{"id":242993,"date":"2022-07-24T10:52:38","date_gmt":"2022-07-24T09:52:38","guid":{"rendered":"https:\/\/www.asbeiras.pt\/?p=242993"},"modified":"2022-07-24T10:52:38","modified_gmt":"2022-07-24T09:52:38","slug":"investigadores-de-laboratorio-em-coimbra-sao-uma-especie-de-sherlock-holmes-a-caca-de-doencas-em-plantas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/investigadores-de-laboratorio-em-coimbra-sao-uma-especie-de-sherlock-holmes-a-caca-de-doencas-em-plantas\/","title":{"rendered":"Investigadores de laborat\u00f3rio em Coimbra s\u00e3o uma esp\u00e9cie de Sherlock Holmes \u00e0 ca\u00e7a de doen\u00e7as em plantas"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_220315\" style=\"width: 810px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a href=\"https:\/\/www.asbeiras.pt\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/Instituto-Pedro-Nunes-DR.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-220315\" class=\"size-full wp-image-220315\" src=\"https:\/\/www.asbeiras.pt\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/Instituto-Pedro-Nunes-DR.jpg\" alt=\"\" width=\"800\" height=\"534\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-220315\" class=\"wp-caption-text\">DR-IPN<\/p><\/div>\n<p>No Laborat\u00f3rio de Fitossanidade (Fitolab), em Coimbra, descobrir que doen\u00e7as afetam as plantas pode ser um trabalho que por vezes transforma os investigadores numa esp\u00e9cie de Sherlock Holmes e, tal como na criminologia, tamb\u00e9m h\u00e1 casos que acabam arquivados.<\/p>\n<p class=\"text-paragraph\">O Fitolab \u00e9, desde junho de 2022, o \u00fanico laborat\u00f3rio nacional de sanidade vegetal com ensaios acreditados pelo IPAC (Instituto Portugu\u00eas de Acredita\u00e7\u00e3o).<\/p>\n<p class=\"text-paragraph\">Esta estrutura cumpre com o regulamento da Uni\u00e3o Europeia e atua na dete\u00e7\u00e3o e investiga\u00e7\u00e3o de doen\u00e7as das plantas.<\/p>\n<p class=\"text-paragraph\">Naquele laborat\u00f3rio do Instituto Pedro Nunes, por vezes, pode aparecer um produtor com uma \u00e1rvore morta nas m\u00e3os e dizer que tem \u201cmais tr\u00eas ou quatro a morrer\u201d, sem saber o que causa o decl\u00ednio da cultura.<\/p>\n<p class=\"text-paragraph\">\u00c9 nesses momentos que os investigadores do laborat\u00f3rio t\u00eam de se assumir como \u201cuma esp\u00e9cie de Sherlock Holmes\u201d e tentar descobrir a causa da morte da planta, disse \u00e0 ag\u00eancia Lusa Joana Costa, que divide a dire\u00e7\u00e3o do Fitolab com Ant\u00f3nio Portugal.<\/p>\n<p class=\"text-paragraph\">A microbi\u00f3loga recordou os tempos em que fazia epidemiologia, nomeadamente em torno da legionela, e consegue tra\u00e7ar um paralelo entre o que faz agora com as plantas.<\/p>\n<p class=\"text-paragraph\">\u201cAnd\u00e1vamos \u00e0 procura nos reservat\u00f3rios ou procur\u00e1vamos no pulm\u00e3o da pessoa para perceber se era a mesma estirpe. Aqui, fazemos a mesma coisa. Umas vezes, por m\u00e9todos de cultivo, outras vezes por m\u00e9todos moleculares. E, agora, at\u00e9 queremos ir mais al\u00e9m e sequenciar o genoma destes organismos para perceber de onde v\u00eam, se s\u00e3o relacionados com outros, quais os fatores de virul\u00eancia associados, mas \u00e9 epidemiologia pura\u201d, reconheceu.<\/p>\n<p class=\"text-paragraph\">Este laborat\u00f3rio, que arrancou em 2012 e que conta com suporte cient\u00edfico por parte de docentes e investigadores do Centro de Ecologia Funcional da Universidade de Coimbra, trabalha com o Governo, autarquias, viveiristas, produtores florestais e agricultores, do Algarve a Tr\u00e1s-os-Montes, num processo que nunca \u00e9 r\u00e1pido, mas que pode ter diferentes graus de complexidade.<\/p>\n<p class=\"text-paragraph\">H\u00e1 sintomas reconhec\u00edveis que apontam logo para determinadas doen\u00e7as e organismos, outros em que \u00e9 preciso ir ao terreno \u2013 algo bastante comum \u2013 perceber se h\u00e1 efetivamente uma doen\u00e7a e de que forma afeta a planta.<\/p>\n<p class=\"text-paragraph\">\u201cAinda h\u00e1 pouco, fomos por causa de umas batateiras e havia uma zona da planta\u00e7\u00e3o que estava em pleno decl\u00ednio. Fomos ver se o problema era da raiz, se era do colo, se estava nas folhas. E acab\u00e1mos por conseguir identificar o organismo, que era um fungo\u201d, notou.<\/p>\n<p class=\"text-paragraph\">No laborat\u00f3rio, atua-se em quatro \u00e1reas t\u00e9cnicas &#8211; bacteriologia, microbiologia, nematologia e virologia -, consoante o agente nocivo que afeta a sa\u00fade das plantas.<\/p>\n<p class=\"text-paragraph\">Se, em alguns casos, identificando o hospedeiro e a sintomatologia, torna-se mais f\u00e1cil descobrir qual a doen\u00e7a, em outros \u00e9 preciso seguir um processo de tentativa e erro, aclarou Joana Costa.<\/p>\n<p class=\"text-paragraph\">Tal como na investiga\u00e7\u00e3o criminal, aqui \u201ctamb\u00e9m h\u00e1 \u2018cold cases\u2019 [casos arquivados]\u201d, que muito deixam frustrados os investigadores.<\/p>\n<p class=\"text-paragraph\">\u201cH\u00e1 um caso muito interessante, que est\u00e1 a acontecer em It\u00e1lia e agora tamb\u00e9m j\u00e1 em Fran\u00e7a, que tem provocado um decl\u00ednio das planta\u00e7\u00f5es de kiwi, com um impacto que chega a ser de 70% e n\u00e3o percebem o que \u00e9. \u00c9 um \u2018cold case\u2019 com cinco anos e h\u00e1 centenas de pessoas a tentar, a darem o seu \u2018bitaite\u2019 e ainda ningu\u00e9m sabe o que aconteceu\u201d, frisou.<\/p>\n<p class=\"text-paragraph\">Face \u00e0 possibilidade de novas doen\u00e7as ou hospedeiros serem identificados no pa\u00eds, a equipa est\u00e1 em permanente atualiza\u00e7\u00e3o, sempre \u201cem cima da literatura cient\u00edfica\u201d.<\/p>\n<p class=\"text-paragraph\">\u201cQuando identific\u00e1mos o \u2018diaporthe\u2019 em kiwis, que \u00e9 uma doen\u00e7a que n\u00e3o estava em Portugal, houve algu\u00e9m que tinha lido um artigo sobre a doen\u00e7a, sobre os sintomas, volt\u00e1mos atr\u00e1s e acab\u00e1mos por confirmar que era \u2018diaporthe\u2019\u201d, recordou, salientando tamb\u00e9m a import\u00e2ncia de trabalhar em rede com outros laborat\u00f3rios europeus, partilha que permite ajudar a identificar uma doen\u00e7a.<\/p>\n<p class=\"text-paragraph\">A globaliza\u00e7\u00e3o, as culturas intensivas e as altera\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas obrigam a essa necessidade constante de atualiza\u00e7\u00e3o, salientou Joana Costa.<\/p>\n<p class=\"text-paragraph\">No caso das altera\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas, as plantas, face \u00e0s temperaturas extremas e invernos menos rigorosos, acabam por estar mais suscet\u00edveis a doen\u00e7as &#8211; \u201calgumas delas que n\u00e3o tinham efeitos perniciosos, de um momento para o outro, passam a ter efeitos catastr\u00f3ficos\u201d.<\/p>\n<p class=\"text-paragraph\">Para al\u00e9m disso, a altera\u00e7\u00e3o das condi\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas pode tamb\u00e9m significar um ambiente mais prop\u00edcio para a multiplica\u00e7\u00e3o de insetos que transmitem as doen\u00e7as.<\/p>\n<p class=\"text-paragraph\">J\u00e1 a globaliza\u00e7\u00e3o tem trazido para o pa\u00eds doen\u00e7as e hospedeiros que, de outra forma, n\u00e3o chegariam a Portugal.<\/p>\n<p class=\"text-paragraph\">\u201cTemos plantas a chegar aos nossos portos de todo o mundo. H\u00e1 doen\u00e7as que nunca chegariam c\u00e1 e passam a chegar. Um dos casos mais conhecidos \u00e9 o do nem\u00e1todo, que se julga ter entrado pelo porto de Sines, em madeiras ex\u00f3ticas para a Expo98 e depois estabeleceu-se no pa\u00eds. \u00c9, de longe, a principal preocupa\u00e7\u00e3o para a fileira do pinho\u201d, real\u00e7ou.<\/p>\n<p class=\"text-paragraph\">Outra quest\u00e3o que tamb\u00e9m influencia a progress\u00e3o de doen\u00e7as e pragas s\u00e3o as monoculturas que se v\u00e3o estabelecendo pelo pa\u00eds, nomeadamente no Alentejo e na Beira Interior.<\/p>\n<p class=\"text-paragraph\">\u201cOnde n\u00e3o h\u00e1 heterogeneidade da paisagem, o organismo nocivo entra e n\u00e3o tem problema nenhum em multiplicar-se e expandir-se\u201d, alertou.<\/p>\n<p class=\"text-paragraph\">Com o intensificar de todos estes fen\u00f3menos, espera-se que o trabalho do Fitolab continue a aumentar, com novas doen\u00e7as e novos hospedeiros que, mais tarde ou mais cedo, acabem por chegar ao pa\u00eds.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>No Laborat\u00f3rio de Fitossanidade (Fitolab), em Coimbra, descobrir que doen\u00e7as afetam as plantas pode ser um trabalho que por vezes transforma os investigadores numa esp\u00e9cie de Sherlock Holmes e, tal como na criminologia, tamb\u00e9m h\u00e1 casos que acabam arquivados.<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":220315,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"footnotes":""},"categories":[39,31],"tags":[9345],"class_list":["post-242993","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-coimbra-2","category-geral","tag-fitolab"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/242993","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=242993"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/242993\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=242993"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=242993"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=242993"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}