{"id":246060,"date":"2022-09-16T11:25:57","date_gmt":"2022-09-16T10:25:57","guid":{"rendered":"https:\/\/www.asbeiras.pt\/?p=246060"},"modified":"2022-09-16T11:25:57","modified_gmt":"2022-09-16T10:25:57","slug":"opiniao-nao-chamaras-nomes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/opiniao-nao-chamaras-nomes\/","title":{"rendered":"Opini\u00e3o: &#8220;N\u00e3o chamar\u00e1s nomes&#8221;"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/www.asbeiras.pt\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/BRUNO-PAIXAO.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter wp-image-205891 size-large\" src=\"https:\/\/www.asbeiras.pt\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/BRUNO-PAIXAO-1024x536.jpg\" alt=\"\" width=\"650\" height=\"340\" \/><\/a><\/p>\n<p>Chamar nomes \u00e9 uma coisa mais ou menos feia. H\u00e1 muitas maneiras de chamar nomes sem os pronunciar de forma direta. Ser\u00e1 que fulano sabe mesmo quem \u00e9 o pai? N\u00e3o h\u00e1 tribunal algum que ouse a condena\u00e7\u00e3o pela benevol\u00eancia da d\u00favida. Ou dizer desse mesmo fulano que n\u00e3o consegue assentar o chap\u00e9u na cabe\u00e7a. Isto pode significar muitas coisas, n\u00e3o necessariamente aquela que todos achamos que quer dizer.<br \/>\nLembro-me de uma pessoa minha amiga que, para caracterizar outra de aspeto malparecido, disse assim: \u201cse representasse um ato de Gil Vicente, calhava-lhe o papel do diabo\u201d. Foi a cr\u00edtica mais po\u00e9tica e mais sincera que j\u00e1 ouvi.<br \/>\nH\u00e1 dias, quando contornava a rotunda de uma das entradas de Coimbra, dei de caras com um outdoor de uma coisa que n\u00e3o sei se \u00e9 um partido ou a reencarna\u00e7\u00e3o de Salazar. Ali, naquele s\u00edtio, onde j\u00e1 antes a mesma trupe irradiara a luz prof\u00e9tica que acolhe no seio das suas urnas o voto dos \u201cportugueses de bem\u201d, o outdoor mostrava gente que n\u00e3o tem nada a ver com este pseudopartido. Ao lado da figurinha que costuma intitular-se ora \u201ca voz dos portugueses de bem\u201d, ora \u201co presidente dos portugueses de bem\u201d, o cartaz expunha abusivamente o primeiro-ministro e alguns dos seus ministros num contexto em que certamente os respetivos c\u00f4njuges rejeitariam colocar num \u00e1lbum de fam\u00edlia. N\u00e3o se trata de um outdoor sat\u00edrico, que muitas vezes d\u00e1 gra\u00e7a \u00e0 pol\u00edtica. N\u00e3o. Este \u00e9 um outdoor de afrontamento f\u00e1cil e grotesco, desinspirado, que precisa de falar dos outros para sobreviver.<br \/>\nEu n\u00e3o vim aqui chamar nomes a ningu\u00e9m, at\u00e9 porque chamar nomes \u00e9 uma coisa mais ou menos feia. Mas muitas vezes vem-me \u00e0 lembran\u00e7a aquelas camisolas que t\u00eam inscrito \u201cCala-te \u00f3 facho\u201d. N\u00e3o sei porqu\u00ea. Mas vem.<br \/>\nDepois lembrei-te que, naquele s\u00edtio, o mesmo pseudopartido prometeu fazer \u201co sistema tremer\u201d. Julgo que conseguiu. Dou-lhe os meus sinceros parab\u00e9ns. Eu, quando tenho de dizer bem, digo bem! P\u00f4s a tremer as cadeiras da sua sede com os embrulhan\u00e7os e as demiss\u00f5es dos seus membros, depois o Parlamento, com amea\u00e7as de pancadaria, entre outras p\u00e9rolas aplaudidas pela gigante das variedades televisivas Maria Vieira.<br \/>\nNoutro outdoor, reclamava: \u201cChega de familiares\u201d na pol\u00edtica. Numa entrevista, o \u201ccoiso\u201d disse coisas sem se rir (desculpem, mas n\u00e3o me lembro como se chama esse grande guru cheguista que parece ostracizar ciganos, mandou uma deputada negra ir para a sua terra, e ter\u00e1 pouca simpatia por outros que no seu cimento ideol\u00f3gico n\u00e3o s\u00e3o gente de bem). O \u201ccoiso\u201d mostrou-se muito irritado com as rela\u00e7\u00f5es familiares nas fun\u00e7\u00f5es pol\u00edticas. E bem! Talvez n\u00e3o contasse \u00e9 que a imprensa fosse descobrir que contratou o pai de uma deputada do seu grupo parlamentar para assessorar\u2026 justamente o mesmo grupo parlamentar. O que interessa \u00e9 carregar umas ideias nos outdoors e fazer uns golpes medi\u00e1ticos, porque o povo \u00e9 desinformado e tem ouvido f\u00e1cil.<br \/>\n\u201cSinto que Deus me deu esta miss\u00e3o\u201d, disse o \u201ccoiso\u201d, justificando a sua campanha. Ele pode dizer tagarelices destas, porque sabe que Deus n\u00e3o lhe mover\u00e1 uma a\u00e7\u00e3o em tribunal. No fundo, abusa de quem n\u00e3o deve. Nem sequer Hitler o acusar\u00e1 de imita\u00e7\u00e3o pelo facto de o \u201ccoiso\u201d se ter ajoelhado de m\u00e3o erguida fazendo aquilo que pareceu ser uma sauda\u00e7\u00e3o nazi. J\u00e1 antes, num com\u00edcio do seu pseudopartido, no Porto, houve quem fizesse a mesma sauda\u00e7\u00e3o no momento em que se ouvia o hino nacional.<br \/>\nMas como dizia, chamar nomes \u00e9 uma coisa mais ou menos feia. Por isso n\u00e3o lhe chamarei pulha, nem safardana, nem batoteiro, nem impostor, nem aldabr\u00e3o. N\u00e3o. N\u00e3o chamarei nada disso. Nem quero que me salte \u00e0 lembran\u00e7a aquelas camisolas com o letreiro \u201cCala-te \u00f3 facho\u201d.<\/p>\n<p><em>Pode ler a opini\u00e3o na edi\u00e7\u00e3o impressa e digital do DI\u00c1RIO AS BEIRAS<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Opini\u00e3o do investigador em comunica\u00e7\u00e3o pol\u00edtica, Bruno Paix\u00e3o. &#8220;Chamar nomes \u00e9 uma coisa mais ou menos feia. 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