{"id":246062,"date":"2022-09-16T11:29:07","date_gmt":"2022-09-16T10:29:07","guid":{"rendered":"https:\/\/www.asbeiras.pt\/?p=246062"},"modified":"2022-09-16T11:29:07","modified_gmt":"2022-09-16T10:29:07","slug":"opiniao-coimbra-minha","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/opiniao-coimbra-minha\/","title":{"rendered":"Opini\u00e3o: &#8220;Coimbra minha&#8221;"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/www.asbeiras.pt\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/Vitor-Sereno.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-206630 size-large aligncenter\" src=\"https:\/\/www.asbeiras.pt\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/Vitor-Sereno-1024x536.jpg\" alt=\"\" width=\"650\" height=\"340\" \/><\/a><\/p>\n<p>H\u00e1 mais de vinte anos que vivo num vai-e-vem. De Lisboa a Bissau, pela Alemanha e Argentina, Macau e Dakar, ou hoje no pa\u00eds do sol nascente. N\u00e3o fosse eu falar de Coimbra sempre que a situa\u00e7\u00e3o me permite (e mesmo quando n\u00e3o permite\u2026), muitos poderiam pensar que esta cidade, eternamente minha, se fosse desvanecendo na minha cabe\u00e7a, ou mais grave, no meu cora\u00e7\u00e3o.<br \/>\nN\u00e3o se escapando da minha mem\u00f3ria, como estas cr\u00f3nicas tanto podem atestar, toda uma juventude e forma\u00e7\u00e3o, as corridas de mi\u00fado, as descobertas da adolesc\u00eancia, as aulas no D. Maria e na Universidade, a fam\u00edlia e amigos de toda uma vida, procuro n\u00e3o s\u00f3 reviver os momentos passados, mas criar novas impress\u00f5es sempre que regresso a Coimbra. Assim foi este m\u00eas, e pude novamente galgar os mesmos passeios que, h\u00e1 mais de vinte anos, venho a percorrer apenas de tempos a tempos. Confesso-me, entristece-me diz\u00ea-lo, profundamente desiludido. Coimbra est\u00e1 irreconhec\u00edvel.<br \/>\nN\u00e3o \u00e9 raro a inoc\u00eancia da juventude impregnar mem\u00f3rias de uma doce pureza que nunca, na verdade, existiu. Os sabores s\u00e3o sempre mais doces, as cores mais vivas, a vida mais bela nas lembran\u00e7as de mi\u00fado. A natural marcha do progresso transforma as cidades, brota pr\u00e9dios onde campos solarengos jaziam, em que corr\u00edamos, namor\u00e1vamos e r\u00edamos. As pra\u00e7as mudam, os mapas redesenham-se e, com eles, segue uma parte de n\u00f3s. Mas n\u00e3o posso atribuir \u00e0 nostalgia o sentimento de tristeza que sinto quando vejo aquilo em que Coimbra se tornou. N\u00e3o \u00e9 essa marcha de modernidade impessoal que criou a impress\u00e3o, mas o seu inverso e cruel percurso \u2013 o total abandono de uma cidade que de hist\u00f3rico tem tudo, mas de futuro, se nada mudar, muito pouco.<br \/>\nO pa\u00eds todo mudou, \u00e9 verdade. Tamb\u00e9m o Porto ou Lisboa s\u00e3o, por vezes, irreconhec\u00edveis para muitos dos seus antigos mun\u00edcipes. For\u00e7a do turismo, fruto da gentrifica\u00e7\u00e3o, muito mudou na capital e na Invicta, mas essas for\u00e7as trouxeram, em igual medida, moderniza\u00e7\u00e3o, requalifica\u00e7\u00e3o e investimento, sem descurar o louv\u00e1vel esfor\u00e7o dos seus cidad\u00e3os e das suas autoridades que souberam aproveitar os ventos que lhes sopraram.<br \/>\nJ\u00e1 aqui escrevi, a prop\u00f3sito da Acad\u00e9mica, da longa marcha de Coimbra para a irrelev\u00e2ncia. Apontei ent\u00e3o nos desenvolvimentos desportivos uma tr\u00e1gica s\u00edndrome dessa marcha. Esta passagem por Coimbra confirmou o diagn\u00f3stico. A Alta de Coimbra, Patrim\u00f3nio Mundial da Humanidade desde 2013 e que deveria fascinar os visitantes, deixa antes a marca indel\u00e9vel das paredes pichadas, ruas sujas e espa\u00e7os emblem\u00e1ticos fechados.<br \/>\nExige-se um esfor\u00e7o por parte de todos os conimbricenses, das suas institui\u00e7\u00f5es de ensino \u2013 das escolas prim\u00e1rias \u00e0 Universidade \u2013, das suas autoridades, das for\u00e7as pol\u00edticas de todos os campos; exige-se um sentido de cidadania e propriedade; mais que tudo, exige-se um sentido de orgulho por aquilo que foi nosso e deveria, um dia, voltar a ser: uma cidade de Coimbra digna de si mesma.<\/p>\n<p><em>Pode ler a opini\u00e3o na edi\u00e7\u00e3o impressa e digital do DI\u00c1RIO AS BEIRAS<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Opini\u00e3o de V\u00edtor Sereno, que reside em T\u00f3quio, no Jap\u00e3o. &#8220;Confesso-me, entristece-me diz\u00ea-lo, profundamente desiludido. 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