{"id":244292,"date":"2022-08-17T10:54:34","date_gmt":"2022-08-17T09:54:34","guid":{"rendered":"https:\/\/www.asbeiras.pt\/?p=244292"},"modified":"2022-08-17T10:54:34","modified_gmt":"2022-08-17T09:54:34","slug":"alteracoes-climaticas-norte-da-europa-vive-confortavelmente-a-custa-da-agricultura-intensiva-portuguesa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/alteracoes-climaticas-norte-da-europa-vive-confortavelmente-a-custa-da-agricultura-intensiva-portuguesa\/","title":{"rendered":"Altera\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas: Norte da Europa vive confortavelmente \u00e0 custa da agricultura intensiva portuguesa"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/www.asbeiras.pt\/wp-content\/uploads\/2022\/08\/red-fruit.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-244293\" src=\"https:\/\/www.asbeiras.pt\/wp-content\/uploads\/2022\/08\/red-fruit.jpg\" alt=\"\" width=\"1200\" height=\"628\" \/><\/a><\/p>\n<p>No norte da Europa consomem-se produtos hortofrut\u00edcolas \u00e0 custa da agricultura intensiva praticada em Portugal, com recurso \u00e0 exaust\u00e3o de \u00e1gua e dos solos, em aparente contradi\u00e7\u00e3o com o discurso de adapta\u00e7\u00e3o \u00e0s altera\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas.<\/p>\n<p class=\"text-paragraph\">Em declara\u00e7\u00f5es \u00e0 ag\u00eancia Lusa, F\u00e1tima Alves, doutorada em Sociologia e coordenadora, na Universidade Aberta, da extens\u00e3o do Centro de Ecologia Funcional (CEF) da Universidade de Coimbra (UC), deu o exemplo dos frutos vermelhos produzidos no Alentejo, para constatar que o combate \u00e0s altera\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas n\u00e3o se faz sem que haja uma participa\u00e7\u00e3o integrada de todos os atores, sejam estes decisores pol\u00edticos, empresas ou a popula\u00e7\u00e3o, e uma \u201crefunda\u00e7\u00e3o\u201d da nossa rela\u00e7\u00e3o com a Natureza.<\/p>\n<p class=\"text-paragraph\">\u201cDe um modo geral, o consumidor no norte da Europa &#8211; que n\u00e3o dispensa ao pequeno-almo\u00e7o estes frutos vermelhos produzidos no Alentejo, em produ\u00e7\u00e3o intensiva, com esgotamento da \u00e1gua, destrui\u00e7\u00e3o dos solos e fazendo uso de agroqu\u00edmicos &#8211; frequentemente ignora esse facto. Com o seu discurso \u2018verde\u2019 e de adapta\u00e7\u00e3o \u00e0s altera\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas, vive, na verdade vivemos, confortavelmente \u00e0 custa das agriculturas que destroem os solos em diversos pa\u00edses\u201d, enfatizou F\u00e1tima Alves.<\/p>\n<p class=\"text-paragraph\">Para a investigadora, este \u201c\u00e9 um problema que tem de ser encarado de outra forma, de forma integrada\u201d.<\/p>\n<p class=\"text-paragraph\">\u201cMas isso nunca \u00e9 f\u00e1cil, por causa dos interesses instalados e n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 no Alentejo, h\u00e1 j\u00e1 muitos \u2018Alentejos\u2019 em Portugal e em outros pa\u00edses europeus e n\u00e3o europeus. \u00c9 urgente mudar o modelo de organiza\u00e7\u00e3o econ\u00f3mica. Este n\u00e3o nos vai permitir sair desta crise\u201d, alertou a soci\u00f3loga.<\/p>\n<p class=\"text-paragraph\">Notando que, por exemplo, Espanha, \u201conde em alguns contextos j\u00e1 avan\u00e7aram com a transi\u00e7\u00e3o ecol\u00f3gica na agricultura para combater a destrui\u00e7\u00e3o dos solos e a desertifica\u00e7\u00e3o resultado da agricultura intensiva atrav\u00e9s do recurso \u00e0 agricultura biol\u00f3gica\u201d, F\u00e1tima Alves considerou que \u201cainda n\u00e3o \u00e9 seguro saber se a solu\u00e7\u00e3o vem por esse lado para resolver simultaneamente o problema alimentar e permitir a biodiversidade\u201d.<\/p>\n<p class=\"text-paragraph\">Por outro lado, o aumento da popula\u00e7\u00e3o \u00e0 escala global pressiona para que sejam consumidos mais recursos: \u201cOu seja, precisamos de alimentos, mas temos de encontrar formas de os produzir que sejam menos impactantes e mais sustent\u00e1veis, porque sen\u00e3o estamos aqui em movimentos completamente contradit\u00f3rios e n\u00e3o vamos conseguir sair disto\u201d, avisou a investigadora.<\/p>\n<p class=\"text-paragraph\">Sobre a cria\u00e7\u00e3o de novas formas de organiza\u00e7\u00e3o social \u201cque respeitem mais a rela\u00e7\u00e3o com o ambiente\u201d, F\u00e1tima Alves abordou a rela\u00e7\u00e3o que, em Portugal, se estabelece com os espa\u00e7os verdes, em particular as \u00e1rvores, nomeadamente nos casos de requalifica\u00e7\u00e3o urbana que as sacrificam, ou como as cidades \u201cn\u00e3o est\u00e3o preparadas para as ondas de calor\u201d.<\/p>\n<p class=\"text-paragraph\">\u201cE n\u00e3o est\u00e3o porque n\u00e3o t\u00eam espa\u00e7os verdes suficientes para amortecer esse calor e contribuir para um conforto t\u00e9rmico maior, que as casas, devido \u00e0 sua constru\u00e7\u00e3o e condi\u00e7\u00f5es de habitabilidade, n\u00e3o proporcionam. As ruas, as pra\u00e7as e as casas que est\u00e3o perto de \u00e1rvores t\u00eam melhor qualidade ambiental\u201d, observou F\u00e1tima Alves.<\/p>\n<p class=\"text-paragraph\">A investigadora defendeu, a esse prop\u00f3sito, que a exist\u00eancia de mais, e mais duradouras, ondas de calor \u201cdevia levar as cidades a promoverem uma rela\u00e7\u00e3o diferente com as \u00e1rvores\u201d.<\/p>\n<p class=\"text-paragraph\">\u201cDe facto, elas produzem consequ\u00eancias positivas para a vida urbana. \u00c9 preciso reequacionar a nossa rela\u00e7\u00e3o com as \u00e1rvores, que n\u00e3o pode continuar a ser predat\u00f3ria\u201d, frisou.<\/p>\n<p class=\"text-paragraph\">A especialista do Centro de Ecologia Funcional da UC considerou, igualmente, que as altera\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas \u201cn\u00e3o escolhem geografias para se manifestarem, nisso s\u00e3o democr\u00e1ticas, manifestam-se por todo o lado\u201d.<\/p>\n<p class=\"text-paragraph\">H\u00e1, no entanto, \u201cpa\u00edses que est\u00e3o a sofrer mais do que outros\u201d com as mudan\u00e7as clim\u00e1ticas. No contexto europeu, claramente os pa\u00edses do sul da Europa s\u00e3o mais afetados e com consequ\u00eancias \u201ccada vez mais gravosas\u201d pela falta de \u00e1gua e a seca ou os inc\u00eandios florestais.<\/p>\n<p class=\"text-paragraph\">F\u00e1tima Alves destacou um document\u00e1rio chamado \u201cO Homem Comeu a Terra\u201d, feito com base numa obra de investigadores franceses, para resumir que, pelo mundo, as responsabilidades sobre a atual situa\u00e7\u00e3o divergem consoante os pa\u00edses.<\/p>\n<p class=\"text-paragraph\">\u201cApesar das altera\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas nos afetarem a todos, s\u00e3o aqueles que menos contribuem para elas os mais afetados. Neste contexto, n\u00e3o podemos exigir que um pa\u00eds que n\u00e3o tem saneamento, n\u00e3o tem \u00e1gua canalizada, seja privado de ter porque isso aumenta as emiss\u00f5es e contribui para o aquecimento global. N\u00f3s, ocidentais, que j\u00e1 cheg\u00e1mos aos limites dos limites das consequ\u00eancias, n\u00e3o podemos permitir isso\u201d, argumentou.<\/p>\n<p class=\"text-paragraph\">E as mudan\u00e7as clim\u00e1ticas \u201cn\u00e3o s\u00e3o apenas biof\u00edsicas, s\u00e3o provocadas pela a\u00e7\u00e3o humana, que est\u00e1 nas suas causas\u201d, precisou a cientista, aludindo, igualmente, \u00e0 quest\u00e3o das desigualdades sociais.<\/p>\n<p class=\"text-paragraph\">\u201c\u00c9 uma quest\u00e3o central, porque as altera\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas v\u00eam aprofundar as desigualdades sociais que existem. Isto tem de ser debatido, em m\u00faltiplas \u00e1reas, porque as pessoas e os seus territ\u00f3rios, os seus contextos, s\u00e3o elementos centrais\u201d, sublinhou a investigadora do CEF.<\/p>\n<p class=\"text-paragraph\">Entre 2016 e 2017, F\u00e1tima Alves colaborou na coordena\u00e7\u00e3o, junto com outros tr\u00eas investigadores, do Plano Intermunicipal de Adapta\u00e7\u00e3o \u00e0s Altera\u00e7\u00e3o Clim\u00e1ticas da Regi\u00e3o de Coimbra, um documento de 1.265 p\u00e1ginas, organizado por \u00e1reas, que fez um diagn\u00f3stico da situa\u00e7\u00e3o nos 19 munic\u00edpios daquela comunidade intermunicipal do pa\u00eds e apresentou um conjunto de propostas e medidas de adapta\u00e7\u00e3o em cada setor.<\/p>\n<p class=\"text-paragraph\">O documento estrat\u00e9gico, elaborado por uma equipa multidisciplinar de cerca de 30 pessoas, oriundas de diversas entidades e centros de investiga\u00e7\u00e3o, \u201c\u00e9 uma esp\u00e9cie de diagn\u00f3stico na regi\u00e3o de Coimbra\u201d, um relat\u00f3rio \u201cque permite perceber as especificidades locais\u201d e as disponibilidades de recursos ou as fragilidades e potencialidades de cada munic\u00edpio e pressup\u00f5e que cada um destes construa o seu pr\u00f3prio plano.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>No norte da Europa consomem-se produtos hortofrut\u00edcolas \u00e0 custa da agricultura intensiva praticada em Portugal, com recurso \u00e0 exaust\u00e3o de \u00e1gua e dos solos, em aparente contradi\u00e7\u00e3o com o discurso de adapta\u00e7\u00e3o \u00e0s altera\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas.<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":244293,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"footnotes":""},"categories":[31,33],"tags":[9548,9549,1100,9550],"class_list":["post-244292","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-geral","category-nacional","tag-agricultura-portuguesa","tag-alentejo","tag-alteracoes-climaticas","tag-furtos-vermelhos"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/244292","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=244292"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/244292\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=244292"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=244292"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=244292"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}