{"id":244051,"date":"2022-08-11T11:21:30","date_gmt":"2022-08-11T10:21:30","guid":{"rendered":"https:\/\/www.asbeiras.pt\/?p=244051"},"modified":"2022-08-11T11:21:30","modified_gmt":"2022-08-11T10:21:30","slug":"festival-de-musica-forte-acabou-insolvente-mas-ha-quem-o-queira-recuperar","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/festival-de-musica-forte-acabou-insolvente-mas-ha-quem-o-queira-recuperar\/","title":{"rendered":"Festival de m\u00fasica Forte acabou insolvente, mas h\u00e1 quem o queira recuperar"},"content":{"rendered":"<div id=\"txt\">\n<div id=\"attachment_244052\" style=\"width: 1210px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/www.asbeiras.pt\/2022\/08\/festival-de-musica-forte-acabou-insolvente-mas-ha-quem-o-queira-recuperar\/festival-forte-2\/\" rel=\"attachment wp-att-244052\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-244052\" class=\"size-full wp-image-244052\" src=\"https:\/\/www.asbeiras.pt\/wp-content\/uploads\/2022\/08\/festival-forte.jpg\" alt=\"\" width=\"1200\" height=\"628\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-244052\" class=\"wp-caption-text\">D.R.<\/p><\/div>\n<p class=\"text-paragraph\">O festival de m\u00fasica eletr\u00f3nica Forte, que se realizava no Castelo de Montemor-o-Velho, acabou com a empresa organizadora insolvente, em 2021, mas h\u00e1 quem queira recuperar o evento que teve a sua \u00faltima edi\u00e7\u00e3o em 2019.<\/p>\n<p class=\"text-paragraph\">O festival Forte acabou com a insolv\u00eancia da empresa respons\u00e1vel pelo festival, a SN Culture, mas um dos seu principais credores planeia agora recuperar o evento em 2023.<\/p>\n<p class=\"text-paragraph\">Em 2020, j\u00e1 com o processo de insolv\u00eancia em curso, do qual a ag\u00eancia Lusa n\u00e3o tinha conhecimento na altura, a organiza\u00e7\u00e3o mostrava vontade de regressar no ano seguinte, apesar de admitir dificuldades financeiras.<\/p>\n<p class=\"text-paragraph\">A \u00faltima publica\u00e7\u00e3o nas redes sociais do festival \u00e9 desse mesmo ano, dando conta do cancelamento da edi\u00e7\u00e3o de 2020 devido \u00e0 pandemia, e frisando a expectativa de anunciar um regresso \u201cmuito em breve\u201d.<\/p>\n<p class=\"text-paragraph\">Nessa altura, a SN Culture, detida pelo diretor do festival, Il\u00eddio Chaves, j\u00e1 tinha perdido os direitos sobre a marca e imagem do festival, vendidos a um dos seus credores, e acumulava uma d\u00edvida de 700 mil euros, de acordo com a lista provis\u00f3ria de credores que a ag\u00eancia Lusa consultou na plataforma Citius.<\/p>\n<p class=\"text-paragraph\">Em maio de 2021, foi declarada a insolv\u00eancia da SN Culture, sem direito a liquida\u00e7\u00e3o de bens por n\u00e3o haver patrim\u00f3nio a satisfazer, segundo o ac\u00f3rd\u00e3o do tribunal consultado pela Lusa.<\/p>\n<p class=\"text-paragraph\">Na lista provis\u00f3ria de credores, publicada em julho de 2019, nas v\u00e9speras da \u00faltima edi\u00e7\u00e3o do festival, figuravam d\u00edvidas desde 2016 at\u00e9 \u00e0quele ano (incluindo uma de 2011, antes do festival ter come\u00e7ado).<\/p>\n<p class=\"text-paragraph\">Entre os credores, estavam agentes de m\u00fasica, produtores e DJ que participaram no festival, como Marcel Dettmann e Michael Mayer, o banco BCP e entidades associadas \u00e0 log\u00edstica de um festival de m\u00fasica.<\/p>\n<p class=\"text-paragraph\">Em 2019, aquando da \u00faltima edi\u00e7\u00e3o, foram dados os primeiros sinais p\u00fablicos de dificuldades financeiras do festival que arrancou em 2014, com artistas a acusarem a organiza\u00e7\u00e3o de n\u00e3o serem pagos, e com v\u00e1rios a cancelarem as atua\u00e7\u00f5es previstas.<\/p>\n<p class=\"text-paragraph\">Na altura, o diretor do festival, Il\u00eddio Chaves, assumia que a continuidade do festival teria de ser debatida.<\/p>\n<p class=\"text-paragraph\">No entanto, nesse mesmo ano, o festival j\u00e1 se tinha realizado sem que a organiza\u00e7\u00e3o fosse detentora da marca.<\/p>\n<p class=\"text-paragraph\">A marca tinha sido vendida em 2018, a Sadik Valimamade, irm\u00e3o de Karim Valimamade, e filho de Sabir Valimamade, dono dos hot\u00e9is Sabir, da Figueira da Foz, onde os artistas ficavam hospedados.<\/p>\n<p class=\"text-paragraph\">O Forte j\u00e1 acumulava cerca de 100 mil euros de d\u00edvida \u00e0quela fam\u00edlia, quer de falhas contratuais relativamente aos hot\u00e9is, quer de empr\u00e9stimos particulares que foram sendo assegurados desde 2014.<\/p>\n<p class=\"text-paragraph\">Em declara\u00e7\u00f5es \u00e0 Lusa, Karim explicou que o contrato para a venda da marca foi redigido no \u00faltimo dia do festival de 2018, quando a organiza\u00e7\u00e3o precisava de 20 mil euros para assegurar que a edi\u00e7\u00e3o poderia terminar.<\/p>\n<p class=\"text-paragraph\">\u201cA marca passava para o meu irm\u00e3o. Caso fosse pago o valor, a marca passava novamente para o Il\u00eddio\u201d, explicou.<\/p>\n<p class=\"text-paragraph\">O pagamento n\u00e3o foi feito e a marca \u201cForte\u201d transitou para Sadik, em setembro de 2018, como a ag\u00eancia Lusa constatou no \u2018site\u2019 do Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI).<\/p>\n<p class=\"text-paragraph\">No entanto, em dezembro de 2018, a organiza\u00e7\u00e3o regista uma nova marca, intitulada \u201cFestival Forte\u201d.<\/p>\n<p class=\"text-paragraph\">A fam\u00edlia Valimamade reclamou, em fevereiro de 2019, e o INPI deu-lhe raz\u00e3o, recusando o novo registo em julho de 2019, um m\u00eas antes de o festival arrancar.<\/p>\n<p class=\"text-paragraph\">O festival acaba por acontecer, sem marca registada e com uma provid\u00eancia cautelar interposta pela fam\u00edlia Valimamade, no final de mar\u00e7o desse ano, para impedir essa edi\u00e7\u00e3o de acontecer.<\/p>\n<p class=\"text-paragraph\">Segundo Karim, ganharam a a\u00e7\u00e3o, mas j\u00e1 depois de o festival ter terminado.<\/p>\n<p class=\"text-paragraph\">A Lusa tentou falar por diversas vezes e atrav\u00e9s de v\u00e1rios meios com Il\u00eddio Chaves, mas sem sucesso.<\/p>\n<p class=\"text-paragraph\">Segundo o presidente da C\u00e2mara de Montemor-o-Velho, Em\u00edlio Torr\u00e3o, o munic\u00edpio tem conhecimento da insolv\u00eancia e de um processo de lit\u00edgio, referindo que o diretor do festival nunca mais contactou a autarquia desde a \u00faltima edi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p class=\"text-paragraph\">\u201cA \u00faltima edi\u00e7\u00e3o j\u00e1 foi \u2018in extremis\u2019. Nunca mais ouvi falar do Il\u00eddio\u201d, disse, lamentando o fim de um evento \u201cde refer\u00eancia que trazia muita gente\u201d.<\/p>\n<p class=\"text-paragraph\">Karim Valimamade salienta que, em conjunto com as d\u00edvidas aos hot\u00e9is e ao seu pai, tem cerca de 110 mil euros por reaver.<\/p>\n<p class=\"text-paragraph\">Apesar da d\u00edvida, acredita que este n\u00e3o \u00e9 um caso de desvio de fundos, mas apenas de m\u00e1 gest\u00e3o financeira do festival, que come\u00e7ou logo desde a primeira edi\u00e7\u00e3o a acumular d\u00edvidas.<\/p>\n<p class=\"text-paragraph\">A sua liga\u00e7\u00e3o ao festival remonta a 2014, quando soube do arranque do evento e prop\u00f4s \u00e0 organiza\u00e7\u00e3o fazer um pre\u00e7o especial para alojar artistas. Ao mesmo tempo, aproveitou para vender \u2018packs\u2019 para festivaleiros, que inclu\u00edam estadia na Figueira da Foz, bilhete e transporte entre os dois locais.<\/p>\n<p class=\"text-paragraph\">Nos anos seguintes, a d\u00edvida foi-se acumulando, com Karim a acreditar que o festival poderia &#8216;dar a volta&#8217; \u2013 sinal disso \u00e9 um empr\u00e9stimo de 25 de mil euros que assegurou ao Forte em 2017, para garantir que a ag\u00eancia de Jeff Mills, cabe\u00e7a de cartaz desse ano, n\u00e3o cancelaria a vinda dos seus v\u00e1rios artistas, por falta de pagamento.<\/p>\n<p class=\"text-paragraph\">O empr\u00e9stimo acabou por n\u00e3o ser pago no final da edi\u00e7\u00e3o de 2017, e a organiza\u00e7\u00e3o avan\u00e7ou com um \u2018crowdfunding\u2019 para tentar abater a d\u00edvida, cujo montante angariado n\u00e3o ter\u00e1 sido usado para abater a d\u00edvida da fam\u00edlia Valimamade, vinca Karim.<\/p>\n<p class=\"text-paragraph\">Olhando para tr\u00e1s, Karim tem alguma dificuldade em falar do assunto, assumindo at\u00e9 algum arrependimento por decis\u00f5es que acabou por tomar.<\/p>\n<p class=\"text-paragraph\">No entanto, continua a acreditar na viabilidade do Forte.<\/p>\n<p class=\"text-paragraph\">\u201cEstou a tentar estabelecer parcerias para reativar o festival, idealmente j\u00e1 em 2023. Eu acredito naquele festival\u201d, frisa Karim.<\/p>\n<p class=\"text-paragraph\">\u201cO Forte baseava-se em expectativas, quando podia basear-se em dados. O cartaz era demasiado caro, os or\u00e7amentos, ano ap\u00f3s ano, eram alt\u00edssimos e n\u00e3o havia uma gest\u00e3o ajustada \u00e0 realidade\u201d, notou, salientando que h\u00e1 interesse, inclusive de ag\u00eancias de artistas internacionais, de ver o festival ser retomado.<\/p>\n<p class=\"text-paragraph\">Uma pessoa que esteve associada ao festival durante v\u00e1rios anos e que optou por n\u00e3o dar o nome, contou \u00e0 ag\u00eancia Lusa que identificou \u201cgraves problemas de gest\u00e3o financeira\u201d logo a partir da primeira edi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p class=\"text-paragraph\">\u201cArrancou-se em 2015 j\u00e1 em d\u00edvida, e houve sempre uma expectativa or\u00e7amental, com uma estimativa de receitas absolutamente desfasadas da realidade\u201d, notou, apontando tamb\u00e9m para contratos renegociados que eram desvantajosos para o festival e para o parque de campismo, que \u201cera um buraco financeiro\u201d.<\/p>\n<p class=\"text-paragraph\">Em 2018, o dinheiro que entrava em caixa no festival, \u201cpassados dez minutos, j\u00e1 n\u00e3o estava l\u00e1, que ia para pagar alguma coisa\u201d, recorda.<\/p>\n<p class=\"text-paragraph\">Essa mesma pessoa acredita que em Portugal \u201c\u00e9 muito dif\u00edcil um festival vingar sem grandes patrocinadores e \u2018naming sponsor\u2019\u201d.<\/p>\n<p class=\"text-paragraph\">Tamb\u00e9m Margarida Cabral, que foi ajudando na log\u00edstica do festival desde 2014 at\u00e9 \u00e0 \u00faltima edi\u00e7\u00e3o, afirmou que a tens\u00e3o em torno das d\u00edvidas foi aumentando de ano para ano.<\/p>\n<p class=\"text-paragraph\">\u201cEra um festival muito especial e a sorte de ter avan\u00e7ado at\u00e9 2019 foi as pessoas terem acreditado nele. Mas o cansa\u00e7o foi-se acumulando. Em 2019, senti que seria a \u00faltima edi\u00e7\u00e3o\u201d, recorda.<\/p>\n<p class=\"text-paragraph\">\u201cMuita gente tentou ajudar, mas nunca conseguimos dar a volta. Era apagar tudo e come\u00e7ar tudo outra vez. Aquilo foi desenhado para Montemor-o-Velho, tudo fazia sentido. N\u00e3o houve boa gest\u00e3o, mas acho que quem o criou, f\u00ea-lo por amor \u00e0 m\u00fasica\u201d, salienta Margarida Cabral.<\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O festival de m\u00fasica eletr\u00f3nica Forte, que se realizava no Castelo de Montemor-o-Velho, acabou com a empresa organizadora insolvente, em 2021, mas h\u00e1 quem queira recuperar o evento que teve a sua \u00faltima edi\u00e7\u00e3o em 2019.<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":244052,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"footnotes":""},"categories":[31,215],"tags":[9506,216],"class_list":["post-244051","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-geral","category-montemor-o-velho","tag-festival-forte","tag-montemor-o-velho"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/244051","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=244051"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/244051\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=244051"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=244051"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=244051"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}