{"id":245399,"date":"2022-09-07T11:59:23","date_gmt":"2022-09-07T10:59:23","guid":{"rendered":"https:\/\/www.asbeiras.pt\/?p=245399"},"modified":"2022-09-07T11:59:23","modified_gmt":"2022-09-07T10:59:23","slug":"opiniao-o-algarve-tambem-e-portugal","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/opiniao-o-algarve-tambem-e-portugal\/","title":{"rendered":"Opini\u00e3o: O Algarve tamb\u00e9m \u00e9 Portugal?"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/www.asbeiras.pt\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/MANUEL-ANTUNES.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-206338\" src=\"https:\/\/www.asbeiras.pt\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/MANUEL-ANTUNES.jpg\" alt=\"\" width=\"1200\" height=\"628\" \/><\/a><\/p>\n<p>Estou a escrever esta Opini\u00e3o, nos primeiros dias de agosto (no m\u00eas passado estes artigos n\u00e3o foram publicados), de f\u00e9rias no Algarve. A julgar pelo que vejo \u00e0 minha volta, metade do Pa\u00eds e do resto do mundo mudou-se para aqui neste m\u00eas. Alegadamente para descansar, ou para vir a banhos, o que n\u00e3o \u00e9 certamente a melhor forma de descansar\u2026<br \/>\nMas sempre d\u00e1 para fazer algumas coisas para as quais n\u00e3o temos tempo durante o resto do ano. Como ler os jornais. E o que \u00e9 que eu vi nos jornais? Naturalmente por defeito de profiss\u00e3o, o meu olhar concentrou-se em meia d\u00fazia de t\u00edtulos relacionados com o SNS do Algarve que, precisamente nesta altura, deveria estar no seu melhor. Vamos a eles: O servi\u00e7o de urg\u00eancia de cardiologia do Hospital de Faro n\u00e3o tem recursos; Falta de m\u00e9dicos no Algarve obriga servi\u00e7os de urg\u00eancia a encerrar; M\u00e9dicos n\u00e3o querem ir trabalhar no SNS no Algarve; M\u00e9dicos do Algarve aliciados a trocar f\u00e9rias por dinheiro; Algarve paga o triplo para m\u00e9dicos e enfermeiros; M\u00e9dicos formados no Algarve consideram regi\u00e3o m\u00e1 escolha.<br \/>\nAlgo de novo? N\u00e3o! Apesar de tudo, o Algarve ainda \u00e9 Portugal e est\u00e1 a passar-se aqui o que se passa noutros s\u00edtios do Pa\u00eds, e que tem sido objeto de muitos outros t\u00edtulos nas \u00faltimas semanas. A crise nos servi\u00e7os de urg\u00eancia, da obstetr\u00edcia e n\u00e3o s\u00f3, que antes j\u00e1 aqui comentei, est\u00e1 aqui para ficar e n\u00e3o passar\u00e1 apenas com os \u2018pensos r\u00e1pidos\u2019 que t\u00eam vindo a ser anunciados pelas entidades governamentais.<br \/>\nEnt\u00e3o por que raz\u00e3o estou aqui a gastar o meu e o vosso tempo? Para j\u00e1, quero concentrar-me no \u00faltimo dos t\u00edtulos que acima enumerei: M\u00e9dicos formados no Algarve consideram a regi\u00e3o m\u00e1 escolha. Aumentar o n\u00famero de m\u00e9dicos a querer ficar a trabalhar na regi\u00e3o foi um dos argumentos para a cria\u00e7\u00e3o do curso de medicina na Universidade do Algarve, ali\u00e1s com a oposi\u00e7\u00e3o de muita gente dos meios acad\u00e9micos nacionais. \u201cIntegrado numa resposta \u00e0 enorme car\u00eancia de m\u00e9dicos na regi\u00e3o do Algarve\u201d, dizia-se no diploma que o criou. A admiss\u00e3o neste curso \u00e9, de resto, muito seletiva e \u201caberta exclusivamente a pessoas possuidoras, no m\u00ednimo, de uma licenciatura numa das \u00e1reas estabelecidas pelo regulamento de candidatura e sele\u00e7\u00e3o\u201d. O pr\u00f3prio curso tem carater\u00edsticas diversas dos das faculdades cl\u00e1ssicas. Talvez, portanto, se devesse adicionar uma cl\u00e1usula de obrigatoriedade de presta\u00e7\u00e3o nos estabelecimentos do SNS da regi\u00e3o por certo per\u00edodo. J\u00e1 agora, como \u00e9 que se atraem os professores do curso? \u00c9 mais f\u00e1cil fix\u00e1-los que aos alunos?<br \/>\nCentro-me agora noutro t\u00edtulo: m\u00e9dicos n\u00e3o querem ir trabalhar no SNS no Algarve. Um curso de medicina, de seis anos, nas faculdades p\u00fablicas custa ao contribuinte muitas dezenas de milhares de euros, v\u00e1rias vezes mais caro que os outros cursos superiores. Mesmo para os alunos que pagam as propinas, menos de cinco mil euros no total do curso, trata-se de um benef\u00edcio que talvez devesse ser compensado ao Pa\u00eds e aos seus cidad\u00e3os. Profissionalmente, n\u00e3o onde se quer, mas onde se \u00e9 \u00fatil e necess\u00e1rio. Ali\u00e1s, n\u00e3o estamos a falar em envi\u00e1-los para o deserto, numa esp\u00e9cie de col\u00f3nia algures noutro continente! A prop\u00f3sito, note-se que a propina do novo curso de medicina da Universidade Cat\u00f3lica excede os 17 mil euros anuais!<br \/>\nNaturalmente, sou pela regra de que \u00e9 melhor convencer do que impor, mas em tempo de guerra o servi\u00e7o militar obrigat\u00f3rio talvez volte a ser uma necessidade. Contudo, h\u00e1 outras maneiras de melhorar as coisas. Ainda um outro t\u00edtulo: \u201cInternos est\u00e3o a ser usados para tapar buracos nas escalas de servi\u00e7o\u201d. Para quem n\u00e3o sabe, internos s\u00e3o m\u00e9dicos que est\u00e3o a fazer uma forma\u00e7\u00e3o espec\u00edfica, isto \u00e9, a aprender para ser especialistas. Internos do 5\u00ba ano est\u00e3o no fim dessa aprendizagem. Por que raz\u00e3o, ent\u00e3o, n\u00e3o podem ser utilizados? Sempre foram! Ali\u00e1s, todos os que por aqui andam sabem que os internos sempre foram a \u201cclasse trabalhadora\u201d. S\u00f3 que agora \u00e9 conveniente \u2018ressuscitar esqueletos\u2019 dos arm\u00e1rios; para fins pol\u00edticos, claro!<br \/>\nProblemas com as escalas sempre os houve. Talvez o problema seja agora um pouco mais agudo, mas anunciar que a urg\u00eancia vai fechar das tantas \u00e0s tantas tornou-se uma certa forma de afirma\u00e7\u00e3o daqueles que deveriam resolver os problemas em vez de os proclamar como conquistas. Refiro-me aos diretores de servi\u00e7o, claro. E aqui sa\u00fado aquela diretora \u201cque h\u00e1 muito n\u00e3o fazia urg\u00eancias, mas que agora se integrou a si pr\u00f3pria na escala\u201d. Haver\u00e1, certamente, outros exemplos semelhantes, mas \u00e9 tempo de acabar com as isen\u00e7\u00f5es que a atual lei estabelece. Pelo menos n\u00e3o aos 50 ou 55 anos. Quem me dera poder l\u00e1 voltar\u2026<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Opini\u00e3o de Manuel Antunes<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":206338,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"footnotes":""},"categories":[31,5],"tags":[1406,100],"class_list":["post-245399","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-geral","category-opiniao","tag-manuel-antunes","tag-opiniao"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/245399","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=245399"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/245399\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=245399"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=245399"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=245399"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}