{"id":245763,"date":"2022-09-12T11:54:05","date_gmt":"2022-09-12T10:54:05","guid":{"rendered":"https:\/\/www.asbeiras.pt\/?p=245763"},"modified":"2022-09-12T11:54:05","modified_gmt":"2022-09-12T10:54:05","slug":"opiniao-a-consciencia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/opiniao-a-consciencia\/","title":{"rendered":"Opini\u00e3o: A consci\u00eancia"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/www.asbeiras.pt\/wp-content\/uploads\/2021\/01\/Pio-Abreu-opi.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-208713\" src=\"https:\/\/www.asbeiras.pt\/wp-content\/uploads\/2021\/01\/Pio-Abreu-opi.jpg\" alt=\"\" width=\"1200\" height=\"628\" \/><\/a><\/p>\n<p>Todos falam de consci\u00eancia, todos sabemos que a temos, mas ningu\u00e9m sabe dizer o que ela \u00e9. Os antigos nem conheciam o termo. Falavam antes da alma (ou termos equivalentes e igualmente vagos, como mente e psique), uma esp\u00e9cie de nuvem que pairava sobre a nossa cabe\u00e7a e era independente do corpo, ou alguma coisa et\u00e9rea que se alojava, escondida, nalguma parte do corpo ou do c\u00e9rebro. Para Descartes, seria mesmo no centro do c\u00e9rebro, na gl\u00e2ndula pineal. S\u00f3 em 1691, o fil\u00f3sofo ingl\u00eas John Locke popularizou o termo consci\u00eancia que, etimologicamente significava ci\u00eancia acompanhada de outra ci\u00eancia. Consci\u00eancia \u00e9 sempre um saber (ci\u00eancia) acompanhada de outro saber (outra ci\u00eancia). Consci\u00eancia tamb\u00e9m \u00e9 saber que se tem consci\u00eancia.<br \/>\nOs neurocientistas contempor\u00e2neos perseguem a defini\u00e7\u00e3o de consci\u00eancia. Mas situam-na entre dois polos extremos. Para uns, como Daniel Dennet, a consci\u00eancia nem sequer existe: seria apenas um epifen\u00f3meno, algo acess\u00f3rio \u00e1 nossa actividade cerebral. No polo extremo encontra-se Penfield, acreditando que a mente se encontra nos t\u00fabulos neurais. Mas esta n\u00e3o \u00e9 sen\u00e3o uma maneira de encontrar um novo esconderijo para t\u00e3o et\u00e9reo ser, do mesmo modo que Descartes pensava que a pineal era o esconderijo da alma.<br \/>\nUma observa\u00e7\u00e3o mais apurada revela que a consci\u00eancia \u00e9 sempre individual, tal como a alma o era, ao contr\u00e1rio do esp\u00edrito que tinha uma abrang\u00eancia colectiva. Ent\u00e3o, a consci\u00eancia \u00e9 sempre a consci\u00eancia de si, e relaciona-se com a identidade, coisa que n\u00e3o ter\u00e1 escapado a Locke. Por outras palavras, \u00e9 o sentido da mesmeidade: eu sou o mesmo que era dantes, apesar de o meu corpo mudar, desde a inf\u00e2ncia \u00e0 velhice, e de todos os seus \u00e1tomos, mol\u00e9culas, c\u00e9lulas e tecidos constituintes se substituirem permanentemente. Para al\u00e9m das implica\u00e7\u00f5es jur\u00eddicas &#8211; substanciadas pelo aparentado conceito de pessoa &#8211; esta ideia tem permanecido em todos os estudiosos do tema. E ainda bem que permaneceu. Hoje, os neurocientistas conhecem as estruturas cerebrais que se activam quando estamos a lidar com os problemas da consci\u00eancia e identidade: quando pensamos no nosso passado, quando imaginamos o nosso futuro, tomamos decis\u00f5es morais ou tentamos compreender os outros. S\u00e3o as zonas m\u00e9dias dos hemisf\u00e9rios cerebrais, de grande dimens\u00e3o nos humanos, sobretudo \u00e0 frente e atr\u00e1s da ponte (o corpo caloso) que liga as duas metades do c\u00e9rebro. Existe por\u00e9m muito para descobrir. Os chamados estados alterados de consci\u00eancia, com a ajuda de drogas, manipula\u00e7\u00f5es hipn\u00f3ticas ou recurso a sonhos l\u00facidos, a pesquisa do inconsciente e da sua primazia no comportamento, est\u00e3o agora sob foco. Um aspecto decisivo, posto em relevo ap\u00f3s a separa\u00e7\u00e3o cir\u00fargica das duas metades do c\u00e9rebro (cingulectomia) para tratar a epilepsia resistente, tem a ver com o funcionamento complementar dos hemisf\u00e9rios cerebrais: um deles, em geral o direito, mais intuitivo e emocional, o outro, em geral o esquerdo, mais racional e l\u00f3gico. Todo este estudo ainda est\u00e1 no in\u00edcio. Muita coisa se pode explicar j\u00e1, mas a consci\u00eancia, que parece evidente a toda a gente, aparece como o \u00faltimo limite do conhecimento. Entretanto, torna-se cada vez mais dif\u00edcil lidar com o problema da identidade.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Opini\u00e3o de Pio Abreu<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":208713,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"footnotes":""},"categories":[31,5],"tags":[100,102],"class_list":["post-245763","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-geral","category-opiniao","tag-opiniao","tag-pio-abreu"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/245763","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=245763"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/245763\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=245763"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=245763"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=245763"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}