{"id":246239,"date":"2022-09-20T11:43:14","date_gmt":"2022-09-20T10:43:14","guid":{"rendered":"https:\/\/www.asbeiras.pt\/?p=246239"},"modified":"2022-09-20T11:43:14","modified_gmt":"2022-09-20T10:43:14","slug":"opiniao-inflacao-e-classes-medias","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/opiniao-inflacao-e-classes-medias\/","title":{"rendered":"Opini\u00e3o: Infla\u00e7\u00e3o e classes m\u00e9dias"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/www.asbeiras.pt\/wp-content\/uploads\/2021\/01\/Tiago-Estevao-Martins-opi-1.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone wp-image-208672 size-full\" src=\"https:\/\/www.asbeiras.pt\/wp-content\/uploads\/2021\/01\/Tiago-Estevao-Martins-opi-1.jpg\" alt=\"\" width=\"1200\" height=\"628\" \/><\/a><\/p>\n<p>Embora a esmagadora maioria dos portugueses se reconhe\u00e7a como pertencente \u00e0 classe m\u00e9dia, a verdade \u00e9 que os n\u00fameros demonstram que a diversidade de rendimentos dos que nela se identificam \u00e9 substancialmente divergente.<br \/>\nMais do que uma classe m\u00e9dia, temos hoje classes m\u00e9dias heterog\u00e9neas, bastante diferentes entre si, mas transversalmente esmagadas pela subida do custo de vida.<br \/>\nPor isso mesmo importa suster o \u00edmpeto discursivo do desenho de pol\u00edticas p\u00fablicas exclusivamente orientadas para os sectores mais carenciados se, na pr\u00e1tica, isso significar uma pol\u00edtica social de servi\u00e7os m\u00ednimos e a exclus\u00e3o de quem, longe de ser rico, corre o risco de ficar em \u201cterra de ningu\u00e9m\u201d.<br \/>\nA quest\u00e3o que se coloca hoje, perante o aumento progressivo das taxas de juro, dos custos da habita\u00e7\u00e3o e da alimenta\u00e7\u00e3o j\u00e1 n\u00e3o se prende sobre como ir\u00e3o os mais pobres enfrentar esta crise, mas sim como ir\u00e1 tamb\u00e9m a classe m\u00e9dia suportar as adversidades que se avizinham.<br \/>\nA crise inflacionista e a press\u00e3o colocada sobre os rendimentos familiares t\u00eam dado visibilidade \u00e0 diminui\u00e7\u00e3o do sal\u00e1rio real dos portugueses e feito regressar a quest\u00e3o fundamental sobre as condi\u00e7\u00f5es de vida daqueles que dependem do trabalho para a constitui\u00e7\u00e3o dos seus rendimentos mensais.<br \/>\nH\u00e1 muito que a discuss\u00e3o sobre a eros\u00e3o da classe m\u00e9dia nas economias ocidentais tem vindo a merecer reflex\u00e3o profunda, n\u00e3o s\u00f3 sobre a degrada\u00e7\u00e3o dos rendimentos obtidos como contrapartida do trabalho mas, tamb\u00e9m, sobre o agudizar das tens\u00f5es com que o Estado Social se confronta.<br \/>\nApenas o compromisso coletivo com um contrato social est\u00e1vel pode fazer frente ao degradar das condi\u00e7\u00f5es de vida perante o contexto vivido. Pois, se por um lado, a tributa\u00e7\u00e3o dos rendimentos deve ser progressiva e os apoios sociais pensados para al\u00e9m da pequena caridade, por outro, o Estado Social deve assentar na qualidade e na universalidade dos servi\u00e7os p\u00fablicos prestados.<br \/>\nMedidas como a progressiva gratuitidade das creches ou a gratuitidade dos manuais escolares s\u00e3o exemplos flagrantes de como se pode melhorar significativamente o n\u00edvel de vida das fam\u00edlias. Porque embora o aumento dos sal\u00e1rios seja uma medida fundamental, a verdade \u00e9 que ela \u00e9 inconsequente se n\u00e3o acompanhada por outras medidas de refor\u00e7o do papel do Estado.<br \/>\nApoiar as classes m\u00e9dias importa que reconhe\u00e7amos que o valor do dinheiro tem sido largamente depreciado e que muitos dos sal\u00e1rios auferidos j\u00e1 n\u00e3o servem para aspira\u00e7\u00f5es familiares e sociais b\u00e1sicas.<br \/>\nImporta que possamos olhar para os pr\u00f3ximos anos com um quadro de pol\u00edticas p\u00fablicas que, sem esquecer solu\u00e7\u00f5es para quem enfrenta dificuldades no tempo presente, possa apresentar interven\u00e7\u00f5es estruturais na nossa sociedade. O empobrecimento continuado dos trabalhadores n\u00e3o tem que ser uma inevitabilidade.<\/p>\n<p>A minha atividade na semana passada<br \/>\nA semana foi marcada pelos debates em Plen\u00e1rio sobre o in\u00edcio do ano letivo, onde intervim, mas tamb\u00e9m pela primeira reuni\u00e3o do Grupo de Trabalho para a aprecia\u00e7\u00e3o na Especialidade dos Projetos de Lei do Ensino Superior Polit\u00e9cnico, em que represento o Grupo Parlamentar do PS.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Opini\u00e3o de Tiago Estev\u00e3o Martins <\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":208672,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"footnotes":""},"categories":[31,5],"tags":[100,1356],"class_list":["post-246239","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-geral","category-opiniao","tag-opiniao","tag-tiago-estevao-martins"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/246239","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=246239"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/246239\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=246239"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=246239"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=246239"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}