{"id":243387,"date":"2022-07-30T11:50:51","date_gmt":"2022-07-30T10:50:51","guid":{"rendered":"https:\/\/www.asbeiras.pt\/?p=243387"},"modified":"2022-07-30T11:50:51","modified_gmt":"2022-07-30T10:50:51","slug":"opiniao-refletir-sobre-as-migracoes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/opiniao-refletir-sobre-as-migracoes\/","title":{"rendered":"Opini\u00e3o: Refletir sobre as migra\u00e7\u00f5es"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/www.asbeiras.pt\/2020\/11\/opiniao-e-embaracoso-eu-sei-que-e-embaracoso\/maria-helena-teixeira-2\/\" rel=\"attachment wp-att-206003\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-206003\" src=\"https:\/\/www.asbeiras.pt\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/MARIA-HELENA-TEIXEIRA.jpg\" alt=\"\" width=\"1200\" height=\"628\" \/><\/a><\/p>\n<p>Todos os dias ouvimos falar em Portugal no envelhecimento da popula\u00e7\u00e3o, n\u00e3o a entendida como aumento da longevidade (que nos deve orgulhar), mas com o sentido de rela\u00e7\u00e3o idosos\/mais jovens (ou, se quiserem, reformados versus em idades mais jovens, ou ainda, qui\u00e7\u00e1 intencional e malevolamente, reformados versus em idade activa). Associadamente, surgem quase sempre os problemas do sal\u00e1rio m\u00ednimo, das pens\u00f5es de reforma e, s\u00f3 agora mas finalmente (at\u00e9 parece que com vergonha), do sal\u00e1rio m\u00e9dio. J\u00e1 pensaram como \u00e9 que um reformado, idoso, a precisar de algu\u00e9m que o ajude nos cuidados di\u00e1rios de sua casa, mesmo que com o sal\u00e1rio m\u00e9dio nacional (que pouco maior \u00e9 do que o sal\u00e1rio m\u00ednimo), pode pagar um sal\u00e1rio m\u00ednimo a algu\u00e9m que o ajude? O sal\u00e1rio m\u00ednimo de outros pa\u00edses europeus \u00e9 maior do que o portugu\u00eas? Certo. Mas tamb\u00e9m j\u00e1 compararam o sal\u00e1rio m\u00e9dio portugu\u00eas com o sal\u00e1rio m\u00e9dio europeu?!<br \/>\nN\u00e3o longe desta problem\u00e1tica (ou at\u00e9 por causa dela), surge o problema migrat\u00f3rio.<br \/>\nNo s\u00e9culo passado, os portugueses emigravam para o Brasil, para Fran\u00e7a, Luxemburgo, Sui\u00e7a \u2026 emigra\u00e7\u00e3o sobretudo de gente do Norte e do Centro, cultural e profissionalmente n\u00e3o qualificada, para trabalhar na constru\u00e7\u00e3o civil, na agricultura, em servi\u00e7os dom\u00e9sticos &#8230; M\u00e3o-de-obra barata nesses pa\u00edses!&#8230; Resultado?! O desaparecimento da popula\u00e7\u00e3o em idades de trabalho do interior do Norte e do Centro \u2026 a desertifica\u00e7\u00e3o do Interior \u2026 o abandono da agricultura \u2026 o abandono de aldeias inteiras (hoje transformadas em aldeias tur\u00edsticas)!&#8230;<br \/>\nNeste s\u00e9culo, assistimos a um problema mais complexo \u2026 mas, eventualmente, pelas mesmas raz\u00f5es!&#8230; Internamente, migra-se com facilidade de terra para terra (de espa\u00e7os urbanos ou rurais, do Norte, do Sul, do Interior ou do Litoral), tempor\u00e1ria ou definitivamente, numa manifesta\u00e7\u00e3o da natureza nacional portuguesa. E at\u00e9 ser\u00e1 interessante verificar-se a crescente participa\u00e7\u00e3o de mulheres nestes movimentos migrat\u00f3rios, em contraste com o que outrora acontecia. Todavia, continua, infelizmente, a predominar o fluxo dos centros rurais do interior para o litoral urbano.<br \/>\nA n\u00edvel de emigra\u00e7\u00e3o\/imigra\u00e7\u00e3o, desde o in\u00edcio do novo mil\u00e9nio que se assiste a uma realidade migrat\u00f3ria muito complexa, caracterizada por uma simultaneidade de fluxos de entrada e de fluxos de sa\u00edda em que interv\u00eam factores econ\u00f3micos e laborais, mas tamb\u00e9m factores sociais, s\u00f3cio-pol\u00edticos ou democr\u00e1ticos. Assim, a imigra\u00e7\u00e3o em Portugal \u00e9 uma realidade complexa em que entram, por vezes em simult\u00e2neo, todos aqueles factores, desde os que justificam o volume de imigrantes provenientes do Brasil e das Ex-Col\u00f3nias portuguesas (grande parte a trabalhar em hotelaria, restaura\u00e7\u00e3o e outras actividades tur\u00edsticas), de imigrantes provenientes de diversos outros pa\u00edses africanos ou asi\u00e1ticos (em actividades agr\u00edcolas ou de servi\u00e7os) ou dos imigrantes recebidos por solidariedade humanit\u00e1ria. Em qualquer dos casos, a exigir uma rigorosa aten\u00e7\u00e3o e um rigoroso equacionamento dos processos de integra\u00e7\u00e3o na nossa sociedade de acolhimento, certos de que, por parte deles, procuram melhor qualidade de vida do que a que tinham nos seus pa\u00edses de origem, mas, pela nossa parte, vieram preencher vazios que as nossas pol\u00edticas econ\u00f3micas foram permitindo.<br \/>\nEm rela\u00e7\u00e3o \u00e0 emigra\u00e7\u00e3o, somos todos obrigados a reconhecer (e os nossos pol\u00edticos j\u00e1 h\u00e1 muito que o deveriam ter feito) que, se no antigamente eram os menos escolarizados e qualificados que emigravam, hoje s\u00e3o os cidad\u00e3os qualificados ou altamente qualificados que emigram. Digam que \u00e9 um produto da globaliza\u00e7\u00e3o, do sentir de liberdade ou liberta\u00e7\u00e3o dos jovens, o que quiserem! Mas a natural ambi\u00e7\u00e3o dos jovens, a consci\u00eancia do valor da sua qualifica\u00e7\u00e3o e do valor do seu trabalho, n\u00e3o se compadece com os baixos sal\u00e1rios que lhe oferecem \u2026 com a inseguran\u00e7a que v\u00eaem nos empregos \u2026 com uma aus\u00eancia de carreira profissional \u2026 com as perspectivas de futuro que lhe apresentam! N\u00e3o \u00e9 por acaso que os estudantes universit\u00e1rios, chegados ao fim dos seus cursos ou ainda antes, come\u00e7am cedo a tratar ou planear o seu caminho fora de Portugal!<br \/>\nE, depois \u2026 n\u00e3o h\u00e1 m\u00e9dicos, n\u00e3o h\u00e1 enfermeiros, n\u00e3o h\u00e1 professores, n\u00e3o h\u00e1 t\u00e9cnicos qualificados? Todos sabem que h\u00e1! Reconhe\u00e7am-lhe o seu valor \u2026 garantam-lhe um futuro condigno!<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Maria Helena Teixeira, Qu\u00edmica e escritora<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":206003,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"footnotes":""},"categories":[31,5],"tags":[1590,100],"class_list":["post-243387","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-geral","category-opiniao","tag-maria-helena-teixeira","tag-opiniao"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/243387","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=243387"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/243387\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=243387"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=243387"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=243387"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}