{"id":242644,"date":"2022-07-18T11:00:16","date_gmt":"2022-07-18T10:00:16","guid":{"rendered":"https:\/\/www.asbeiras.pt\/?p=242644"},"modified":"2022-07-18T11:00:16","modified_gmt":"2022-07-18T10:00:16","slug":"opiniao-a-arvore-nas-nossas-cabecas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/opiniao-a-arvore-nas-nossas-cabecas\/","title":{"rendered":"Opini\u00e3o: A \u00e1rvore nas nossas cabe\u00e7as"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/www.asbeiras.pt\/wp-content\/uploads\/2021\/01\/Pio-Abreu-opi.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-medium wp-image-208713\" src=\"https:\/\/www.asbeiras.pt\/wp-content\/uploads\/2021\/01\/Pio-Abreu-opi-300x157.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"157\" \/><\/a><\/p>\n<p>Se h\u00e1 coisas sem as quais n\u00e3o poder\u00edamos viver, s\u00e3o as \u00e1rvores. As \u00e1rvores d\u00e3o-nos tudo. D\u00e3o-nos sombra e frescura para nos abrigarmos do sol, mas tamb\u00e9m nos abrigam da chuva. Dela extra\u00edmos a lenha para fazer fogo ou madeira para construir, a resina para produtos qu\u00edmicos, a casca para usos diversos, a fruta e as folhas. O corte de uma \u00e1rvore sugere-nos uma circunfer\u00eancia, e com ela fiz\u00e9mos a roda, com a qual galgamos dist\u00e2ncias. E foi nas \u00e1rvores que os nossos antepassados chimpanz\u00e9s ganharam a destreza que nos permite usar bra\u00e7os e pernas de uma maneira flex\u00edvel e independente. Isto n\u00e3o encerra os m\u00faltiplos usos que fazemos de uma \u00e1rvore, todos eles referidos a um objecto que podemos nomear, desenhar, representar ou observar. Trata-se apenas de uma \u00e1rvore.<br \/>\nPara conhecermos as \u00e1rvores, nem sequer precisamos de ir \u00e0 floresta. Elas est\u00e3o na nossa cabe\u00e7a, e basta estar em casa para lidarmos com os seus vest\u00edgios. Est\u00e3o por todo o lado, mas n\u00e3o na sua forma original. Em geral, contactamos com a sua textura, a temperatura ou mesmo o cheiro da mob\u00edlia de madeira que nos cerca. Mas a \u00e1rvore em que podemos pensar \u00e9 outra coisa. Podemos observ\u00e1-la de longe ou imagin\u00e1-la. \u00c9 uma coisa \u00fanica na sua representa\u00e7\u00e3o. \u00c9 um objecto significante que formamos na nossa cabe\u00e7a e ao qual atribu\u00edmos significados diferentes consoante os usos que podemos fazer dela.<br \/>\nOs humanos, ao contr\u00e1rio dos outros animais, t\u00eam a capacidade de perceber que um conjunto de artefactos que usamos no dia a dia derivaram daquele objecto primordial a que chamamos \u00e1rvore. E podem saber exactamente como, desse objecto, se constroem os artefactos, estabelecendo assim nexos de causalidade. Como foi isso poss\u00edvel? &#8211; Atrav\u00e9s da palavra. Uma simples palavra &#8211; \u00e1rvore &#8211; estabiliza na nossa cabe\u00e7a a representa\u00e7\u00e3o de todas as \u00e1rvores do mundo, n\u00e3o obstante as diferen\u00e7as entre elas e sem a necessidade de as estarmos a observar.<br \/>\nA maior conquista humana foi a linguagem. Com ela e a sua articula\u00e7\u00e3o, todo o mundo pode estar, ordenado e l\u00f3gico, na nossa cabe\u00e7a. O mais interessante, por\u00e9m, \u00e9 que toda a linguagem se processa numa pequena parte do c\u00e9rebro, geralmente na metade esquerda, do mesmo modo que um pequeno computador o pode fazer. Foi isso que nos tornou humanos. Mas a aventura come\u00e7ou com a constru\u00e7\u00e3o social das linguagens &#8211; desde as palavras aos s\u00edmbolos matem\u00e1ticos &#8211; talvez antecedida pelo uso assim\u00e9trico das m\u00e3os enquanto lasc\u00e1vamos a pedra.<br \/>\nTodo o restante c\u00e9rebro n\u00e3o \u00e9 estruturalmente diferente do dos outros animais, sobretudo desde que eles se lan\u00e7aram na aventura de abandonar o fundo dos oceanos. Neles est\u00e1 inscrita toda a evolu\u00e7\u00e3o da vida, observada pelo pequeno computador do nosso c\u00e9rebro. Dessa observa\u00e7\u00e3o discriminativa resultou a palavra \u00e1rvore, mas tamb\u00e9m a palavra peixe, mam\u00edfero, animal, c\u00e9rebro, neur\u00f3nio, liga\u00e7\u00e3o nervosa e electr\u00f3nica, ondas hertzianas, bem como a imagina\u00e7\u00e3o e constru\u00e7\u00e3o do computador, sat\u00e9lite, internet, intelig\u00eancia artificial, e de toda esta pan\u00f3plia que cada vez mais nos aproxima atrav\u00e9s da comunica\u00e7\u00e3o imediata, mas que cada vez mais nos afasta da natureza que nos forma e \u00e0 qual ainda pertencemos.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Opini\u00e3o de Pio Abreu<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":208713,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"footnotes":""},"categories":[31,5],"tags":[100,102],"class_list":["post-242644","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-geral","category-opiniao","tag-opiniao","tag-pio-abreu"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/242644","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=242644"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/242644\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=242644"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=242644"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=242644"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}