que o negacionismo clim\u00e1tico estava moribundo, tirando a vertente de atrasar solu\u00e7\u00f5es n\u00e3o assimilando a emerg\u00eancia. Mas n\u00e3o, vai reaparecendo. E, acho, vai continuar a reaparecer. N\u00e3o se deixe embarcar,<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Opini\u00e3o de M\u00e1rio Reis<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":208421,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"footnotes":""},"categories":[31,5],"tags":[2412,100],"class_list":["post-242427","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-geral","category-opiniao","tag-mario-reis","tag-opiniao"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/242427","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=242427"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/242427\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=242427"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=242427"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=242427"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}